Mens sana in corpore sano

“Quando você vai cuidar do corpo você pendura o cérebro no vestiário. Esse problema se tornou ainda mais sério nas academias quando as máquinas de movimento guiado explodiram. E movimento guiado não precisa ser pensado. Isso é algo muito sério.”

[…]

“Minha história é a de alguém que foi obrigada a não acreditar em limite para sobreviver. Os limites que contaram para mim que existiam.”

Marília Coutinho, irmã do cartunista Laerte, bióloga ph.D e uma das maiores halterofilistas do Brasil, conta em entrevista à revista Trip como, através da dedicação ao esporte, se livrou de um distúrbio mental destrutivo que a acompanhou por quase toda sua vida.

Late adopter

Essa semana chegou o Samsung Galaxy Tab da Gi Gomes e eu estava tão ansioso quanto ela, que levou no trabalho pra que eu pudesse ver em funcionamento. Ele é pequeno, tem sete polegadas, mas é um tamanho ideal para ler, usar a internet, atualizar redes sociais, assistir vídeos e levar no ônibus. É do tamanho de uns 3 celulares Blackberry, achei suficiente.

O problema é que ele também custa como uns 3 celulares Blackberry. 2 mil reais fora a conta do chip 3G, que se torna uma mensalidade além do aparelho, mas dessa não se tem como fugir, a não ser que você tenha um amigo que compartilhe a rede wi-fi e esteja disposto a tomar uma multa da Anatel.

Daí que o malandro que entrou essa semana trouxe seu iPad logo no segundo dia. A parada é linda, bem acabada, os jogos são sensacionais, a usabilidade, a velocidade na leitura dos ebooks e pdfs, mas, tudo tem um mas, acabei achando as quase 10 polegadas um trambolhão desnecessário se comparado ao Galaxy.

A vantagem é que o cara pediu para um amigo trazer de fora e acabou pagando sem impostos uns módicos 750 reais além do trabalho atrás de tutoriais para desbloquear o aparelho.

Minha resolução final sobre esses gadgets é que eles são ideais para mobilidade, para quem anda de trem, para quem precisa escrever dentro do taxi ou do ônibus, pra quem precisa uma forma boa para apresentar um portfolio (no caso da Gi), ou apenas abandonar seu PSP (no caso do cara novo), mas ainda consigo viver alguns anos sem eles.

Como nunca tive um MP3 player, só comprei meu primeiro celular com internet no ano passado e tive meu primeiro pendrive só esse ano, claro que não sou parâmetro.

Até breve, Tia Paula

Minha tia Paula daquele post do mês passado partiu ontem, na parte da tarde. Deixou apenas um quase-marido aproveitador, dezenas de afilhados e uma família em polvorosa na noite do velório, que no Axixá-MA, cidade natal dela e de minha mãe, ainda acontece em casa. Como ela tinha uma brutal mania de limpeza, para distrair do climão funebre numa visão mais otimista e atabalhoada dos fatos imaginei que, seja lá onde estiver, ela deve estar atacada de raiva com aquele monte de moleques jogando catota de nariz no chão e entrando com o pé sujo de lama nos quartos.

Lamentações a parte, são nesses momentos que você repensa toda a sua relação com a família. É só quando eles morrem (tentei evitar, mas taí a palavra) que você começa a se culpar por todas as vezes que decidiu não fazer aquela visita nas férias ou aquela ligação de aniversário. E isso acaba se tornando autoflagelação quando você descobre que nunca mais terá essa chance.

É triste, eu mesmo me peguei com lágrimas nos olhos duas vezes na frente do PC ontem, depois de saber. As coisas que ela ensinou como comer carne seca passada do ponto, ler Castro Alves e não me sentir estranho por querer estar em casa sozinho, essas só serão enterradas junto comigo.

Sempre nos dizem frases como essa da imagem que abre o post, embora tudo ganhe um sentido mais bonito e abrangente quando você considera que o ato de fazer algo notável não implica se tornar mundialmente conhecido por ter inventado a roda, mas sim tornar-se imortal através de lembranças pequenas que você marca em cada pessoa que conhece.

