O Doom da Vida

Acabei de voltar do banheiro com isso na cabeça, tive o insight quando coloquei a chave no trinco. Nossa vida é uma versão dramática e boring daquele jogo que era febre no final dos anos 90, o Doom. Portanto, não, eu não errei o título deste post, é só um outro distúrbio que tenho de criar trocadilhos para títulos, como diz a bio na barra lateral.

O que é a vida, senão um Doom sem armas? A sentença não vale para traficantes cariocas, deixemos isso claro. Na verdade, a vida é uma versão de The Sims inspirada na visão em primeira pessoa de Doom. Porque viver é ter uma ficha pra jogar, certo?

E eu lembro do João, que hoje não tem mais blog, infelizmente, me mostrando um artigo na Superinteressante que dizia existir 43% de chances da nossa realidade ser virtual. E lembro de How I met your mother dizendo que todas as estatísticas que terminam com ‘3’ (tipo 43%) são falsas para impressionar mulheres. E eu lembro daquele What is Reality da BBC que eu ainda não tive coragem de assistir inteiro. É claro que é tudo parte da mesma conspiração, não poderia ser mais óbvio.

Um clássico pensamento inútil de quem não tem mais o que fazer a não ser dar contribuições para o layout novo do blog do Leo, que ainda não estreou com post novo, mas já está pronto.

Não é preciso dizer que esse texto não faz o menor sentido e vou terminar por aqui antes que eu tome a sábia decisão de deletar tudo.

Filmes e mais filmes #cinemaday

Eu tentei ver ‘Alice no País das Maravilhas’, sozinho em casa, sem sucesso. Impossível ver filmes dublados quando você lembra a voz do ator. Depois tentei ‘Os delírios de Consumo de Becky Bloom’ com a Denise, por afeto, como podem imaginar. Quando eu achei que não conseguiria ver mais nenhum filme no final de semana, emendo esses três:

Tropa de Elite 2
Quase uma década de atraso sobre o filme porque não trabalhamos com hypes e prazos, OK? Filmes sobre os problemas de segurança pública do Rio de Janeiro além de se tornarem rotina para documentaristas sem muito o que fazer sempre enchem nosso vocabulário informal de termos e novas gírias como “o cara acha que é o pica das galáxias” e “quer me foder, me beija”, sem contar a inclusão inconsciente de ‘parceiro’ ao final de cada simples sentença. Como todos disseram, o segundo filme é menos sangue e mais raciocínio, menos neguinho correndo e mais político almoçando. De certa forma, essa receita conseguiu sair do lugar comum dos filmes sobre o RJ, na tentativa de explicar o labirinto que é o sistema, porque como diz a frase principal de Nascimento no filme, ‘o policial não puxa esse gatilho sozinho’. O filme quer apontar que o cerne da questão é tão profundo que quase chega a ser mítico. Filmaço, o primeiro (e talvez único) bom filme de ação nacional que conheci. Também pudera, ‘o sistema é foda, parceiro’.

Predador, Predator
Assisti ao lado da Denise que infelizmente lembra das cenas de quase 20 anos atrás como se tivesse visto o filme no cinema na semana passada. Que memória, amigos. Uma pena só ter servido pra contar antes e estragar parte das emoções com o Schwarzenegger e o Apollo (Rocky), carinhosamente apelidado por mim de SchwarzeNIGGER tendo em vista os bíceps dos malandros são duas versões da mesma parada. Também pensava que ver esses filmes novamente depois de tanto tempo feria uma regra importante da vida, a de que você deve eternizá-los no passado. Nada disso. É bom lembrar dessa época que os filmes não tinham relação direta com política e que o cara podia invadir pequenos vilarejos e matar todas as pessoas sem ser incomodado por questões de direitos humanos. Na época que os filmes de ficção não tentavam contar a história da humanidade através de parabólas, sabe? O Predador marca essa era.

Cisne Negro, Black Swan
Belíssimo filme, daqueles que misturam um mundo de uma mente perturbada com o mundo real (é exatamente isso que faz de ‘Clube da Luta’ e ‘Uma mente brilhante’ meus filmes preferidos). Natalie Portman é uma dançarina de ballet dedicada e insegura que, depois de ser escolhida para o papel principal em ‘O Lago dos Cisnes’ acaba carregando mais problemas do que pode suportar e termina com sérios danos psicológicos. O filme é sobre a busca do lado negro por uma menina boazinha e quase estúpida. Uma descoberta difícil e quase inalcançável, tendo em vista a rejeição da garota a novas experiências. Vale ressaltar, é possível ver o filme sem saber que diabos é ‘O Lago dos Cisnes’ e sem ter nenhuma referência sobre ballet. Achei menos piegas do que bradaram os críticos, mas quem confia neles? A inconstância e a fragilidade da protagonista fazem de Cisne Negro um excelente filme, sem dúvida, mais que uma simples história de superação, uma história sobre até onde os limites ultrapassados podem levar uma pessoa.