It’s a trap!

Indicado no blog do Daniel Piza, do Estadão (e que, a propósito, ingressou no Twitter hoje mesmo), este artigo The Twitter Trap, de Bill Keller, editor executivo no NY Times, é cheio de boas aspas sobre as mesas redondas de nossa época, as mídias sociais:

“Last week my wife and I told our 13-year-old daughter she could join Facebook. Within a few hours she had accumulated 171 friends, and I felt a little as if I had passed my child a pipe of crystal meth”

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“But before we succumb to digital idolatry, we should consider that innovation often comes at a price. And sometimes I wonder if the price is a piece of ourselves”

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“Basically, we are outsourcing our brains to the cloud. The upside is that this frees a lot of gray matter for important pursuits like FarmVille and “Real Housewives.” But my inner worrywart wonders whether the new technologies overtaking us may be eroding characteristics that are essentially human: our ability to reflect, our pursuit of meaning, genuine empathy, a sense of community connected by something deeper than snark or political affinity.”

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“Twitter is not just an ambient presence. It demands attention and response. It is the enemy of contemplation. Every time my TweetDeck shoots a new tweet to my desktop, I experience a little dopamine spritz that takes me away from . . . from . . . wait, what was I saying?”

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“Whether or not Twitter makes you stupid, it certainly makes some smart people sound stupid.”

Tags for life

É hora de admitir.

Quando trabalhei na Berrini, lá se vão seis anos, conheci uma menina. Digamos que seu nome seja Sofia Amundsen, só porque ontem lembrei do livro. Para toda conversa ela tinha uma boa referência, bons livros, boas aspas, boas indicações de bibliotecas em Denver, literatura de cordel de épocas específicas e restaurantes japoneses no Tremembé. Gostava de U2 embora admitisse o blasé revolucionário, era uma pessoa boa de conversar, um suprassumo de correntes pop e disks entrega de pizza no Brooklyn para depois do expediente.

Todas as vezes que encontro alguém com seu estilo lembro de Sofia e classifico a pessoa, literalmente, em um grupo mental em que estão todos os semelhantes.

Isso é uma atitude bem errada em vários pontos se você prestar atenção porque (a) é dizer às pessoas quem elas são por meio de uma tag, sem dar a elas o direito de ser uma tag; (b) É dizer à Sofia que de tão clichê, seu way of life foi transformado num marcador de blog, ao menos pra mim; mas acima de tudo (c) isso de levar mecanismos de blog para a vida real já deve me garantir mais anos daquela terapia que nunca comecei.

Deus e um rosário

Há pelo menos 10 anos, eu costumava andar com um rosário enrolado no punho direito. Sim, um rosário, esse pokemon evoluído do terço. Eu fui colaborador da igreja católica depois de um encontro de jovens, aos 17 anos. Então, digamos, quando você estava indo pra faculdade ouvindo AC/DC no CD Player, eu era o cara do seu lado quieto, de cabeça baixa e trocando as contas de bolinhas a cada oração. Eu tocava guitarra na missa, violão no grupo de jovens, pedia comida nas comunidades, me reunia para organizar as paradas e fazer um monte de gente maluca pensar algo além das festas juninas do bairro.

Era isso que representava pra mim, fazer alguém poder pensar, mais do que isso, era poder me ocupar em algo além de tocar violão e beber vinho no mercado. Ainda que você me diga que pensar em religião é um pensar menor, oblíquo e quase alienável, é um pensar. E isso, para muita gente vale mais do que qualquer faculdade. Sabe aquele pequeno trecho de um livro que mudou sua vida, aquela palavra que te deixou desconfortável na cadeira, aquela banda, aquele filme, aquele grupo, aquela época que foram essenciais e sem as quais você não teria livrado seu pensamento do Domingo Legal, Parangolé e Band FM? Algumas pessoas nunca tiveram seu ponto de mudança para um pensamento mais livre e desapegado do imaginário popular. E a religião pode funcionar como esse ponto.

Mas isso é bobagem. O negócio é que eu andava com as porcarias das bolinhas enroladas no punho. E as tiazinhas do ônibus adoravam puxar conversa enquanto eu trocava bolinhas, mesmo sabendo que eu teria de parar de me voltar ao CRIADOR DO UNIVERSO, para dar atenção a uma FREE TALKER COM SENSO DE OPORTUNIDADE. Eu era bem mais amargo que hoje, a propósito.

