Caminhando, cantando e cozinhando metanfetamina

Outro dia, passando por um dos bares mais “perigosos” do bairro (digo perigoso apenas como unidade de medida, uma vez que ali estão muitas pessoas erradas na vida, mas em seu habitat natural, portanto tranquilas. Sempre apareço por lá quando me sinto mal – ah, sim, falo do Enoch), pensei em como seria chegar batendo na mesa e derrubando garrafas e copos em cima dos traficantes locais, mandar todo mundo a merda que eles mereciam aquilo mesmo, só pela represália de tomar uns tiros ou ser espancado na frente do lugar. Uma bela forma de morrer, não?

E esse sou eu falando de suicídio. Tenho certeza que em algum momento, meu irmão – que nunca mais deu as caras no Capão Redondo – vai ler isso um dia desses e dizer “CHE CHECHE CHE Esse Robinho é Pesado CHEECHECHEEHEHEH” e depois me contar. Saudades, Diguinho.

Mas veja bem, se você está pensando esse tipo de atrocidades no milionésimo de segundo em que está de passagem pelo traficante no auge da carreira (19 anos), o mesmo que você viu crescer roubando salgado na lanchonete de 50 centavos, alguma coisa está mortalmente errada na sua vida.

(Prefiro muito mais escrever “deadly”, mas entrei numa reabilitação de pedantismo fortíssima aqui).

Daí que esse ano tem de tudo pra ser o ano em que deu bosta. Sabe aquela cena de Independence Day em que fica todo mundo olhando a nave mãe abrir as comportas e então começa a sair uma luz azul bonita e, de repente, ela estraçalha o prédio? Essa vibe, basicamente. Tirando o fato de eu não ter um barril com dez milhões de dólares, 2013 está como a quinta temporada de Breaking Bad: tudo dando errado do pior jeito possível.

A propósito, se estiverem precisando de auxiliares de laboratório para cozinhar metanfetamina, sabem meu número.

Parece cocaína, mas é o banheiro de um posto de gasolina

Daí que ontem pegamos uma sessãozinha de filme na casa de M. pra ver o excelente Searching for Sugar Man, documentário lindo, já tinha assistido, mas achei sensacional rever com os amigos e com um pote de batatas assadas e com suco de uva orgânico e ouvindo os beats de C. e deixando Aline irritada enquanto ela me deixava constrangido dizendo como eu cozinho bem.

E depois de deixar Aline em casa, decidi parar no posto, comprar cigarros, abastecer, enfim. Isso tudo lá pelas duas horas da manhã, quando os postos de gasolina estão cheio de pessoas particularmente irritantes com suas camisas polo e correntes de ouro falso, músicas altas demais e cápsulas de cocaína que tumultuam a fila do banheiro.

Eu perco a linha, eu sei.

Existe um determinado espécime nesse universo que a gente só encontra em postos de gasolina depois das duas horas da manhã. Obviamente existe uma galera na boa como estava na hora em que cheguei lá. Havia um pessoal de canto ao lado do banheiro conversando freneticamente (o pessoal da cocaína), um grupo perto da entrada da loja, numa boa e até um pessoal ouvindo funk na outra ponta, mas num volume surpreendentemente praticável.

Acontece que, logo depois de abastecer, ao tentar passar o cartão, a instituição bancária me fez o grande favor de estar fora do ar. Segui esperando. Sentei pra ver a Florence + The Machine na TV da lojinha de conveniência. Fui alertado que não posso consumir bebida alcoólica dentro da loja. Posso comprar litros encher a mente de cocaína e sair dirigindo, mas não posso sentar nas mesinhas. Posso talvez pegar um guardanapo para enrolar mesclado, mas não posso ver a Florence acompanhado da minha latinha de Itaipava. Posso quem sabe fumar ao lado da bomba de gasolina e bater as cinzas dentro do gatilho de abastecimento, mas não posso sentar a porcaria da bunda numa cadeira com uma latinha de cerveja.

Sério, eu perco a linha.

Resumindo algo que poderia ter contado em quatro linhas – e que fiquei dando voltas apenas para reduzir o bounce rate, aumentar a taxa de duração da vista no blog e muitos outros motivos entre eles coletar as informações dos leitores via IP e transformá-las em bancos de dados para empresas que vendem spam, sério, eu não consigo parar de dizer essas coisas, alguém me ajude – ontem eu passei quatro horas da minha madrugada esperando que a Caixa resolvesse voltar a funcionar.

Com a permissão do frentista que, por sorte, não me imaginou um golpista ou qualquer coisa assim, tomei cerveja sozinho observando os tipos que variavam do pedinte, possivelmente morador de rua, parecido com o Das EFX nos anos 90 passando pelo malandro com corrente de ouro, carro tunado e funk num volume que estava disposto a ecoar na zona sul de são paulo inteira; até o casal visivelmente embriagado que num momento conversava com um cara e no outro fazia uma performance erótica (sim, na frente do cara mesmo). Tudo isso acompanhando o espírito de embriaguez do lugar e tentando usar o banheiro competindo com pessoas que iriam usar NO banheiro.

E essa foi a madrugada de sábado. Podia ter ficado no filme e na companhia manera.