Prefiro beber com raiva do que triste. Quando você bebe triste existe uma intenção boba de se autodestruir, como se resolvesse alguma coisa. O máximo que você consegue no fim da noite é ver que sua edição de As flores do mal está irreversivelmente manchada de vinho barato e que essa inconsciência toda quebrou uma taça e deixou o chão fedendo. Já beber com raiva faz aquilo dá uma sensação de liberdade. Mas veja bem, apenas a sensação. Te abre caminhos, faz você conhecer novas pessoas, ouvir conversas as quais não daria a mínima se estivesse consciente. Tudo para esquecer a raiva de uma semana pesada no trabalho, ou para alimentá-la e vagar nômade em trezentos lugares inapropriados durante a madrugada de sábado.
Matanza, O Chamado do bar