Hoje lia em frente à lareira saboreando um cabernet Sauvignon no trem, rodeado de gente feia, “Espere a Primavera, Bandini”, primeiro livro de John Fante. Um dos capítulos começa falando de Arturo, um dos meninos da história, que tinha certeza de que não ia para o inferno:

“A maneira de ir para o inferno era cometer um pecado mortal. Ele havia cometido muitos, acreditava, mas o confessionário o salvara. A confissão sempre chegava a tempo… isso é, antes de morrer. E batia na madeira sempre que pensava naquilo – sempre chegaria a tempo… antes de morrer. Por isso Arturo estava bastante seguro de que não ia para o inferno quando morresse. Por duas razões. O confessionário e a de que era um corredor veloz.”

Sou desses malandros que acreditam em Deus, mas ficam sem jeito de dizer que não são religiosos, como a definição pede. Existe um quase martírio ao admitir sua crença, mas também uma culpa mortal de negá-la e ser esquecido. Permanecer sozinho na imortalidade, como dizia a introdução de outro livro do qual já não me lembro.

Poderia omitir isso tudo, mas meu maior medo é o de que não exista nada. E estarmos levando toda essa vida desgraçada para inexistirmos, para termos existido um dia. E começo a me torturar pensando em quantas pessoas vão se lembrar de mim na virada do outro século (tá, tio, se o mundo não acabar em outubro). Olho para as pessoas ao meu redor no trem, apressadas e desgostosas, não parecem estar se importando tanto com isso. Mesmo com a falta de brilho no olhar, eles continuam tementes, inertes, caladas e distantes.

E então cheguei em casa e olhei para o rosário, pendurado na parede do quarto. E dei um nó cego em todo esse pensamento, pedindo a Deus que me garanta um pouco mais dessa ingenuidade bonita e menos dolorosa das pessoas do trem e de Arturo Bandini.

Onde vivem os monstros


Worried Shoes, Karen O & the Kids

A vida é esse grande supermercado de lembranças. A gente caminha pelas ruas e encontra num dos corredores aquele amigo com quem batia figurinhas na escola, aquela menina que te ensinou significados novos para a palavra “platônico”, embora não faça a menor puta idéia disso. Gente que fez diferença para que você construísse isso que você é.

Infelizmente, “isso que você é” não é algo que seja feito apenas de grandes gênios, bons corações e existências iluminadas. Acabamos invariavelmente encontrando também aquele setor abandonado de frutos do mar, uma bancada que cheira azedo e só pode oferecer pedaços de escamas perdidos entre o gelo, alguém de quem tentava se esquecer, alguém que traz seus pesadelos mais escondidos à tona, alguém que talvez não se importe muito com tudo isso e talvez nem saiba de que forma sua presença pode causar terror.

A gente sempre sabe. E passa batido, em frente, a mente tentando abominar a imagem, como a de um fantasma, um monstro que escapulira do armário de onde nunca deveria ter saído. Mas a lembrança continua com você, pra sempre. É ela que você carrega no carrinho, embaixo de todo aquele amontoado de potes de geléia e sacos de arroz de cinco quilos.

Não adianta esconder seus monstros, nunca adianta, eles sempre voltam. A única receita a tudo isso pode ser a mais fácil que é saber conviver com eles, que retornam em momentos inoportunos, como um nariz que sangra, para você lembrar quem foi um dia. Vão te dar aquele olhar de que sabem mais sobre você do que você mesmo. E voltam para aquela ilha escondida em um lugar qualquer que nossa alma cria.

Todo um pacote de ironias da vida

E hoje que voltei ao trabalho, mudei para uma mesa nova de uma outra pessoa e, nesse ínterim, discuto com a Denise nossas visões diferenciadas sobre casamento, nada demais, é normal acontecer uma vez que ela é a célula promissora do casal e eu o jerk que enxerga as coisas com bases na realidade etc.

Não vou expor toda minha opinião sobre casamentos aqui, mas com base no teor deste blog você deve ter uma mínima noção. Opinião essa que não é de todo enxaqueca, diga-se de passagem. Só mantém os pés no chão e coloca razão na idéia geral, mas a razão pode atrapalhar o que é sonho.

Daí que depois de magoados, toda aquela coisa bonita, eu olho para a mesa a qual meu computador foi alocado e…

Pra provar que meus títulos nunca são à toa.