Dentro do meu relicário da vida, minha tia Paula jamais deixará de existir.

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A imagem é do I can read, que sempre tem um quote bonito para seja lá o que você estiver pensando em escrever.

Seu Valetim

E, de um minuto pro outro, meu pai fica destroçado por estar longe de minha mãe enquanto ela acompanha minha tia no Maranhão, meu irmão enche o saco dele até não poder mais, e eu não posso ver a Denise, pois tenho que voltar pra casa cedo e remediar essa situação escrota, o que tem causado um desconforto extra no relacionamento nas últimas semanas. Eu pago o tempo perdido, prometo, só não sei quando vai ser.

Tudo isso, no Valentine’s Day, em que eu adoraria estar perto dela. =(

{mesmo sem fazer a menor idéia do que se trata essa data}

Ilha Bela em família

foto de celular, a única que consegui salvar.

Minha primeira visita ao litoral norte de São Paulo estava atrasada quase 27 anos e me lembrou muito o fato de eu só ter conhecido Los Hermanos depois que eles estouraram com Anna Julia, largaram a gravadora major, foram cultuados pelos hipsters e se tornaram off topic nas conversas de bar. Todos já conheciam o enredo da história, portanto, na segunda-feira, nada que eu contasse soaria incrível e tudo o que preciso evitar é gente cagando regra a respeito de algo que eu tenha gostado tanto.

Assunto é litoral norte, né? Voltemos, antes que isso aqui descarrilhe.

Chegamos por volta de 9 e meia da manhã na fila da balsa* sentido Ilha Bela. Depois de quase não aguentar mais esperar, passamos para a bela ilha e paramos num quiosque que ficava… uma praia após a praia do Julião**.

Lugar incrível, calmo, crianças reservadas (mesmo os mais pentelhos como o Pedrinho, meu sobrinho), cardápio inebriante, cerveja gelada, um cruzeiro da MSC passando no fundo, 1979 DO SMASHING PUMPKINS NO SOM AMBIENTE! Cara, o lugar me ganhou nos primeiros 10 minutos.

Acho que o universo girou para esperar que eu fosse até lá com a família da Denise, para que além de tudo isso, eu pudesse começar a me sentir parte integrante da obra, saca?

Ainda tem alguns lances confusos nisso de misturar as famílias, mas algo aconteceu quando eu me percebi naquela mesa de quiosque com meu cunhado sem diálogos recatados, ouvindo as histórias do meu sogro — tão legais quanto as do meu pai — limpando os pés sujos de areia do Pedrinho. Para deixar mais claro, foi esse ‘algo’ que me fez escrever ‘meu sobrinho’ quando falei do Pedrinho pela primeira vez nesse texto.

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*O termo Fila da Balsa virou uma piada imediata por parecer um xingamento ‘foi esse filha da balsa desse garçom aí’ etc. Não temos classe, amigo, supere.

**Deixei o nome da praia aqui no segundo asterisco pois não gostaria de estragar toda essa linda história de belezas tropicais revelando que o lugar se chamava PRAIA GRANDE. Sim, uma praia chamada Praia Grande no meio das belezas inestimáveis do litoral norte. Mas, como dá pra notar, não deu nem pra lembrar da muvuca, falta de água, gente feia e Sidra Cereser que só a versão sul litorânea desta praia pode oferecer.

Meteoro da Paixão

Toledo fica noivo de Vivian após sete longos anos de namoro. Após poucas semanas, Toledo termina com Vivian, pois estava apaixonado por Shirley, sua amante, que tem um filho. Toledo e Shirley começam uma história juntos, mas namoram escondido, pois os pais de Toledo não aceitam Shirley. Toledo pensa seriamente em desistir da família e ir morar com Shirley e o filho.

Ainda neste namoro escondido com Shirley, Toledo volta a sair com Vivian, sua ex-noiva, em uma relação de mais que amigos, deixemos assim. Shirley, sem saber de suas escapadas, pede um tempo para Toledo, pois quer que ele vá morar com ela, embora Toledo ainda tenha receio por causa da família.

