day 05 – a song that reminds you of someone

É aqui que eu quebro o protocolo e lanço quatro músicas.

Minha música com a Denise, não tem nem como não lembrar.

Paralamas do Sucesso, Me liga

Acho que não preciso falar essa, heh

Beach Boys, Good Vibrations

Essa eu lembro do meu irmão, o Rodrigo, ou Bigode, como ele quer ser chamado agora. E da vez que ele me fez uma raiva absurda e eu peguei um disco do NOFX e arranhei na parede.

Nofx, Dinosaurs will die

Lembro da Priscila, uma amiga que sofreu um acidente foda em 2007, desses de começar a desacreditar em Deus. Toda vez que ouço esse som é como se ela estivesse do meu lado.

Lucidez, Jorge Aragão

Day 04 – a song that makes you sad

Essa música é de uma simplicidade trágica pesadíssima. O relato de um filho que lamenta a morte de sua mãe. Recomendo também esse vídeo ao vivo no CCPC, em que o Criolo Emicida Projota mostra porque é o melhor e mais verdadeiro rapper nacional da atualidade. É uma boa música, mesmo. Mas me deixa triste, isso basta pra ter ela aqui no dia 4.


Projota, Véia

What’s up, doc?

Eu tenho isso com consultas médicas.

Acontece sempre que você está do lado de fora aguardando chamarem seu nome naquelas cadeiras infantis confortáveis esperando que o(a) médico(a) seja ultra paciente com seu problema atual, entenda seu lado, passe a mão na sua cabeça, diga algo parecido com “pois é, eu sei como você se sente”, lhe entregue um pacote de doces no final e diga, “seja um bom menino e tome os remédios, ok?”.

É então que, de dentro da sala, uma voz furiosa ecoa pelos quatro cantos da clínica dizendo seu nome. Ela precisa ser furiosa para ecoar, pois o médico está sozinho lá dentro e o último paciente possivelmente com algum problema de ordem mental deixou a porta quase encostada. E no segundo antes de levantar você pensa porque diabos esses consultórios nunca avaliam a necessidade de sistemas de som e microfones nas salas de consulta. Você não culpa o médico por não ter feito o esforço básico de levantar e ir até a porta. Você não pode culpar alguém com uma voz tão assustadora.

Você também não quer mais entrar no consultório, mas acaba levantando apenas pelo frio na espinha que aquela voz alta, dirigida e ríspida lhe provoca. E no fundo você sabe que não existe uma forma dessa voz alta, ríspida e dirigida lhe acariciar a cabeça dizendo que entende seu problema. Não há outra forma, você vai ter que abrir a porta com um sorriso de esperança e enfiar na cabeça que é tudo o que você tem. Lá dentro, em segundos, vão estar juntos você, seus problemas atuais e a dona de uma intimidadora voz cansada de ouvir problemas menores e indicar xaropes e que certamente não vai lhe dar um pacote de doces quando terminar de escrever a receita.

Nós na fita

Vibe essa do dia dos namorados hein? Dei uns presentes bobos, uma foto, esse tipo de coisa pequena, mas bem significativa, como os presentes de verdade. Tivemos dois dias incríveis no final de semana, sem ‘mas’, sem neuras, só sorrisos, como espero que tenha sido o de todos.

Gravei uma mixtape também. Dessas que a gente pega as músicas marcantes e diz coisas bobas nos intervalos. Nunca tinha gravado uma. Nick Hornby disse algo bonito a respeito de gravar uma mixtape para alguém que você goste, embora eu eu nunca me lembre da citação (e acabei de descobrir que toda a demora para escrever esse post foi baseada na busca dessas aspas):

“I spent hours putting that cassette together. To me, making a tape is like writing a letter, there’s a lot of erasing and rethinking and starting again, and I wanted it to be a good one, because … to be honest, because I hadn’t met anyone as promising as Laura (…)  A good compilation tape, like breaking up, is hard to do. You’ve got to kick off with a corker, to hold the attention (I started with “Got to Get You off My Mind,” but then realized that she might not get any further than track one, side one if I delivered what she wanted straightaway, so I buried it in the middle of side two), and then you’ve got to up it a notch, or cool it a notch, and you can’t have white music and black music together, unless the white music sounds like black music, and you can’t have two tracks by the same artist side by side, unless you’ve done the whole thing in pairs, and… oh, there are loads of rules”
Nick Hornby, Alta Fidelidade, 1995

Só caguei para a regra sobre “música negra” e “música branca”, colocando Criolo e Paralamas do Sucesso no mesmo lado. De resto, as decisões são bem difíceis mesmo. É como ambientar cenas de filmes, da comédia romântica em que a Jenniffer Aniston e o Ashton Kutcher são vocês dois. Daí você tem que lembrar aquelas músicas que vocês ouviam quando tudo começou, as músicas sobre brigas e umas paródias engraçadinhas e as que emocionam em qualquer ocasião. Fechando com meu embaraço ouvindo ao lado dela todas as coisas que gravei no microfone por cima da trilha. Uma timidez quase bonita de se ver.