PS.: perceba que, neste caso, ao contrário dos outros, é a mocinha que está triste e com uma arma na cabeça. =/

Ensaios de Férias

Daí você chega no trabalho e mudaram tudo. E você fica lembrando seus insights incríveis no chuveiro, com aquela euforia de que todo mundo vai ouvir suas idéias numa reunião cheia de risinhos de reconhecimento e cabeças confirmando tudo, olhares cínicos invejando seu júbilo, sinfonias tocando Wagner nos seus ouvidos ao sair da sala e um ‘belo trabalho, Robson’, sinal de gratidão, cereja do bolo.

Apesar de tudo, não foi nada tão assustador assim e basicamente vai continuar tudo a mesma coisa, por enquanto. Eu é que estava com planos demais na cabeça.

“É próprio das pequenas almas soterradas sob o peso dos negócios não saber se desprender totalmente deles, não saber largá-los e retomá-los”
–Montaigne, Sobre a experiência.

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Finalmente terminei os Ensaios, de Montaigne. Assustadora e vergonhosamente, o primeiro livro do ano. Quase 600 páginas de puro êxtase filosófico sobre tudo o que a gente teme ou evita pensar. Aspas de Sêneca, Ovídio e vários outros clássicos que deveria ter lido há mais tempo, grandes citações, um volume da Companhia das Letras que me orgulho de guardar todo marcado com post-its e páginas amassadas, trademark dos vagões cheios na linha 9 da CPTM.

“Os Essais são um auto-retrato. O auto-retrato de um homem, mais do que o auto-retrato do filósofo”. Marquei isso na Wikipédia enquanto tentava definir minha sensação ao terminar o livro. E foi isso, exatamente. Fica nítida também a evolução ou amadurecimento do pensamento de um homem que troca seus primeiros escritos ferozes e cheios de vida da mocidade (olha, “mocidade” é uma palavra bonita em extinção) por reflexões sobre cólicas renais e males da medicina ao envelhecer.

Como a vida, sempre.

‘So sorry, that’s over’

Último dia de férias é o domingo mais longo do ano. É aquele climão do final do Fantástico elevado a potências de valor infinito. Sou eu assistindo Filhos do Pai Eterno na Rede Vida com meus pais às cinco da tarde, abençoando água e tentando zerar o Google Reader sem usar o ‘Mark All as Read’.

Em um balanço geral, as férias cumpriram bem o propósito e tal. Mesmo não conseguindo dar ok em metade daquelas metas que tinha previsto, descobri que esse período que te pagam para cochilar de tarde e ligar na portaria porque a molecada está brincando demais do lado do seu carro, é também uma época para lembrar como era aquele tempo em que você voltava da escola, não tinha quase nada pra fazer e podia passar suas tardes comendo Trakinas com leite e vendo Um Maluco no Pedaço, Chaves, Chapolin e Malhação (isso explica muita coisa).

Outra descoberta dessas férias é a de que não existe mais saída para o trânsito da cidade de São Paulo. Esse pessoal que diz “daqui a pouco, até domingo de tarde vai ter trânsito” já está bem atrasado. Duas vezes eu tentei sair de carro, uma para Pinheiros, outra para o Centro. Ambas, às duas da tarde e sem qualquer sucesso.

Bem, acabou. Foram dias em que deu pra ver como funciona meu bairro enquanto eu não estou aqui. As tiazinhas mancomunam o editorial de fofocas que irá pautar as reuniões no banco da rua de noite, que só vejo quando passo ao voltar do trabalho. Deu pra notar também que essa galera sempre feliz caminhando no mercado terça-feira às duas da tarde são apenas desempregados formadores de alguma triste estatística.

E, por aqui, estamos de volta com a programação “normal”.

Ainda em férias

Uma semana para voltar de férias. Se isso aqui anda abandonado, tem lá seus motivos: quando não estou por aí pegando trânsitos mortais às 15h (sério), estou em frente à TV colocando filmes e séries em dia (na pior das hipóteses), ou compondo -e quem diria que um dia eu voltaria a falar assim.

Volto semana que vem e já desisti das metas. Como bem disse o Lipe depois da final do Paulistão, ontem, ‘a gente programa as férias todas e no final fica frente a televisão coçando e achando foda’. Faz todo o sentido, mesmo com uma programação do tipo Um maluco no pedaço, Todo mundo odeia o Chris, Vale a pena ver de novo etc.

