Rdio Jives, “Esperança” nov/13

Comecei a usar o Rdio na esperança decrépita de encontrar um grooveshark mais tranquilo e menos lento de usar. Tô curtindo tanto que resolvi fazer a listinha mensal do que mais toca nestes fones de ouvido baratos. Espero conseguir continuar uma lista mensal com essas coisas.

Por falar em esperança, novembro tem sido um mês de esperança. Da vontade de acordar cedo e ver as portas dos comércios abrindo. Embora ainda seja um mês de quartas-feiras pesadas, de lembrar tudo o que tá errado na vida, as coisas parecem um tanto melhores.

Claro que a listinha ajuda.

Pilot

Estaria levando uma vida de seriado se estivéssemos contando a forma com que chego em casa de noite, depois de um dia relativamente exaustivo, cansado dos transportes coletivos da cidade e paro três segundos olhando pra dentro da pequena casa ainda escura, à procura de uma sensação de estar de volta ao lar, que só vem mais tarde, ao trancar a porta e ligar as luzes.

Outra cena boa seria eu preparando a comida para o dia seguinte, mexendo uma panela como quem sabe realmente o que está fazendo. Provando pra ver se o tempero ficou bom, embora na minha cabeça passe apenas um “coloca um pouco de tudo que fica tudo bem”.

E eu olho pra panela lembrando das pequenas grandes coisas, uma ligação da Aline, conversas ocasionais de amigos, a necessidade de continuar no freela, meus pais preocupados com minha situação financeira. Arrumo tudo em pequenos potes, dobro a roupa sobre o sofá, encaixo edredom em cima de edredom sobre a cama. Pego no sono pensando numa palavra que havia esquecido durante o dia.

Uma cena melhor é quando bato no celular despertando cedinho dizendo “FUCK” ou o “OH MY GOODNESS” ao sair das cobertas. A forma com que eu sento na cama, cedo, à meia luz, olhando pro infinito de olhos semicerrados. Quem sabe até a cena tomando cereal e assistindo Grey’s Anatomy contem para um bom roteiro.

Seria tudo um excelente piloto para uma série de drama, mas na sequência vem a cena em que eu entro no banheiro e tomo um banho de balde porque o filho da puta do locatário ainda não teve o dom de arrumar a vazão de água do chuveiro.

Abandono de incapaz

Daí tem essa pessoa que deixa um bebê dentro do carro, na rua do freela. Um carro fechado, sim. No primeiro dia, achei estranho, comentei com a tia que também estava apavorada.

Um cara ligou na polícia. Disseram que tinham trocado o bebê por um boneco, ou que o bebê era um boneco, algo sobre um boneco, enquanto o cara do freela jurava que tinha visto o bebê se mexer e tudo.

Eu passei por lá novamente hoje, lá estava o bebê. E, bem, como não vi se mexer novamente, talvez seja mesmo um boneco desses super reais.

Você precisa de um certo esforço pra entender esses bonecos super reais. De um maior esforço pra entender gente que gosta de bonecos super reais. Agora calcule o esforço em entender alguém que deixaria um boneco desses super reais com o cinto de segurança encaixado na cadeirinha especial pra bebês do carro.

Sim, exatamente.