Antes eu achava que, sei lá, não tinha terminado direito o curso de jornalismo por conta do meu TCC galhofa em 2006, que apelidei como o ano que não existiu. Um dia eu conto melhor os porquês.
Sempre guardei todos meus escritos, meu textos do último ano, com anotações sobre anotações, hierarquias esquisitas, esqueletos de um bom livro que nunca exisitu, um calhamaço que hoje se situa dentro de uma mala de viagem, em casa. Um dia eu tiro uma foto.
Mas aí, passada a paranóia, vi que não era exatamente isso. E lembrei de toda vez que tento uma entrevista com alguém, envio um e-mail agradável perguntando se fulano gostaria de ser entrevistado para o site, o blog, o zine.
Sempre, a repúdia.
Nego não consegue dizer: “porra, velho, até que teu zine é maneiro, mas não sei muito o que dizer numa entrevista, saca? Acho que vai ficar meio piegas e tudo, e tal“. Nego prefere o silêncio.
E se tem uma coisa que eu não sei fazer é responder e-mail cobrando uma resposta decente. Talvez seja esse o princípio moral do jornalismo: Encher o saco até que o entrevistado responda tudo puto da vida. Um dia eu consigo.