Passei o último ano inteiro usando a internet da vizinha amiga que até hoje não soube como colocar uma senha, ou esteja numa solidariedade tamanha conosco que não tivemos a boa vontade de procurar instalar a parada aqui em casa, mas como vocês devem se lembrar (claro que não se lembram, mas é uma ótima frase), ela desliga o roteador em intervalos de tempo que ela determina.
(Observação a tempo: eu não sei de que vizinho é a internet sem fio da qual estou tratando aqui, mas o nome da rede é “pucca” o que fez com que eu estabelecesse que é uma mulher, ou uma garota, ou uma senhora. Claro que pode ser de um cara mais sensível que curte o desenho etc, ou de um senhor pervertido e doente, bem, preferi optar pela hipótese mais racional)
(Outra observação a tempo para um futuro terapeuta que talvez venha a visitar este blog: Por que tento explicar tanto as coisas?)
Pois então uma nova rotina tornou-se necessária por conta dessa internet usada ao acaso. Toda vez que está disponível aqui eu tento (a) acessar tudo o que posso e isso conta como facebook, emails, linkedin (ainda sem trampo, me ajudem) e atualizar isso aqui (b) zerar Google Reader* que mudou pro Old Reader e agora não diz mais o seco e grosseiro “+45000 items” em inglês e sim algo como “faz tempo que você não acessa aqui, deixamos apenas esses 11.000 itens fresquinhos” (c) ler blogs dos amigos e saber assim da sobrinha do Leo e da falta de tempo de todo mundo pra atualizar essas coisas com mais de 140 toques.
Portanto, sim, o wi-fi alheio mudou minha maneira de usar a internet. Inclusive os amigos que frequentam minha casa conhecem a rede por nome e não raro chegam perguntando se a pucca está, antes de perguntarem se estou bem, como vai a casa etc. Seus espertofones estão devidamente configurados para acessar a rede sempre que ela estiver disponível. Meu notebook está configurado da mesma forma, como se a rede fosse, ora, por que não, minha!
Acho que isso explica um pouco toda minha quase ausência nas redes sociais, neste blog e nas coisas da rede no último ano, afinal só uso quando sei que não estou atrapalhando (não vou baixar torrent em horário nobre, por exemplo). Na minha última hipótese, imaginei que a pessoa que deixa esse wi-fi aberto sabe das consequências e, gente boa, opta por deixar assim mesmo.
Portanto esta é uma singela homenagem. De todos os utensílios domésticos que ganhei no open house do ano passado para poder me adaptar bem ao fato de morar sozinho (agora realmente sozinho, falei que meu irmão mudou? enfim, numa próxima ocasião) a internet da vizinha foi definitivamente a melhor de todas as doações. E ela nem apareceu na festa que quase me ocasionou uma multa na primeira semana de condomínio.
Obrigado, ma’am.
*O Google Reader vai acabar dia 1 de julho, mudem seus feeds pro The Old Reader que parece mais compromissado com a causa (ninguém deve usar essa informação, mas vale a pena deixá-la registrada aqui)