About a boy

Nesse final de semana terminei o segundo livro do Nick Hornby, ‘Um Grande Garoto’. Livro que, tal como Alta Fidelidade, virou filme retrato-de-uma-geração.

Confesso ter achado meio enfadonho todo aquele clima do sujeito vagabundo que não entendia a vida mesmo depois dos trinta – como se em alguma idade a gente pudesse compreender tudo -, mas o livro começa a embalar pela forma que a história é contada a partir de diversos pontos de vista. Do vagabundo trintão, do garoto que usa uma lógica ortodoxa para lidar com situações corriqueiras, de sua mãe depressivo-maníaca, até do Kurt Cobain em fase terminal.

Ao final de tudo, uma história simples de famílias desestruturadas e um personagem alheio a humanidade (ah, os valores contemporâneos!) se torna uma trajetória emocionante de confiança, respeito e aprendizado, escrita no melhor estilo que o Nick Hornby sabe fazer, ilustrando cenas com músicas, nomes de cantores e jogadores do Arsenal.

Mudanças e idéias pro caderno

Daí que mudar pro WordPress sempre me traz algumas lembranças terríveis dos meus antigos blogs com layout perfeito e sem nada pra dizer.

Acho que a proposta muda, quando comecei este blog era mesmo pra escrever aforismos e guardar posts como recordações de uma época que ainda estou vivendo. O que me livra de surrar a criatividade atrás de títulos carismáticos para os mecanismos de pesquisa, ou de checar o Analytics como um viciado.

Continuo com a idéia de criar aquele portal de blogs de amigos – virtuais, claro, uma vez que 98% dos amigos físicos não tem blogs -, mas sempre me perco pensando na equação abaixo:

Valor da hospedagem + Parcela atrasada do carro + Convites + Criar o Layout = não vai acontecer

Outra idéia que falei pra Chiba dia desses é montar uma empresa de bom senso na internet. Partindo do princípio que alguns empresários, artistas e modelos de negócio do tipo lojinha de bijouterias ou assessoria de imprensa não entendem nada de como utilizar a internet a seu favor, minha idéia é criar algo com um slogan do tipo: você sabe que precisa de presença na internet, mas não faz idéia? Ligue!

A última é simples, um podcast sobre influências com meu amigo Jefferson. Entrevistar grafiteiros, políticos, blogueiros e donas de casa anônimas na mesma vibe, pra saber o que eles estão ouvindo, lendo e assistindo. Discussão cultural amadora, conversas beirando o ridículo e toda a galhofa de sempre. Formato quinzenal, de uma hora. A prioridade número um: não copiar a abertura do nerdcast.

Claro que são idéias para morrerem lindamente ilustradas e estruturadas apenas no meu sketchbook.

Oportunidades

Esses dias recebi de uma amiga de twitter um convite para trabalhar com mídias sociais, agência de publicidade, monitoramento web, esse tipo de coisa que me manteria mais tranquilo e sem planilhas de produtividade.

Mandei meu currículo e conversamos através de DMs, foi quando soube que o salário era, sei lá, 200 reais mais baixo que o meu atual. E eu, (covarde, como diria o Guto) desisti.

Acho que nunca me arrependi tanto quanto às minhas escolhas depois de velho. É de se pensar que eu iria analisar a parada, fazer minhas contas e dar um feedback. E não só agradecer dizendo que não ia rolar.

Sigo aqui, lutando contra doenças mentais que vão aparecer invariavelmente entre uma coluna ou outra do excel.

Devia ter ouvido o Lion:

Resgatem-nos!

Deslumbrante (NOT) o evento que a mídia nacional fez sobre o resgate dos mineradores chilenos na noite de ontem. Eu tentava assistir pela primeira vez o programa A Liga, na Band, que parecia ter uma linha Gonzo interessante, trazia o Rafinha Bastos sem fazer piadas e tratava de sem-tetos em São Paulo.

Terminei de ver o programa, embora tenha sido interrompido sumariamente por uma garota do plantão trazendo imagens ao vivo do salvamento dos novos heróis nacionais no Chile.

Impressiona que eles tenham ficado debaixo da terra por tanto tempo, mas acredito que o conceito de heroísmo tenha perdido completamente o sentido e venha sendo usado sob a guisa irresponsável de chocar o público. Ora, se sobreviver em condições adversas faz de você um herói, a humanidade está num incrível inflação de supermans.

Outro fator decepcionante foi o declínio do provável setor de tecnologia novas mídias que não soube transportar pela TV uma imagem transmitida pela internet. Quem assistiu os plantões da Record News e Band viu a inacreditável cena de um monitor sendo filmado por uma câmera sem tripé que tremia compulsivamente.

Não posso dizer exatamente se as imagens foram feitas pelas emissoras nacionais ou retransmitidas de alguma emissora chilena, mas não restam dúvidas que foi uma ocasião lastimável para o jornalismo de TV.

SWU, quem curte?

Fui no sábado, óbvio, junto com a multidão de guerrilheiros fake ver o Rage Against the Machine.

