em Uncategorized

Natal, serious business

Todo ano é uma penúria escrever algo decente sobre o natal. O passar dos anos traz consigo o fim desse encanto. Embora traga também umas boas histórias e lembranças. Sempre gostei de ir à Paulista ver o Bank Boston (ou Citibank?) onde fazem toda aquela cena com presentes cheios de luzes, renas que cantam e um papai noel robótico um tanto assustador.

Outra parada é a árvore do Ibirapuera e aquele show de luzes (Tron já está em cartaz?). Ontem, quando passei por lá com a Denise, tinha uma carreata de pipoqueiros em fila, indo atrás de seus clientes, correndo despreocupados com seus carrinhos de mão pela curva sinuosa de acesso à Av. Pedro Àlvares Cabral via 23 de maio (SP para Insiders).

Esse ano, tudo o que tenho é essa imagem embaçada da árvore e umas boas recordações. Por exemplo daquele ano que eu tinha uma foto enforcando o Papai Noel de cera do Bradesco da Av. Paulista, ou das tardes que vi a cidade anoitecer sentado na grama do Ibirapuera, esperando as cores e a versão do Inocentes para uma música do 365 que tocava todas as noites.

Saudades desse tempo em que ‘ver a cidade anoitecer sentado na grama do parque’ não representava algo tão difícil assim. Por aqui, o trabalho não vai parar, nada de férias, ou agradecimentos. O espírito de natal nessa empresa em que estou agora significa fazer uma reunião anual e convocar apenas gerentes (com os demais acompanhando um minuto a minuto tosco), ou me pagar 150 reais como participação nos lucros e fazer com que eu acredite que dos 40 bilhões que vai faturar esse ano, 150 mangos é um valor fair enough.

Hoje, o natal significa todas essas lembranças bonitas e só me faz querer dizer para todo o escritório: façam o que quiser, mas saibam que o meu coração não está aqui.