É hora de admitir.
Quando trabalhei na Berrini, lá se vão seis anos, conheci uma menina. Digamos que seu nome seja Sofia Amundsen, só porque ontem lembrei do livro. Para toda conversa ela tinha uma boa referência, bons livros, boas aspas, boas indicações de bibliotecas em Denver, literatura de cordel de épocas específicas e restaurantes japoneses no Tremembé. Gostava de U2 embora admitisse o blasé revolucionário, era uma pessoa boa de conversar, um suprassumo de correntes pop e disks entrega de pizza no Brooklyn para depois do expediente.
Todas as vezes que encontro alguém com seu estilo lembro de Sofia e classifico a pessoa, literalmente, em um grupo mental em que estão todos os semelhantes.
Isso é uma atitude bem errada em vários pontos se você prestar atenção porque (a) é dizer às pessoas quem elas são por meio de uma tag, sem dar a elas o direito de ser uma tag; (b) É dizer à Sofia que de tão clichê, seu way of life foi transformado num marcador de blog, ao menos pra mim; mas acima de tudo (c) isso de levar mecanismos de blog para a vida real já deve me garantir mais anos daquela terapia que nunca comecei.