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Crescer

Estranho demais crescer. Sério, fica a dica para o filho que ainda não tenho, como naquele tumblr. Crescer demanda programação, empenho, determinação. Honrar compromissos, criar dívidas desenecessárias, se desesperar por situações que você jamais imaginou, ser tratado como ‘sr.’ por um cara mais velho do que você, em um banco, por exemplo. Sempre tenho vontade de responder que essa cordialidade não é necessária, mas tenho medo de soar mais repugnante ainda.

Sem contar os casamentos, chás de bebê, festas de despedida, open houses, visitas, dois beijos, três beijos, abraço desconfortável, a falta de conversa, cada coisa. É preciso saber onde se meter, onde rir. É quando você começa a perceber que os padrões, nossas conversas e situações são tão pouco verdadeiras que mais parecem uma ficção tola, que perde pra qualquer novela das oito em termos de tédio. Ou vai me dizer que se você estivesse assistindo sua vida como um seriado de TV acharia ela realmente interessante?

Ainda falando ao meu filho não-nascido, aproveite seus amigos o máixmo que puder, esteja sempre ao lado de quem você ama, não dê muita atenção a gente que só reclama de tudo – com exceção de seu pai, claro. Você poderia encontrar essas dicas nas prateleiras de auto-ajuda que eu espero que você jamais frequente (e espero também, do fundo do meu coração, que você um dia leia aquele livro do Will Ferguson e nunca acredite nesses autores que têm respostas pra tudo).

And you’ll be where you want to be…


Wilco, When you wake up feelings old

  1. E o engraçado é que quando novinhos, todos queremos tanto ser adultos, sem saber ao certo o que nos espera.

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