A lógica das academias

Eu sou gordo, OK? ‘Obeso’ e ‘mórbido’, talvez sejam as palavras. Com anos de experiência adquirida, sei como lidar quando penso ‘po, agora até que daria pra fazer aquela academia tal’. Encho a cabeça com frases de estímulo e conforto, mesmo sabendo que a sensação acaba depois da primeira semana.

Se torna penoso ter de frequentar o lugar.

Foi então que desenvolvi essa lógica sobre academias. Academias além de lugares quentes, com aparelhos intimidadores e gente respigando suor na sua garrafa de água, são instituições burocráticas que visam lucro.

Tome como comparativo um hospital. Quando você aparece mal por lá, os médicos e enfermeiras querem que você saia feliz, são e recuperado de seu problema. As academias querem que você se matricule no plano anual. As academias querem que você gaste dinheiro que não tem garantindo resultados que você não vai conseguir. As academias querem mensalidades pagas ao final do mês. Nothing.else.matters.

Pode falar. Eu sei quando soa rancoroso da minha parte.

Na última academia que fiz, eu entrava às 22h20 e saía 00h10. Geralmente, o último a sair. E digo que não é agradável fazer abdominais com a recepcionista te olhando com aquela cara de ‘que droga esse gordo acha que vai conseguir, vamos embora, você vai desistir de qualquer jeito’.

Está aí outro ponto: Eles não acreditam em você. Eles perguntam sua disponibilidade, questionam sua alimentação. Burocracia. Eles não dão a mínima.

Nesta última academia que frequentei, eles se davam ao trabalho de ligar quando você faltava duas semanas. ‘Claro, Robson, eles queriam que você voltasse e quem sabe…’ BULLSHIT. Eles me ligavam para que eu não chegasse às vias de fato e desistisse, pois seria ruim para os negócios ter um aluno a menos.

Se eu pudesse, criaria academias com turmas. Como um curso de verão para os fisicamente inapropriados. Assim teriam chance os magricelas, os gordos, os terapêuticos. Os bombadinhos e as garotas que dão bola a eles também teriam sua turma super descolada aprontando altas aventuras. Cada um a seu modo, cada um no seu redondo.

O último trocadilho foi desnecessário, assumo.

[já pensei uma vez sobre a existência de uma sociedade secreta de donos de academias, em que eles decidem o que fazer com alunos, manipulam resultados de testes físicos, balanças e halteres. Não levei a idéia pra frente por motivos óbvios]

Sangue verdadeiro

  1. Robson Assis
    bigblackbastard A seguir, minhas constatações menores sobre True Blood 22 Sep 2010 from Echofon
  2. Robson Assis
    bigblackbastard A protagonista está doentiamente inserida naquele parada dos filmes de terror de correr atrás do perigo e não o contrário 22 Sep 2010 from Echofon
  3. Robson Assis
    bigblackbastard O caipira imbecil estilo ‘Os Gatões’ tenta ser engraçado, mas apenas cumpre com louvor seu papel de panaca limitado 22 Sep 2010 from Echofon
  4. Robson Assis
    bigblackbastard Na época da série, a humanidade vive uma espécie de apartheid de vampiros legal pra teorizar (lookin’ the bright side) 22 Sep 2010 from Echofon
  5. Robson Assis
    bigblackbastard Os vampiros não são bonzinhos e, embora sejam fortes e assassinos, não tem uma palavra forte que as pessoas obedeçam. Pique Dorival 22 Sep 2010 from Echofon
  6. Robson Assis
    bigblackbastard Os personagens são forçadamente caipiras do naipe ‘you know, I like kids…& donuts’ 22 Sep 2010 from Echofon

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Sério, estou assistindo True Blood por recomendação da Denise. É meio que um The O.C caipira e com vampiros, até onde minha limitação em conhecimento de séries pode me levar. Apesar de toda essa descrença nos tweets, posso dizer que cada personagem poderia facilmente ter uma série exclusiva sobre sua história.

Na verdade, minha sensação é a de que o diretor criou a parada com tanto entusiasmo, naquele melhor estilo Precious: Ela vai ser negra, não, não… Ela vai ser negra e ter uma mãe alcoólatra, não, não, espera. Ela vai ser negra, ter uma mãe alcoólatra e cristã, com um demônio no corpo. Ela vai mascar chicletes em todas as cenas e vai ter um primo. Sim, um primo, saca só. O cara vai ser bissexual, negro, fazer trabalhos eróticos pra gente famosa e vai ter um site de pornografia. Isso, isso!

E não inventei nada, tudo isso realmente existe na série.

Recomendo, dá pra perder boas horas com os Lestats amorosos e inadequados desta década. Bram Stoker chora, as meninas regozijam.

Mise en Scène

Daí que meu pai está internado no hospital do servidor público de SP. Mas agora está tudo mais tranquilo. Ele está num quarto, com uma cama, um rádio, jornais e uma TV. Prefiro escrever sobre estes assuntos depois que eles já se acalmaram para não soar tão rancoroso ou revoltado. Mas passou, certo. Perdi um dia de trabalho inesperado que pode custar minha estabilidade mental em outubro.

