Parei de beber fail

Daí que a redenção do fim da sobriedade veio na festa de aniversário do cunhado. A Denise me oferece uma cerveja, o primo dela me oferece vodka com schweeps, o cunhado oferece whisky cowboy, o mais difícil de negar.

Faz uns meses que não bebo tanto, logo cliquei mentalmente no botão fuck that shit e liguei o modo insanidade descontrolada, tão 2008.

Cheguei em casa, liguei pra amigos na festa do Xuxa, às 4 da manhã, partido em dois de tanto beber. E, claro, quando voltei e vi meu real estado de destruição da madrugada de sábado, fiz a ligação da desistência.

O que não me impediu de ainda beber meia caixa de cerveja com o Wolvs e fumar quase um maço de cigarros – o que fez minha cabeça crescer em progressão geométrica, quando da ressaca de domingo.

* update: amigos, quando pegarem mensagens minhas nesse nível, lembrem desse post e da composição das palavras insanidade descontrolada.

Coming Soon

Ontem, troca de um quarto para o outro. Tirar prateleiras da parede, realocar livros, discos e filmes, esconder material pornô, espalhar as gavetas, reunir milhares de sacolas de lixo e a parte mais difícil: retirar os cartazes da parede.

Meus cartazes são minha história, ou parte dela, entende. Desde o primeiro que descolei do muro do Hangar 110 (pra só anos depois descobrir que o cara que cola no muro fica puto quando alguém tira seu cartaz de lá por any motivos) até os shows que toquei, produzi ou fui do street team que descia a rua Augusta com uma lata de cola caseira estampando levas de cartaz em cada quadro de distruibuição telefônica que parecesse amigável.

Tirei cada um deles, retirei suas fitas adesivas, rasguei um dos principais sem querer, merda. Empilhei todos, lembrei de cada dia, cada atraso, cada sensação única, cada respingo de cola que ficava na mochila de recordação. Enrolei todos e passei a fita isolante. Porque ‘eu posso não acreditar em muitas coisas, mas na fita isolante eu confio’.

E aí veio aquela sensação de final de temporada, sabe, quando um ciclo é fechado e tudo que vier além daquilo pode ser constrangedor. Porque você não precisa abrir mão daquilo que te faz bem, mas um hiato pode criar uma segunda temporada muito mais interessante.

Deprê, quem curte?

Desde sábado esqueceram uma britadeira ligada no meu estômago. =(

Faz três dias que não fumo. =)

Pergunta se alguém tá afim de saber. ¬¬

***

Existe algo mais irônico para um gordo do caralho do que trabalhar no setor de Esportes & Lazer de uma loja?

Existe. Saber que seu peso já ultrapassou o peso máximo suportado pela maioria dos equipamentos de ginástica.

***

Sem falar nas confusões que me envolvo por tentar explicar meu ponto de vista pra Denise. Truta, eles deviam dar cursos para nego se formar homem.

Abs

Era um garoto

“I need a camera to my eye
To my eye, reminding
Which lies I have been hiding
which echoes belong
I’ve counted out days
to see how far
I’ve driven in the dark
with echoes in my heart”

Wilco, Kamera (do disco Yankee Hotel Foxtrot)

Naquela época eu tinha 16 anos e jogava futebol. Era velho demais pra jogar no time dos pequenos, até os 15, e era novo demais para jogar com os grandes, de 17 pra cima. Jogando com os pequenos era sempre vantagem, ser zagueiro e gigante pra minha idade, acentuava isso como você pode imaginar. Com os grandes era nítido, ficava completamente perdido no campo. Ainda que maior e aparentemente da mesma idade deles, não tinha as manhas do jogo. Embora o técnico sempre me encaixasse.

Dez anos mais tarde estou na frente de uma estação de trabalho, ganhando metade do salário que gostaria, criando meu inferno pessoal entre planilhas e e-mails que não respondo, ganhando a vida.

Sou novo demais pra fazer o que gosto de fazer, que é ficar em casa plantado lendo meus livros, lendo o Google Reader e quem sabe admnistrando os estoques de pipoca e suco de laranja da casa. Ao mesmo tempo, quero ver o Leo e passar um final de semana jogando X-box e trocando idéias sobre a vida, como outras vezes, quero dormir na sala do apartamento do Diogo e acordar podre de ressaca. Só o fato de querer ser inconsequente, díspar e até um pouco arrogante, faz com que me sinta velho demais pra isso.

Embora a vida sempre me encaixe.

…E glória no passado

Escrito um dia após a eliminação do Brasil na Copa de 2006.

Nasce uma pátria quieta
Os bares fechados
Televisores desligados
Talvez seja melhor assim.

“Os jogadores não honraram,
O técnico foi uma droga”

E outros comentários
Nos bancos de táxi,
Nas filas tristes dos mercadinhos.

Já não vejo mais
O verde e amarelo das ruas
Começo a enxergar novamente o cinza-realidade
Escondido entre as jogadas milionárias
E em toda festa que se fazia sem pensar.

Hoje São Paulo acordou silenciosa
E na festa não se fez mais brilho
Hoje o Brasil voltou a enxergar
E foi colocado de volta ao 3º Mundo.

Hora ou outra aconteceria
A vitória poderia ser riso
O sexto mundial, a glória eterna
Mas hoje é dia de voltar a reclamar
E lembrar do nosso inútil parlamento.

Dos filhos destes solo és mãe gentil,
Pátria calada, Brasil.

Qual o filme da sua vida?

Ou o que fazer para não enlouquecer num mundo apegado a histórias com finais satisfatórios.

Denise: Às vezes penso em todas as pessoas que vemos bem sucedidas e tento imaginar a rotina delas, se elas passam por problemas como os nossos. Se acordam como se estivessem num filme romântico hollywoodiano ou num romance de banca de jornal em que as pessoas são sempre bonitas, inteligentes, ricas e bem humoradas.
Eu: a falta de verossimilhança dos filmes com o mundo real é que causa sociedades frustradas.
Denise: É nisso que me pego para não me derrotar.

Ontem Rousseau me disse…

No ínicio, o mundo era de todos. Não havia motivo para qualquer cidadão colocar uma cerca em uma área de terra e determinar que aquele espaço lhe pertencia. O homem era dotado de instintos animais primários que não o distinguiam de qualquer outra espécie. Lutava apenas com outros animais pela preservação da vida. Em A Origem da Desigualdade entre os Homens, Jean-Jacques Rousseau dichava destrincha o começo da história da humanidade e como chegamos ao ponto que hoje vivemos.

Em um discurso detalhado, ele questiona o que torna o homem selvagem um verdadeiro primata e o homem civilizado acima dessa posição. O que ele conclui é que o homem civilizado só conseguiu adqurir vícios e males inimagináveis ao homem enquanto simples animal. Isso foi amadurecido através da criação da linguagem que deu origem ao pensamento e, posteriormente, à lógica.

Outro importante ponto que ele me disse foi sobre o trabalho, sobre o sistema de servidão criado pelos primeiros ricos que fez com que os pobres nutrissem sonhos que nunca seriam concretizados e aceitassem a escravidão como algo essencial para sua inserção na sociedade. “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser” (Goethe).

Rousseau é um cara mais gente fina do que eu imaginava.