Os emendadores de piadas

Existem pessoas que se esforçam para fazer parte de grupos, para estar na cópia dos emails da galera, ser convidado em festas de aniversário no Facebook, esse tipo de forçação. E existe essa gente que tenta emendar as piadas. É normal estar com uns amigos no bar e espremer uma piada até que ela deixe de fazer sentido. É quando não há mais de onde tirar criatividade que eu e meus amigos dizemos “ou não” e fica claro que não dá mais pra emendar nada ali. E isso é normal, acabamos dando risada disso depois de tudo. How I met your mother tem algumas esquetes assim.

O humor, né, gente, virou commodity. Você precisa ser engraçado pra ser aceito, pra que as pessoas te vejam como uma pessoa legal. Denúncia: Ninguém que seja absolutamente sério e centrado é visto como uma pessoa legal, atente. Você precisa ser uma espécie de comediante a todo instante para que a vida seja mais fácil, para conhecer pessoas, para conseguir empréstimos no banco ou um chorinho de suco de laranja na padaria. Impressionante dizer, mas os “sérios e centrados” estão no mesmo patamar dos derrotados sociais. Ninguém liga se você é uma boa pessoa se você mantém sua cara fechada. Da mesma forma, ninguém liga se você aparecer como cara de derrotado na padaria, “eu hein? Pra esse aí não tem chorinho não” (“chorinho” e “derrotado” não foi proposital, juro).

Tem esse comercial da Toddy, com um garoto querendo saber uma verdade. Arrisco dizer que é o comercial mais triste dos últimos tempos, embora os personagens vestidos de vaca gargalhem como se fosse realmente engraçado o que estão falando. Depois da pergunta, as vaquinhas dizem que aquela garota que ele gosta pode estar invisível no MSN e ainda mais: pode tê-lo bloqueado. Eu queria que alguém me explicasse em que nível de demência isso pode ser considerado uma piada.

E tem o Rafinha Bastos e aquela piada infeliz sobre órfãos e uma outra sobre mulheres feias estupradas. De um lado os puristas, reclamando que ele não tem direito de dizer, não pode, deve ser preso, acorrentado, enforcado em praça pública. De outro, os admiradores de Nelson Rodrigues, argumentando o óbvio: se fosse vivo nos nossos dias, o anjo pornográfico se mataria. O que não posso entender em todo esse debate é, se você sabe em que ponto de idiotice o tal do Rafinha pode chegar numa piada porque você faz tanta questão de tratá-lo como absurdo apenas quando ele pisa nos seus calos?

Tenho uma posição bastante inofensiva a respeito disso: é preciso deixar o cara falar o que ele bem entender. Mesmo se ele achar o ato de amamentação nojento, ou que pessoas feias precisam ser estupradas ou lembrar os órfãos sobre como é terrível o dia das mães. Se existe um público para isso, Rafinha Bastos é apenas um fruto podre alimentado pelo tempo em que vivemos, é vítima de um auto estupro moral, com lembra o Dimenstein.

Claro, acabei de descobrir, perdi o tino completo desde post. Falava sobre essa gente que emenda piadas. Outro dia assistia um jogo qualquer, quando um dos comentaristas diz algo sobre como o futebol é cheio de surpresas: “bom o cara que fez esse filme futebol, não é?”, ao que Cléber Machado, do alto de sua magnitude complementa “digo mais, deve estar rico hoje!”, rindo naquela vibe de quem conta piadas para si mesmo. É preciso dizer que não há o que complementar se, logo de cara, você não entendeu o espírito. Era sobre isso que falava, acredito.

Day 02 – your least favorite song

Bom, certamente a banda que menos gosto no mundo é o Jota Quest. Coisa de não ir com a cara mesmo. O Lobão fala da falta de paudurescência do Restart e do Fiuk, mas e esses malandros? Podem ter umas músicas bonitinhas, até gosto dos timbres limpos de guitarra, mas esse xoxismo não me entra na cabeça. Essa música que coloquei pra ilustrar é só um exemplo que, além de pau moles, suas letras pecam em contradições menores. O cara diz “não adianta falar de amor ao telefone, isso é ilusão” e no final fala que “a obrigação da sua voz é estar aqui”. A voz já está aí, jovem, via telefone. Talvez fosse melhor trocar a letra por “a obrigação da sua laringe e das suas cordas vocais é estar aqui”. Eu daria um ponto.


