Eventualmente penso sobre obesidade. Ressalto o ‘eventualmente’ no começo do texto porque (a) sou obeso e deveria pensar nisso com maior frequência, (b) porque estou perto de chegar na era dos heart diseases e (c) estou adiando a fase ‘tomar medidas desesperadas’ desde os 19 anos.
E aí, navegando nesse infinito oceano de leituras diárias, caio em algum blog de moda falando sobre modelos plus size, que reúne no pacote post + comentários basicamente as mesmas três vertentes:
1. Você não pode ser feliz, ainda que se aceite como gordo, como bem diz o guest post de ontem da Yohana, no Escreva Lola Escreva.
2. Pessoas obesas e modelos Plus Size são culpadas por afetar sua saúde, estão completamente erradas em se exaltar como gordos e não podem ter direito a tratamento especial, principalmente, repito, PRINCIPALMENTE no campo da moda.
3. Preconceito contra gordos, pff, isso é coisa criada pela baixa auto-estima que eles mesmos se impõem.
E então leio o comentário de um sujeito da minha altura e com metade do meu peso (outro tema importante: em qualquer post sobre obesidade, as pessoas dizem suas medidas como se pedissem uma análise pessoal ao autor). Se as pessoas se consideram gordas com metade do meu peso, em que setor eu poderia me considerar? Das anomalias? Dos monstros gigantes vilões do bem estar?
Óbvio que eu sei, amigo, extrapolei todas as estimativas que minha mãe e meu antigo endocrinologista faziam quando tinha 14 anos, mas ora, não entendo como um sujeito desse possa se considerar gordo.
Se todos são heróis, ninguém mais é herói. Aplica-se também neste mundico. Não existia essa febre até que as lojas de departamento começaram a colocar roupas para adolescente nas seções de adulto. Foi assim que todo um mundo de pessoas com alguma pequena porcentagem de gordura corporal sobrando ganhou a síndrome de pequeno gordo. Com todo mundo se achando gordo, os realmente gordos ficam relegados a esse status de escrotos da humanidade.
Não serei aqui moralista pra dizer que sofro preconceito, porque isso sim é bullshit das grandes. Nada do que um gordo sofre define preconceito. Nego não me olha na rua e faz associações ridículas do tipo ‘esse gordo deve ser muito burro’, para dar um exemplo banal (embora na praça de alimentação sempre role aquele climão ‘olha lá o gordo na fila, depois não sabe porque’).
Get over it. O mundo está apenas não adaptado às pessoas que estão fora da média. E nós sabemos disso, pois frequentamos lojas de roupas especiais e preferimos comer no Drive Thru para não ter de encarar olhares e risinhos de sempre (sempre, isso é sério). Portanto, se você acha que é gordo, faça três perguntas a si mesmo: (a) Consigo eu dividir um banco de ônibus tranquilamente com esse indivíduo do meu lado? (b) consigo eu entrar no banco de trás de qualquer carro de duas portas sem problemas? e (c) consigo eu sair da C&A com alguma peça de roupa que me caiba? Em caso afirmativo a pelo menos duas dessas perguntas, reveja seus conceitos e nos deixe em paz.
Concordo cara! Mas diz aí: vamos tomar aquela cerveja? Aí a gente pede um torresmos, uma calabrezas e um provolone à milaneza. Se for à noite pode rolar umas pizzas. Belê? Mande DM. Braços!
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Minha preocupação é saber o quanto isso te incomoda, o quanto isso te impede de ser feliz. Ao mesmo tempo que meus 115kg me incomodam, dou graças a Deus por não fazer parte do grupo dos “medíocres”, no sentido literal da palavra, pessoas medianas, sem brilho. Fazemos parte de uma geração que cuida do corpo e esquece da mente, da alma. Somos sim fora dos padrões de estética. Mas acima de tudo, somos fora dos padrões de inteligência, caráter e humanidade. Ou você conhece alguém tão inteligente, bom caráter e humano quanto você? Eu não. Mais uma vez…Um dia a gente estoura no mundão…E ai a gente dá o que esses fuckers querem. Vamos tirar uma onda em algum SPA..
PS: Ontem eu tava de Polo vinho..O denis disse que eu parecia um garrafão de 5l de Sangue de Boi…Pode isso Arnaldo? “We’ll ride together, we´ll die together..Bad boys for life”
Aí, Toninho, deixa eu me aprochegar melhor no trampo em SP que marcamos essa breja aí! Com direito a porção de provolone a milanesa e tudo mais.
Leo, o pior é isso, mano, se não existisse tanto nego medíocre por aí, a parada não me incomodaria nem metade do que incomoda. Talvez fosse até mais fácil pensar a respeito, tá ligado?
Valeu, mans!