E talvez agora este blog volte definitivamente às suas atividades habituais.

Talvez.

Procura-se

Procura-se meu espirituosismo. Sumiu semana passada depois de ter ido à padaria comprar cigarros.

O que me faz pensar: Será que as pessoas que dizem ‘vou na padaria comprar cigarros’ e nunca mais voltam realmente passam pela padaria? Não faz sentido cumprir sua mentira, se você quer fugir de qualquer maneira. Seria a padaria uma espécie de limbo moral em que as pessoas decidem se abandonam ou não suas vidas medíocres, seja elas quais forem?

Mas bem, eu falava do meu espirituosismo…

Aconteceu quando a empresa de manutenção veio consertar o ar condicionado que fica sobre minha cabeça. Enquanto um dos fulanos subia a escada, o outro apoiava e, por acaso, bisbilhotava meu bloco de notas enquanto eu escrevia um texto qualquer para este blog.

E eu, que não admito leitores em tempo real, fechei o arquivo sem concluir o raciocínio.

Exatamente como neste texto.

Nota

Perto do dia 15 de cada mês começo a ter sintomas da minha depressão mensal, que a Denise chama carinhosamente de TPM financeira. Os sintomas são a queda abrupta do espirituosismo, acentuada por uma presença online menos frequente e que, no dia 15, chega a níveis tão baixos que os instrumentos mais avançados sequer conseguem detectar.

(outro sintoma é escrever textos com explicações absurdas como esta)

E como o trabalho não para de pulular estou offline e pouco orgulhoso disso.

Volto em breve.

Enquanto isso, no mundo em que vivemos

No começo da semana roubaram o carro do Rodrigo que, em suma, estava de madrugada, no meio do bairro, procurando os óculos que tinham caído atrás do banco. E, apesar de ter pedido ao ladrão para que pelo menos pudesse pegar os óculos, não teve o ‘direito’ concedido.

A polícia encontrou o carro horas depois, sem praticamente nada. Mas os ladrões acabaram fazendo essa gentileza de deixar os óculos intactos, no mesmo lugar onde estavam.

Ladrão com responsabilidade social. A gente vê por aqui.

Dilema de produtividade

Ou Leio meus feeds do Google Reader mais por raiva do que por vontade

Chega a ser meio esquisito, eu assumo.

Estou trabalhando, certo? Sentado na minha mesa, de frente para o ecrã, lendo meus feeds respondendo solicitações urgentes, a coisa toda. Pra isso tenho meu fone de ouvido com redução de ruídos externos.

Então coloco pra tocar uma música boa qualquer. E me transporto. Saio da sala, é como se estivesse trabalhando numa realidade paralela acima do escritório, da cidade, do mundo. Sozinho, tranquilo e distante.

Segundo Bob Black, bem-estar e trabalho são termos que automaticamente saem correndo um do outro. Acho que ele usa a palavra excludentes. Não tenho certeza.

Uma sensação ao menos interessante. Esqueço a mais valia, os processos burros. Começo a ser mais produtivo, mesmo para esses assuntos que não me importam tanto. Me torno uma autoridade em marcar planilhas, responder pendências antigas as quais eu realmente não dou a mínima.

Até que alguém me sacode:

-Ow, Robson, que isso, menino? Tá perdido? Tão te chamando ali no outro setor, hahahah, tá viajando? Que maluco! Aiaisóvcmsm.

Paro o que estou fazendo e, depois de atender o(a) fulano(a) e perceber que a sensação toda se esvaiu, eu leio meus feeds. Todos. Impreterivelmente. E talvez não volte a trabalhar mais durante o dia todo, nunca se sabe. Bob Black está comigo e nada me faltará.

O Mendigo Sofista

Certa vez, caminhava na Paulista com o Barba, provavelmente após algum festival independente na Outs, ou no Espaço Impróprio. Seguíamos em direção ao MASP, pra descer pelas escadarias assombrosas até a Nove de Julho onde tomaríamos o ônibus.

Eis que um sujeito nos interrompe no caminho. Tinha gingado, jeito de falar e vestimentas próprios de um mendigo. Dá pra sacar, certo? Veio com a velha história de que tinha perdido tudo. Num sotaque esquisito, é preciso explicar.

E num monólogo de dar inveja no Joel Santana nos pediu qualquer dinheiro para a passagem, pois tinha sido assaltado e zzzZZ…

Até aí OK, pensamos que o cara realmente fingia saber inglês, quando na verdade ele fingia saber português e, provavelmente estava falando sério quando nos perguntou num inglês perfeito: do you speak english? Man, I’m fucked up, you know? I need someone who talks.