As aberturas não poderiam ter sido melhores: Infectious Grooves, que só no dia fiquei sabendo que era a banda do vocalista do Suicidal Tendencies; E duas outras que queria ver faz um bom tempo: Omar Rodriguez Lopez e seu, no mínimo, curioso The Mars Volta e o reunion do Los Hermanos que, agora posso concluir, tem os fãs mais declaradamente insuportáveis do universo.

Mas o Rage Against the Machine, mesmo com os cortes de som, as oscilações no volume e a galera desesperada se debatendo inacreditavelmente, mesmo tendo me perdido de todo o pessoal das duas vans (!), acabei no meio de uma galera que curtia tanto o show que não liguei muito para todo o resto. Sorri como um garotinho em Bombtrack e Wake Up, lembrei de todos os meus amigos da escola tentando tocar no violão o baixo de Freedom, entre outras milhares de boas vibrações.

Desde o tocar do alarme que indicava o início do show e a estrela vermelha que dava o tom de rebelião local, eu mal pude acreditar que estava ali. Não foi o show de maior qualidade que já vi na vida por culpa do evento – e, possivelmente, da mesa de som trazida pela banda -, mas sem dúvida o show mais nostálgico, com o melhor set, a banda mais entregue e disposta a fazer os fãs enlouquecerem que já pude presenciar.

Claro que não podia faltar os revolucionários de merda usando qualquer local como banheiro – inclusive as reentrâncias e brechas entre um ou outro banheiro químico -, quebrando grades da área vip, esse tipo de ‘guerrilha’.

O SWU em si foi um pesadelo pra muita gente. Não é difícil encontrar por aí nego falando mal. Também, não é pra menos: filas de trânsito na saída, banheiros emporcalhados já na primeira noite (percebeu que tenho um problema quanto a isso?), mas o fato que achei realmente absurdo foi num ambiente sustentável em que alguns passariam três dias, você não poder entrar com qualquer alimento ou bebida – barraram minha água. Se a idéia do evento foi trazer consciência ecológica ou qualquer coisa desse tipo, a organização deve ter enfiado a cara na terra depois de tantas falhas.

Tá tudo bem agora

É preciso dizer que minha família é sensacional.

Depois de dramatizar tudo o que tinha pra dramatizar em uma bebedeira ilimitada e embaraçosa (vide post anterior) eles entenderam que o grau de arrependimento em que eu estava na segunda-feira já me culpava demais.

Drink problems

Ontem fiz uma daquelas merdas monumentais que a gente se pergunta ‘onde é que eu estava com a cabeça?’. E, claro, decepcionei a Denise, a família dela, meus pais e a torcida jovem do Flamengo, basicamente.

Bebedeira no casamento da Chiba.

Claro, eu perdi o controle com o Black Label a vontade. Me lembro de ter ido pra pista dançar, – você, leitor deste blog, não tem noção do desprendimento moral que isso significa pra mim – depois tenho três flashes. No primeiro estou caído na sarjeta de uma alameda, tentando sair do carro. Na segunda, estou vomitando na minha camisa e, finalmente na terceira, estou no chuveiro da casa do meu cunhado.

Abandonei aquela fase imbecil em que bebemos só pra contar o quanto de bebida aguentamos e como somos inconsequentes etc. Uma bebedeira como essa vai ser inesquecível, mas de um jeito grotesco, como uma desgraça, uma maldição.

Tudo o que eu não queria aconteceu. A Denise me acompanhou, fez de tudo pra me levar pra casa seguro. A única coisa que perguntei a ela foi se eu a tinha envergonhado publicamente. Derrotados, eis seu novo líder.

Errar é uma parte da vida que a gente não decide. E a consciência pesada é meu túmulo de más escolhas. Pedi desculpas óbvias, mas eu não espero que ela aceite.

A aliança ela deixou na minha carteira.

e, provavelmente, nem vou falar sobre o Rage Against no SWU, devido aos fatos.

Ch-ch-ch-ch-changes

Mudei de endereço na expectativa de dar um novo rumo à minha existência.
Eu sei, não vai rolar.

MUDEI

e, você, provavelmente está sendo redirecionado em 3, 2, 1…

Misantropia é a palavra

Certa vez um amigo da roda comentou que conseguiria telefones Nextel mais baratos, se pelo menos quatro de nós comprassem juntos.

O que seria maravilhoso, do ponto de vista dele, era que poderíamos chamar uns aos outros a qualquer momento do dia, onde quer que estivéssemos, com aquele beep tão pouco constrangedor.

Tudo isso por menos de 800 reais, sem mensalidade, até 2012. E com o fim do mundo e tal, não precisaríamos de um novo plano desses nunca mais. OK, a parte apocalíptica foi o que me passou na cabeça.

-A gente ia rir o dia inteiro, ô, ia ser da hora, fala aí – exclamava imperioso
-Mas, mano, eu poderia te ligar qualquer hora do dia que eu quisesse – digo, quebrando o clima

‘Se eu quisesse’ foi a frase final dita nas entrelinhas. Aí nego fica doído, ‘não, beleza, só achei que a gente ia poder conversar mais’ e me dá certa pena até mudarmos de assunto.

Bom senso, dude, bom senso.

Eu ia comentar esse causo no post do blog da Karina, mas acabou ficando grande demais. E não vou forçar a barra no comment box dela, certo?