Mas tem o MTB, que estou pensando seriamente em tirar, mesmo com os itens ‘acordar cedo’ e ‘pegar fila’ fora da lista do que fazer nas férias. E tem essa mostra de cinema suiço no CineSesc e CCBB (só a Denise mesmo), que parece ter alguma ou outra coisa legal, vamos ver. Não é o In-Edit, que perdi feio pras inconstâncias e leis de tempo-espaço, mas dá pra passar.

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Semana passada conheci o amigo Toninho Moura. Marcamos de ‘tomar uns bons drink’ [] no Ton Ton, em Moema, que estava fechado e, avaliando o contexto mais tarde, não era tão receptivo e acolhedor quanto o barzinho de esquina no qual passamos uma noite fria bebendo cerveja e trocando idéias sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Conexões importantes essas, não? A gente vive achando que não vai conhecer as pessoas e de repente lá estão elas na sua frente com seus dogmas, seus conhecimentos literários e parecendo com o Danny de Vitto na medida em que você fica mais e mais embriagado. O cara é incrível, sabe de cada personagem de seus contos mais do que você conhece seus próprios colegas de trabalho, para dar um exemplo mais simples. Gente fina, desse tipo mais difícil de encontrar por aí.

Uma satisfação, mesmo.

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Lendo o texto do Leo sobre conhecer o pai da Sandra lembrei que volto a trabalhar na semana que vem. E segue aqui o raciocínio de como cheguei a essa lembrança.

Minha mudança de local de trabalho foi até agora meio conturbada e sem diretriz, saca? Primeiro mês no novo lugar conheci algumas pessoas, passei batido para várias outras por toda uma dificuldade de me adaptar a gente nova sem me exaltar, fazer piadas demais, passar por fanático religioso ou alcoólatra, essas coisas.

E agora vem as férias, quebrando todo um ciclo (não é uma reclamação, eu realmente precisava esfriar a mente que vinha num funcionamento corporativo contínuo desde 2009).

Espero, ao voltar, poder fazer as piadas certas, admitir meu cristianismo envolvendo ‘Deus, um delírio’ e dizer que bebo vodka com schweppes, que é um negócio socialmente mais aceitável que Caninha da Roça com Pepsi.

Que Deus me ajude. Ou não.

Status das metas descumpridas

Postei uma lista das metas das férias e já comecei mal ao perder a sessão dupla do in Edit na sexta talvez com os dois únicos filmes que eu gostaria de ver na mostra, um sobre o Lost Poets e outro sobre a cultura folk nos anos 60? Talvez.

Poderia descontar o problema dizendo que prefiro ficar em casa passando o tempo com qualquer outra coisa inútil, mas o fato é que eu tentei duas vezes e desisti depois de falhar miseravelmente.

Na primeira tentativa, eu iria até Pinheiros ver os preços de um pedal para guitarra, um teclado controlador e consultar a reforma da guitarra. Bem, digamos que eram duas horas da tarde e eu só consegui chegar no Largo da Batata às 16hpouco, desistindo antes de chegar na Henrique Schaumann, se é que alguém conseguiu chegar aquele dia.

Esse tópico musical eu consegui, uma vez que acabei comprando o controlador no sábado e vendo o preço da troca de captadores para a guitarra no mesmo dia, embora não tenha sido exatamente como eu esperava.

E então, na sexta, iria ao MIS, num workshop sobre produção de vídeo, aguçado pela quantidade de clipes que vejo e parecem não ter fio condutor, ou serem variáveis de uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. Claro, o cara tem uma idéia deslumbrante, executa em duas cenas
e depois tenta enrolar os outros 4 minutos de vídeo com qualquer bobagem.

Quando percebi que não iria chegar a tempo do workshop, decidi ir até a Matilha Cultural onde ia rolar a sessão dupla e onde, num misto de mal entendidos com o dono do estacionamento, os horários da Denise e da sessão, acabou não rolando. Nem pelo torrent, o que é bem mais triste.

Pois os dois primeiros tópicos falharam, not a big deal, eu diria. Ainda sobram meu MTB, os westerns, o livro, o Insanity. Bem, talvez o próximo post eu fale sobre como desisti deles também.

Tudo bem postar com pressa?

Olá amigos, estou aqui na Rego Freitas, esperando o horário na Matilha Cultural pra ver aquele doc que tinha dito no in-Edit. Faltam 17 minutos pra acabar meu horário da lan house, e nove minutos pra acabar meu horário do zona azul. So, lembrei desse post do tumblr que pode servir pra muita gente, como eu e aí está.

Vou tomar uma multa ali e nos falamos em breve. beijos.