#soudaepoca

Já tive um email hiphop_rbs@bol, daqueles que você ainda tinha que limitar a quantidade de mensagens na caixa de entrada pra não receber a cobrança vexatória do servidor dizendo que você está atingindo sua cota e que poderia deixar de receber emails novos caso alguma atitude não fosse tomada. Fazendo um paralelo com a vida adulta é praticamente o mesmo trabalho do serviço de proteção ao crédito.
Daí o gmail veio para, acima de tudo nos ensinar que aquelas mensagens simples e sem anexos pesavam muitas vezes menos de 1kb e que, disponibilizando uns GB a mais talvez ninguém mais precisasse deletar qualquer coisa.
O que, obviamente, vai da sua inclinação pessoal.
Da minha, vocês sabem, o passado é um top1 do disk mtv de 98, você até lembra com algum constrangimento ou não, mas sabe hoje em dia não faz o menor sentido.
Ela era pra mim uma conversa boa no msn. Minha ligação com o mundo no qual as pessoas não apenas trabalham e carregam suas vidas na coxa. Que me chamava pro Indie hip hop e me contava como estavam os roles punks dos amigos. Aquela conversa que sem perceber ultrapassa horas e só termina quando alguém precisa sair do trabalho (sempre eu) ou pra estudar/dar aula (sempre ela).
E os chats se amontoaram na inbox do gmail que, como se não bastasse, também armazena as conversas do gtalk. Como da vez que M. vendeu um ingresso sobrando do SWU pra ela ou quando lamentávamos/exaltávamos a vida (às vezes ao mesmo tempo, sério, impressionante). O que minha inbox conta é o que ela representa pra mim. Da amizade de 2009 ao carinho e planos de 2012. Uma história de amor, de aventura e de magia contada em 223 conversas.
Lógico eu que nunca pensei em um dia encontrar alguém que pudesse desvendar pelo que exatamente minha alma se move. Logo eu que sempre adorei os escritores solitários e detestáveis imaginando um dia ser um deles. Logo eu que sempre achei a felicidade limitante me peguei chorando no carro ouvindo uma música do hateen que peguei do computador dela. Logo eu que nunca sinceramente havia sentido a falta de alguém.
Assim o gmail se transmutou neste espelho da consciência.
A melhor parte é que o primeiro comentário dela ao ler esse texto vai ser: Peraí, como assim você chorou ouvindo hateen mano?

Em falta: profissionais de redes

Essa é rápida (porque tá todo mundo dizendo que eu abandonei isso aqui etc)

Daí que tem um vizinho imbecil  alguém super legal lá no prédio com um wi-fi aberto, obviamente utilizado por nós, os vizinhos chatos, que ainda não conseguimos contratar um serviço de internet decente etc.

Muitas vezes funciona, algumas vezes não. Provavelmente com uma rede há muito tempo desprotegida, essa pessoa acostumou-se a desligar o aparelho para ninguém roubar a conexão ENQUANTO ELA NÃO USA, o que faz todo o sentido mesmo, parabéns.

Estou fazendo um estudo comportamental apurado sobre o dono desse roteador baseado em algo que vem acontecendo com frequência:

1. Eu chego às 22h, ligo o notebook, lá está a rede abertinha e conectada (já deixei memorizada para conexão automática como se não bastasse a mordomia de não pagar pela internet).

2. 15 minutos depois, enquanto faço a comida, a rede está desconectada.

3. Após jantar, descansar e desistir, vou pro quarto, desligo as luzes da casa, fecho a janela e tranco a porta.

4. 5 minutos depois, a rede volta a funcionar.

quer dizer

ESSA PESSOA ESTÁ VIVENDO EM FUNÇÃO DE LIGAR/DESLIGAR O ROTEADOR NO MOMENTO EM QUE EU ESTOU EM CASA/ACORDADO.

Nada mais justo.