Telefone, Jota Quest

Day 01, your favorite song

Este meme é o 30 day song challenge que nasceu no Facebook e achei mais conveniente passar pra cá. Quem estiver numas de entrar nessa, por favor, sinta-se convidado.

Day 01, your favorite song


Foo Fighters, Best of you

Eu lembro do dia que eu aprendi a tocar essa música. De todas as lembranças boas que ela me traz, lembro de colocar no repeat e ouvir até cansar, no carro, voltando do antigo trabalho. E quando assisti aquele DVD ao vivo em Dublin, uma versão cansada, mas que me emociona só de lembrar.

Segue a lista completa pra quem quiser participar deste “desafio” (acredite, alguns dias são bem difíceis):

day 01 – your favorite song
day 02 – your least favorite song
day 03 – a song that makes you happy
day 04 – a song that makes you sad
day 05 – a song that reminds you of someone
day 06 – a song that reminds you of somewhere
day 07 – a song that reminds you of a certain event
day 08 – a song that you know all the words to
day 09 – a song that you can dance to
day 10 – a song that makes you fall asleep
day 11 – a song from your favorite band
day 12 – a song from a band you hate
day 13 – a song that is a guilty pleasure
day 14 – a song that no one would expect you to love
day 15 – a song that describes you
day 16 – a song that you used to love but now hate
day 17 – a song that you hear often on the radio
day 18 – a song that you wish you heard on the radio
day 19 – a song from your favorite album
day 20 – a song that you listen to when you’re angry
day 21 – a song that you listen to when you’re happy
day 22 – a song that you listen to when you’re sad
day 23 – a song that you want to play at your wedding
day 24 – a song that you want to play at your funeral
day 25 – a song that makes you laugh
day 26 – a song that you can play on an instrument
day 27 – a song that you wish you could play
day 28 – a song that makes you feel guilty
day 29 – a song from your childhood
day 30 – your favorite song at this time last year

Starts e atitudes

Eu assistia a Discovery e veio um desses comerciais de programas que são exibidos sábado de noite e ninguém assiste porque, bem, é sábado de noite. Era sobre um cara que frequentava lugares inóspitos da humanidade como tribos indígenas, ou vilarejos isolados na floresta, esse tipo de alucinação.

E o apresentador falava sobre o programa, quando lançou: “é importante conhecer esse mundo que daqui há alguns anos não vai mais existir.”

Comecei a pensar nos meus possíveis filhos. E não sei como, cheguei ao pensamento quase febril de que um dia eles teriam de conviver com esses personagens babacas dos desenhos animados de hoje.

Foi então que tomei essa louvável decisão e acabei baixando 195 episódios de Pica-Pau de 1940 a 1972 e as cinco temporadas dubladas da Liga da Justiça.

Porque, né, nego entra na minha mente com uma frase e espera que eu salve a humanidade?

Vida de Sitcom S01E01, “As neo senhoras”

[claquete, cena 1, neo senhoras no metrô]

Voltava do trabalho no metrô, sentado bem verão (e apostando que ‘bem verão’, essa gíria do meu amigo Nebi, um dia vai pegar) ao lado de duas neo senhoras que conversavam sobre seus maridos e me forçaram a abandonar a leitura como se eu tivesse que prestar atenção no que diziam.

Falavam dos seus respeitáveis cavalheiros. Juro que tentei dormir durante o processo e não ouvir a conversa, mas não era possível, dado o nível de ruído que as duas produziam. Reclamavam de como eles eram rudes, de como se portavam, de suas roupas:

– Outro dia ele veio caquelas bermudas jeans, ele tem um monte, mas menina, são aquelas que vão até as canela (olha a apostila fazendo sentido aí, amigos)
– Jura? Ah, o meu também!
– É, mas vai até lá embaixo, eu digo pra ele que quem usa essas coisas são aqueles manos com aquelas calças largas…

[primeiro olhar de canto de olho para mim]

Nesse momento, a neo senhora que falava percebeu que eu era uma dessas pessoas que usam calças largas e, em segundos, tranquilamente tentou reverter a situação:

-…e que usam aquelas botas grandes, sabe!?

[segundo olhar de canto de olho pra mim]

Preciso dizer que eu também estava de botas ou fica implícito?

[risadas aqui]
[corta]