Postando aqui a redação que pediram na primeira entrevista de emprego depois de tudo. A íntegra do texto com aquela pequena dor de ter errado uma concordância nominal (redação no papel, até quando?)
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A cadeira vermelha
Eu vejo à minha frente uma cadeira vermelha. Simples, útil e, porque não, promissora. Um objeto que diz mais do que os objetos comuns geralmente nos dizem, ou seja, tem muito mais vida que o silêncio das coisas inanimadas. Me encara serena, calada, com perguntas demais e poucas respostas. Eu a admiro pelo calor que aprendi a doar pelo que me motiva, pelo fervor dos desafios que ela representa. Uma nova meta, planos mais bem construídos e algo novo pelo qual acordar todas as manhãs. A cadeira vermelha me conta uma belíssima história sobre o que reserva o futuro e ao mesmo tempo diz que sou eu quem deve escrever essa história. Os melhores livros, afinal, são aqueles que vivemos.
Aparece um momento de nossas vidas em que tudo começa a fazer sentido. Algumas peças novas passam a se encaixar melhor do que as antigas e você finalmente passa a decidir o que realmente pretende em toda essa jornada.
É preciso todos os dias viver o novo, o desafio, a experiência que não tivemos. E assim acumular livros e histórias pra contar, com o mérito de ser protagonista. Ir atrás de um mundo todo novo em que nada lhe pareça familiar. No começo vai parecer absurdo e impossível, vai parecer que você nunca vai se acostumar. E então você vai descobrir que a melhor forma de manter sua vida ativa e intrigante talvez seja jamais se acostumar com o que quer que seja. É assim que você vai sentir o sangue correndo em suas veias, pulsando quente, forte e vermelho como a cadeira que agora parece lhe sorrir.
Meu, qual era a vaga pra merecer tão belo texto? A resposta será: rapaz qualificado demais para a função.
Era uma vaga de redator pra bula de remédio, basicamente, hahah. Na verdade, era pra trampar na criação de uma indústria farmacêutica, com tudo o que eles produzem lá e tal. Depois de conversar com a mulher do marketing, senti que não ia rolar. E aí escrevi minha redação (que não tinha tema) do jeito que gosto de verdade.