em Pessoal

EU ESTOU ARREPIADO, QUARTAROLLO!

ou…

Não sei exatamente o que faz alguém tornar-se ídolo de uma personalidade qualquer. Também não tento explicar aqui o motivo que leva garotinhas pré-adolescentes e seus respectivos amigos andrógenos a tumultuarem a entrada da MTV pra ver um integrante do Restart passar para uma entrevista, deixando malucos os seguranças e meu único amigo que vive o sonho de qualquer garoto nos anos 90 trabalha lá.

Digo ‘tornar-se ídolo’ apenas sobre o conceito básico de admiração. Eu admiro muita gente, mas sou fã de poucas pessoas. É um degrau acima, acredito. Na minha base de preceitos para se tornar fã de alguém não é preciso ser íntegro, não é preciso ser correto. A maestria pura e simples me basta. Como bem explicou o amigo André Câmara:

  1. Andre Camara
    andremca Pra mim o conceito de arte é muito claro: eu conseguiria fazer igual? Não? Então é arte. 06 May 2010 from Echofon

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Aí entra o Nilson César. Ouço jogos de futebol pela rádio desde pequeno, no carro com meu pai ou em casa, quando a Globo decide passar jogos de outros times, o que é perfeitamente normal. Mas de uns tempos prá cá, não tenho conseguido ver os jogos na TV. Na Globo, o Cléber Machado deixa muitos espaços vazios na narração, quase como se estivesse sem graça de falar; Galvão Bueno salva a equipe (me processem!). Apesar de ter um contador de imbecilidades ditas por segundo, ele pelo menos tenta fazer bem seu trabalho. Na Band, Luciano do Valle e Silvio Luiz dão uma aula de como superar o Alzheimer esquecem e trocam nomes de jogadores à deriva e, se o Neto não corrigir, eles deixam exatamente como está. E qualquer um que seja corrigido pelo Neto não merece nossa atenção, certo?

Nilson César é narrador titular da Rádio Jovem Pan, onde trabalha desde 1982. Essa parte institucional eu encontrei em seu blog. Pra mim, Nilson César é o narrador que aparece na minha mente quando se diz a palavra ‘narrador’. Nilson César faz com que eu queira ser um daqueles tiozinhos que assistem TV com o radinho de pilhas do lado (ou com fones de ouvido. Como é que esses tiozinhos não pensaram nisso antes?).

Procurei uma forma de ouvir suas narrações via internet, mas não encontrei nada e encontrei as narrações dos gols de todas as rodadas e alguns poucos vídeos do youtube. O negócio é que cada jogo narrado por sua voz é uma obra de arte única e infelizmente passageira, pois tem seu fim quando encerrados os 90 minutos. Nunca soube o que responder quando me perguntavam se eu tinha algum ídolo. Aliás, soube: ‘meu pai’, ‘meu avô’, mas esses não valem, são minha história. Da próxima vez, vou bradar sem medo: ‘Sou fã incondicional de Nilson César’.


*pra validar o texto, o áudio acima é de um gol contra meu próprio time e não deixa de ser emocionante.