Uma semana depois do ‘tempo’, Toledo liga para Shirley perguntando se ela quer voltar. Shirley termina com Toledo, dizendo que já está em outra. Toledo volta a ligar. O porteiro do prédio atende e grita, quase como forma de marcar território, que Shirley agora é sua nova namorada.

Toledo liga para Vivian.

***

Ou seja: Traiu a noiva com a amante para, na sequência, trair a ex-amante, atual atual, com a ex-noiva, enquanto ela o traía com o porteiro. Sinceramente, acho que eles só fizeram isso para que ninguém conseguisse contar essa história direto. Televisa ligou pedindo copyright pela obra.

[True story via MSN. Com os nomes alterados, aquela patifaria de sempre]

Insights de banheiro e o Facepoop



Ou ‘Você não consegue um milhão de amigos sem escrever umas frases enquanto caga’.

Comecei a prestar atenção ao que essa galeré descolada escreve na parede dos banheiros.

Além das ofensas clássicas e dos excertos de auto ajuda (alguns eu desconfio que são escritos numa espécie de freestyle com trechos bíblicos e frases soltas do Gasparetto), o público deste tipo de serviço adotou também rabiscos com desenhos de mulheres nuas e órgãos genitais masculinos em seus posts. Clara eficiência de conteúdo despojado e indiscriminado.

Apelidei de Facepoop porque não vejo outra maneira de levar essa piada tão longe.

É a maior e mais barata rede social do universo, cujo único gadget para ter acesso é uma caneta bic ou uma hidrográfica (para contas premium). No Facepoop você pode deixar mensagens, textos, desenhos ou até zines (a Juliana Cunha tinha um).

Fontes diretas de confiança confirmam que o Google está interessado em patrocinar as portas com ad sense. Através deste programa, aquele pessoal do “Adoro homens, entre em contato 9999-9999” e “Moreno gato 23cm procura casal 9999-9998” já começou a fazer previsões sobre os preços da tarifa a ser cobrada neste tipo de publicidade até então gratuita.

Certamente mais um case a ser estudado pelos analistas de Social Media.

Deleted Quotes: ‘O senhor é meu pastor e nada me faltará’ é a máxima da falta de papel higiênico.

Who Watch the Weight Watchers?

Eventualmente penso sobre obesidade. Ressalto o ‘eventualmente’ no começo do texto porque (a) sou obeso e deveria pensar nisso com maior frequência, (b) porque estou perto de chegar na era dos heart diseases e (c) estou adiando a fase ‘tomar medidas desesperadas’ desde os 19 anos.

E aí, navegando nesse infinito oceano de leituras diárias, caio em algum blog de moda falando sobre modelos plus size, que reúne no pacote post + comentários basicamente as mesmas três vertentes:

1. Você não pode ser feliz, ainda que se aceite como gordo, como bem diz o guest post de ontem da Yohana, no Escreva Lola Escreva.


2. Pessoas obesas e modelos Plus Size são culpadas por afetar sua saúde, estão completamente erradas em se exaltar como gordos e não podem ter direito a tratamento especial, principalmente, repito, PRINCIPALMENTE no campo da moda.


3. Preconceito contra gordos, pff, isso é coisa criada pela baixa auto-estima que eles mesmos se impõem.

E então leio o comentário de um sujeito da minha altura e com metade do meu peso (outro tema importante: em qualquer post sobre obesidade, as pessoas dizem suas medidas como se pedissem uma análise pessoal ao autor). Se as pessoas se consideram gordas com metade do meu peso, em que setor eu poderia me considerar? Das anomalias? Dos monstros gigantes vilões do bem estar?

Óbvio que eu sei, amigo, extrapolei todas as estimativas que minha mãe e meu antigo endocrinologista faziam quando tinha 14 anos, mas ora, não entendo como um sujeito desse possa se considerar gordo.

