De tempos em tempos, fico lembrando quando foi que comecei a escrever meus blogs pelo Web Archive, esse site que recupera URLs esquecidas no tempo.
E sempre procuro o link do Caito*, que em 2003 mantinha textos e poesias em sua Casa do Pescador, já era meu poeta preferido, minha grande e contemporânea inspiração, além de um grande amigo.
Daí que lhe perguntei algumas vezes sobre uma poesia que ele havia escrito naquela época, mas ele nunca se lembrou. Falava sobre a procura de um amor. Queria o poema novamente, para guardá-lo e eternizá-lo como uma das maiores obras que li durante a adolescência. Hoje, eu o encontrei. E por mais que não faça o exato sentido de sete anos atrás, ainda me emociona de uma forma simples e grandiosa, que me joga sobre o rosto a importância de jamais se esquecer quem você é realmente.
AnuncioJovem solteiro procura mulher
Cor dos olhos: tanto faz
Importante mesmo é o olhar
Renda mínima: tanto faz
Importante mesmo é lutar
Uma mulher que faça amor
As 7:0 da manhã
E que use roupas íntimas
Com estampa de bichinhos
Que ouça Elis Regina
E ouça Garotos Podres
Que se entorpeça comigo
Que me entorpeça
Que faça minha cabeça
E junte seu suor ao meu
Que perca suas pernas entre as minhas
Que entenda o que meu olhar
Diz nas entrelinhas
Uma mulher que me deite em seu colo
E me faça um cafuné nos cabelos
Olhando no fundo dos meus olhos
E cantarolando
“All you need is love”
Que cuide e deixe cuidar
Que ame e deixe amar
Que transe no elevador!
E que chore em meu ombro
Ao final de uma love story qualquer
Uma mulher que me ouça tocar
Uma melodia boba no violão
E ao som de cada acorde
Me olhe com tanta ternura
Que me sentirei quase um blues man
Uma mulher que beije
Morda
Arranhe
Afague
Que pense
Que brigue
Que implique com alguma amiga minha
Que reconcilie
Que beba uma cerveja comigo
Que leia um livro
Sublinhe uma parte bonita
E venha a mim recitar
Que me conte como foi seu dia
Eu ouviria com toda atenção
Uma mulher que durma abraçada comigo
Como seu eu fosse um ursinho
E só me largue na hora de ir trabalhar
Porque não tem outra opção
Que me de um apelido ridículo
Que eu direi que odeio
Mas irei amar
Procuro alguém para me apelidar
Procuro desesperadamente alguém para amar.Caio Cezar Mayer, no blog Casa do Pescador, 2003
*’Caito’ é Caio Cezar Mayer e hoje escreve suas poesias no Sindicato do Escritores Baratos, ao qual tenho prazer de também deixar algumas poucas contribuições.
Lindo poema! É gostoso encontrar essas coisas que em algum momento de nossas vidas, fizeram um enorme sentido.