Faustão e a imortalidade

Eu sempre pensei no Faustão como um vampiro. Um imortal a quem relegaram um programa de TV na maior emissora de um país de terceiro mundo, pra não dar muito na cara. E imortal porque, afinal, quem substituiria o DOMINGÃO DO FAUSTÃO se o programa leva justamente o nome dele?

Eu sei que minha teoria quase caiu depois que engordaram o André Marques com a clara intenção de que ele assumisse caso algo de mau acontecesse (por favor me digam se não seria lindo ter na grade um programa chamado DOMINGÃO DO ANDREZÃO). Provavelmente ele tem um cargo de senior formando time com o Bruno de Lucca (pleno), ou seja, quase uma geração de pessoas com o mesmo carisma do Faustão, o que até então invalidava parte dessa corrente de pensamento

Mesmo assim, é preciso destacar outro ponto importante (alguém por favor me faça parar): o fato dele ter sido a celebridade que mais morreu nos últimos anos se você considerar as notícias falsas da internet. Quem está criando essas notícias sabe que ele nunca vai morrer. E fica claro que criar notícias falsas da morte de uma personalidade é a melhor forma de manter viva uma personalidade que nunca vai morrer, ainda que essa frase não faça o menor sentido, veja bem.

Daí que a teoria da imortalidade de Fausto Silva encontrou seu auge depois de domingo, quando nosso querido apresentador veio com um papo de que faz uns 500 anos que ele diz às pessoas que urna não é penico.

Me parece verídico.

A cadeira vermelha

Postando aqui a redação que pediram na primeira entrevista de emprego depois de tudo. A íntegra do texto com aquela pequena dor de ter errado uma concordância nominal (redação no papel, até quando?)

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A cadeira vermelha

Eu vejo à minha frente uma cadeira vermelha. Simples, útil e, porque não, promissora. Um objeto que diz mais do que os objetos comuns geralmente nos dizem, ou seja, tem muito mais vida que o silêncio das coisas inanimadas. Me encara serena, calada, com perguntas demais e poucas respostas. Eu a admiro pelo calor que aprendi a doar pelo que me motiva, pelo fervor dos desafios que ela representa. Uma nova meta, planos mais bem construídos e algo novo pelo qual acordar todas as manhãs. A cadeira vermelha me conta uma belíssima história sobre o que reserva o futuro e ao mesmo tempo diz que sou eu quem deve escrever essa história. Os melhores livros, afinal, são aqueles que vivemos.
 
Aparece um momento de nossas vidas em que tudo começa a fazer sentido. Algumas peças novas passam a se encaixar melhor do que as antigas e você finalmente passa a decidir o que realmente pretende em toda essa jornada.

É preciso todos os dias viver o novo, o desafio, a experiência que não tivemos. E assim acumular livros e histórias pra contar, com o mérito de ser protagonista. Ir atrás de um mundo todo novo em que nada lhe pareça familiar. No começo vai parecer absurdo e impossível, vai parecer que você nunca vai se acostumar. E então você vai descobrir que a melhor forma de manter sua vida ativa e intrigante talvez seja jamais se acostumar com o que quer que seja. É assim que você vai sentir o sangue correndo em suas veias, pulsando quente, forte e vermelho como a cadeira que agora parece lhe sorrir.

Uns dias melhores que outros

Não gosto tanto assim de presentes e festas nos dias certos. Os dias “errados” carregam algo de muito mais humano, uma trivialidade cheia de privilégio. Eles não precisam de campanha de marketing, ou de gente te pressionando sobre como se deve ou não presentear quem você ama. Sou mais a grandeza dos dias simples que a pequenez da obrigação datada.

Hoje somamos o segundo dia dos namorados juntos. Os melhores de todos, sem preocupações maiores ou pressões, porque Aline, assim com eu, pensa que a felicidade acontece mais nos dias comuns do que em datas marcadas. Sem grandes mimos que não podemos pagar, jantares e excessos, talvez nos baste saber o que representamos de verdade um ao outro.