Se todos são heróis, ninguém mais é herói. Aplica-se também neste mundico. Não existia essa febre até que as lojas de departamento começaram a colocar roupas para adolescente nas seções de adulto. Foi assim que todo um mundo de pessoas com alguma pequena porcentagem de gordura corporal sobrando ganhou a síndrome de pequeno gordo. Com todo mundo se achando gordo, os realmente gordos ficam relegados a esse status de escrotos da humanidade.

Não serei aqui moralista pra dizer que sofro preconceito, porque isso sim é bullshit das grandes. Nada do que um gordo sofre define preconceito. Nego não me olha na rua e faz associações ridículas do tipo ‘esse gordo deve ser muito burro’, para dar um exemplo banal (embora na praça de alimentação sempre role aquele climão ‘olha lá o gordo na fila, depois não sabe porque’).

Get over it. O mundo está apenas não adaptado às pessoas que estão fora da média. E nós sabemos disso, pois frequentamos lojas de roupas especiais e preferimos comer no Drive Thru para não ter de encarar olhares e risinhos de sempre (sempre, isso é sério). Portanto, se você acha que é gordo, faça três perguntas a si mesmo: (a) Consigo eu dividir um banco de ônibus tranquilamente com esse indivíduo do meu lado? (b) consigo eu entrar no banco de trás de qualquer carro de duas portas sem problemas? e (c) consigo eu sair da C&A com alguma peça de roupa que me caiba? Em caso afirmativo a pelo menos duas dessas perguntas, reveja seus conceitos e nos deixe em paz.

Muito incentivador?

Sem novidades sobre a mudança ainda, mas o que posso dizer é que as gavetas estão limpas, o porta trecos está esvaziado estilo geladeira (quando você come um pouco de tudo pra ninguém reparar) e a gaveta também, com exceção dos carregadores de celular, pasta/escova de dentes e o indispensável fone de ouvido in-ear da Sony que comprei numa promoção de minuto, de 68 por 20 mangos, falei sobre isso? Bem, agora falei.

Para o próximo malandro a ocupar esta sagrada mesa de webwritting pensei também em deixar como herança auxiliar um capítulo de O Suicídio, de Émile Durkheim, que mantenho guardado e leio de vez em nunca no horário de almoço.

Minha intução diz que talvez seja melhor levar pra casa.

Final de blockbuster



Uma mesa de dinner, um casal, conversando sobre tudo o que passaram para chegar até ali, todas as agruras da saga, algumas piadas que só fazem graça muito tempo depois. A câmera se afasta, a conversa diminui, a tela começa a escurecer, casting…

Você levanta da cadeira com o saco de pipoca já amassado em direção ao cesto de lixo superlotado na saída do cinema e, ao rememorar o filme, lembra daquele amigo mais pessimista que tem uma idéia mal formada sobre sucesso e felicidade (que ele aprendeu em ‘Pessimismo for Dummies’, livro padrão para a raça). Ele diz que prefere juntar 50 reais por mês pois, quando estiver com uns 65 anos, vai poder dar uma boa entrada naquela moto importada lindona, sonho da sua vida.

Note, ‘aos 65 anos’.

Daí você começa a pensar em como nego não quer ter uma história com final feliz todo dia, ainda que seja apenas um final cheio de esperança, sorriso, abraço, ou uma noite com seus amigos e um XBox, que leve a um entendimento maior do esquema tático do Barcelona no Fifa 11. Porque qualquer outro entendimento sobre a condição humana deve passar antes pelo crivo do esquema tático do Barça no supracitado jogo.

Não que realmente exista um final de 500 Days of Summer todo dia. Alguns dias podem jogar com aquela vibe Flores Partidas do Bill Murray, o filme mais angustiante de toda minha vida, outros podem ter finais cult, ou até finais B, matando uma barata, ou espremendo um cravo em frente ao espelho. Claro, estou, as usual, saindo do assunto.

Meu amigo pessimista não quer finais menores. Mesmo que isso custe sentar na sua mesa de dinner daqui há 30, 35 anos. Enquanto isso, vive misérias, desconta frustrações, cria intrigas e faz parte da estatística de filhos da puta responsáveis pela Manoelcarlização da vida.