Estou de joelhos pro mundo. De joelhos, não como quem se prostra, mas como quem se abandona. Um jogador depois de perder o último pênalti na Copa do Mundo. Olhando a tudo cada dia menos surpreso, cada dia mais calado e distante. Eu sinto o mundo me batendo pelas costas, sinto a força da humanidade me crucificar como o que não foi feito pra se encaixar em lugar algum. A quem cobram saúde, roupas limpas e cabelo cortado e que, a despeito disso, segue se alimentando mal de madrugada, usando as mesmas camisetas amassadas e o cabelo desgrenhado como nunca antes. Eu estou sentado à beira do universo, perdendo controle sobre o chão, à beira de um precipício em que tudo parece mais seguro, ao menos, como uma criança que balança os pés sentada num banco de praça muito alto. E eu não sei tocar o chão.
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Leo, encarando foda a chegada aos trinta, a crise que nunca falha.