Daí que ela, num desses dias “certos” (12 de junho, hoje) posta uma frase aleatória do Belchior que eu encaro como um presente indireto e, mesmo invalidando parte de tudo isso que escrevi, faz da nossa cumplicidade ainda mais autoexplicativa.

A ela, de volta, outro trecho, outra música:
 

“Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver”

Um feliz dia comum pra nós.

As definições do inferno

Estou sempre inventando histórias e super fracassando em não escrevê-las, mas elas continuam na minha cabeça e hora ou outra surgem paródias e plágios que eu mesmo construo, o que só interessaria a um advogado especialista em direitos autorais e dupla personalidade disposto a me arrancar muito dinheiro.

Eu que não tenho sido exatamente a pessoa mais religiosa que conheço, vez ou outra crio versões do que as pessoas conhecem por inferno. O panorama geral é sobre um lugar terrível, em que você precisa fazer algo detestável ou sofrer algo deplorável por toda a eternidade. No imaginário popular, com a ajuda de representações artísticas, é o equivalente a sua alma ardendo dentro de uma galeria vulcânica e um humanóide gigante e vermelho de chifres com um chicote que lhe permita chicotear almas. E talvez seja necessário pensar melhor sobre essa logística de chicotear constantemente todos os atuais habitantes de uma galeria vulcânica.

Minhas versões de inferno são espécies de histórias que não tem fim, é como ficar aprisionado no mesmo minuto, mas sem saber disso. Minhas versões preferidas são as seguintes:

Você está subindo lances de escada infinitos com os tornozelos já super pesados e oito sacolas do Roldão nas mãos (uma delas pingando algo que veio do mercado congelado). Eventualmente, você encontra semiconhecidos, numa classificação que transita por “conheci numa festa”, “vizinho de infância” até “vejo todos os dias no trem e não lembro porque comecei a cumprimentar”. E você vai falando com essas pessoas assuntos incansáveis sobre como o tempo tem mudado e se você precisa de ajuda, embora nessa versão do inferno você seja super polido e gente boa e jamais aceite qualquer ajuda. Você continua subindo mais lances de escada sem jamais descobrir que nunca vai chegar a lugar algum e não vai notar isso mesmo quando o tempo tiver lhe deixado os joelhos podres arrastando no chão e o próximo semiconhecido se aproximar dizendo “oi cara, precisa de ajuda?”, você recusar dizendo que tá tudo bem.

A outra versão diz respeito a você ter dormido mal e acordado com uma terrível dor nas costas, mas mesmo assim estar dirigindo na rodovia Castello Branco sentido Sorocaba, sem som no carro e sem bateria no celular, entendiado, com sono. São 15h, você ainda não comeu nada naquele dia, acabou de passar pelo Frango Assado e decidiu que não ia parar. E você continua sempre no mesmo quilômetro da estrada, dirigindo como se estivesse em cima uma esteira de academia, tudo passa sem passar, e aquele dia, aquela fome e a certeza de ter passado pelo Frango Assado alguns quilômetros atrás vão perdurar na sua mente por toda a eternidade, assim como a dor nas costas.

Tenho também algumas séries especiais pensadas especialmente para os problemas dos amigos. Numa delas, o dia é uma eterna quarta-feira muito azeda de ser resolvida (proj. Camila) e em outra você está na internet e pelo resto da eternidade nunca vai encontrar nada para criticar (proj. Amaury, o web xerife).

Meu inferno atual diz respeito às paredes do apartamento que estou pintando antes de devolver para a imobiliária. Olha, é impressionante. É algo como pintar o Maracanã com um pincel de nanquim. Pelo menos, na pior das hipóteses, posso contratar alguém pra cuidar deste inferno em particular.

Wonka ligou pedindo suas ideias de volta

Daí que o Outback lançou essa cadeira que, no dia do seu aniversário, te abraça cada vez que alguém te der um parabéns no seu Facebook:

O bar Salve Jorge lançou esse copo que te obriga a deixar o celular na mesa enquanto estiver no boteco, afim de evitar que as pessoas fiquem vidradas no celular enquanto estão na presença de outras pessoas.

Quando foi que o mundo se tornou essa fantástica fábrica de chocolate?