em Pessoal

Tem um disco…

Ontem passei no mercado e, numa dessas promoções malucas de livros esquecidos (uma vez achei um disco do Cachorro Grande por R$3,00 no Extra, anos antes deles estourarem), encontrei a radiografia do Marcelo D2 de 53,90 por incríveis e módicos 9,90. É uma história contada através da carreira musical do cara.

Pensando no assunto, porque radiografia e não biografia, entendi a proposta de contar a vida de alguém através das músicas que fez, escreveu e, porque não, ouviu. Faz mais sentido saber em que condições estava sua vida quando ele gravou Mantenha o Respeito ou o disco ao vivo, por exemplo, do que simplesmente saber que ele cresceu ouvindo samba, fumando nas ruas de Madureira, essas coisas.

E foi então que pensei como realmente cada época de nossas vidas tem um disco. Um disco que liberta, um disco que desamarra, vocês conseguem entender. Aquele que faz você raspar o cabelo de raiva, aquele que faz você chorar sempre no mesmo exato segundo, logo ali, depois do solo de guitarra.

Não vou entrar nos méritos de quem ouve vinil e cassete ou quem ouve MP3 pelo celular. E nego vem com “ah, mas na gravação original de Hey Jude dava pra ouvir a frase ‘pega o cavaquinho’, cara, sensacional”. Amigo, you doing it wrong. Sério, supere.

Bem, ia falando do meu disco. O meu, desde que me foi apresentado pela tríade esperança do meu antigo trabalho (os três amigos que cumpriam bem o trabalho de salvar o dia) é o Pet Sounds, do Beach Boys.

Foi a unanimidade insubstituível de 2009. Sim, porque esses discos de nossas vidas não serão trocados nunca. Mesmo que daqui a 30 anos eu não me lembre do meu nome, tenho certeza que vou me lembrar do teclado que abre Wouldn’t it be nice.

Inclusive, está tocando na minha mente agora.

Então, uma continha rápida, cinco outros discos que mais ouvi em 2010 porque eu não estou em condições mentais de terminar esse texto de maneira decente:

  • Wilco, Summerteeth (1999)
  • Statik Selektah, 100 Proof: The Hangover (2010)
  • Brendan Benson, My Old, Familiar Friend (2009)
  • Jets to Brazil, Orange Rhyming Dictionary (1998)
  • Rashid, Hora de Acordar (2010)

Forte abs.

  1. Robson, adorei o texto!! A-D-O-R-E-I mesmo. E tem um parágrafo mágico nele que tem muito a ver comigo e – acredito – com todo mundo que é apaixonado por música.

    “E foi então que pensei como realmente cada época de nossas vidas tem um disco. Um disco que liberta, um disco que desamarra, vocês conseguem entender. Aquele que faz você raspar o cabelo de raiva, aquele que faz você chorar sempre no mesmo exato segundo, logo ali, depois do solo de guitarra.”

    Vc é um maestro com as palavras. By the way, Wouldn’t it be nice é a minha favorita dos Beach Boys.

    Beijão

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