Nos entreolhamos desesperados pois (a) se o cara falava inglês tão bem, talvez não estivesse nos sacaneando e (b) se ainda assim estivesse nos sacaneando, que diabos fazia um cara bilíngue na rua do desespero sem número?

Saquei uma nota de dois reais e respondi que não falava inglês tão bem quanto ele, mas talvez se ele tentasse explicar sua história devagar eu poderia entender.

-Oh, man, thank you! Really. This is embarassing, but I’m loose all my stuff and need this help. Aprecciate it. I’m a english teacher for brazilians, but I don’t know where is the school that hired me and now I’m lost in town.

Tudo compassado, quase melodioso. Era o mendigo provando que eu era um idiota. E eu, ainda no jogo, tentei empatar:

-hmm, OK, man [cara de decepção]. This is all I can do for you right now.

E, quando terminei a frase ele desembestou a falar depressa, como um Nilson César narrando o Superbowl. Se desculpou e continuou. Entendi que ele tinha perdido sua bagagem e seu contato [cara que segura a plaquinha no aeroporto]. Dois reais não iam ajudá-lo em muita coisa, mas pagava um ônibus na época ou ajudava a comprar um cartão telefônico.

Ele agradeceu novamente, tomou um papel do bolso e transcreveu o número e nome da escola em que iria ministrar aulas, caso quiséssemos aparecer por lá.

Foi assim que (a) ganhamos uma aula de inglês gratuita de cinco minutos com um professor fluente e deploravelmente sujo ou (b) descobrimos que os mendigos da paulista estão evoluindo para uma nova classe mais sofista e mind gamer do que nunca.

Graças a Deus é segunda-feira

Cheguei no trampo, estou ouvindo Mahler e gostaria de compartilhar. Period.


Gustav Mahler – Symphony No. 5: Adagietto

Mas só porque, diabos, pratiquei a solidão quase absoluta no final de semana inteiro. Também, precisava.

Acabei lendo dois clássicos da coleção. Vi dois ou três filmes pendentes, sei dizer de imediato a classificação do meu time no campeonato nacional. E sei dizer do seu time também, Léo, a propósito, que virada, hein, man?

Se eu tivesse uma semana inteira como esse fim de semana, na outra segunda-feira meu quarto seria interditado pela Defesa Civil como local utilizado para criação de zumbis.

Eu tenho isso de não me cuidar fisicamente quando estou sozinho. Tento imaginar como seria se não precisasse trabalhar, nem tivesse ninguém na vida. Salinger perde. Por sorte sou este gordo de classe média, menos detestável por escovar os dentes depois das refeições e tomar banho diariamente.

Como diria o NOFX, thank god it’s monday.

Tem um disco…

Ontem passei no mercado e, numa dessas promoções malucas de livros esquecidos (uma vez achei um disco do Cachorro Grande por R$3,00 no Extra, anos antes deles estourarem), encontrei a radiografia do Marcelo D2 de 53,90 por incríveis e módicos 9,90. É uma história contada através da carreira musical do cara.

Pensando no assunto, porque radiografia e não biografia, entendi a proposta de contar a vida de alguém através das músicas que fez, escreveu e, porque não, ouviu. Faz mais sentido saber em que condições estava sua vida quando ele gravou Mantenha o Respeito ou o disco ao vivo, por exemplo, do que simplesmente saber que ele cresceu ouvindo samba, fumando nas ruas de Madureira, essas coisas.

E foi então que pensei como realmente cada época de nossas vidas tem um disco. Um disco que liberta, um disco que desamarra, vocês conseguem entender. Aquele que faz você raspar o cabelo de raiva, aquele que faz você chorar sempre no mesmo exato segundo, logo ali, depois do solo de guitarra.

Não vou entrar nos méritos de quem ouve vinil e cassete ou quem ouve MP3 pelo celular. E nego vem com “ah, mas na gravação original de Hey Jude dava pra ouvir a frase ‘pega o cavaquinho’, cara, sensacional”. Amigo, you doing it wrong. Sério, supere.

Bem, ia falando do meu disco. O meu, desde que me foi apresentado pela tríade esperança do meu antigo trabalho (os três amigos que cumpriam bem o trabalho de salvar o dia) é o Pet Sounds, do Beach Boys.

Foi a unanimidade insubstituível de 2009. Sim, porque esses discos de nossas vidas não serão trocados nunca. Mesmo que daqui a 30 anos eu não me lembre do meu nome, tenho certeza que vou me lembrar do teclado que abre Wouldn’t it be nice.

Inclusive, está tocando na minha mente agora.

Então, uma continha rápida, cinco outros discos que mais ouvi em 2010 porque eu não estou em condições mentais de terminar esse texto de maneira decente:

  • Wilco, Summerteeth (1999)
  • Statik Selektah, 100 Proof: The Hangover (2010)
  • Brendan Benson, My Old, Familiar Friend (2009)
  • Jets to Brazil, Orange Rhyming Dictionary (1998)
  • Rashid, Hora de Acordar (2010)

Forte abs.