Dentre quase todos os meus amigos inteligentes, de esquerda ou modernos, existe uma coisa em comum: o fato de relacionar os chamados sapatênis a um estilo de vida tão coxinha quanto o de um rei do camarote. Uma visão de mundo em que todas as pessoas que usam sapatênis frequentam o Franz Cafe e baladas da Vila Olímpia (o que em alguns círculos é o mesmo que dizer que come cocô e usa pochete).
E logo eu que sempre fui o mais crítico neste assunto, certo dia peguei-me numa loja de departamentos tendo de comprar um sapato que custava um tanto caro em comparação ao que costumo gastar e acabei levando também um sapatênis que não me parecia de todo mal, num primeiro momento (a foto está no post anterior, julguem). Ele custava menos da metade do preço do sapato e era, inclusive, mais barato do que os tênis que uso frequentemente. Mas tá, ainda era um sapatênis.
Fui condenado a um paredão de injúrias, de humilhação pública. Pessoas pasmas me olhavam com feições que diziam “como você pôde fazer isso com a gente?”, rostos chocados nos quais podia-se claramente ler “eu pensei que você era diferente”.
Foi o primeiro movimento que traí.
Agora vem a parte em que me defendo. Olha, fazia tempo não usava um tênis tão confortável. Eu acabei comprando outro na sequência e posso dizer, sendo um sapatênis mais rasteiro, ou mais robusto, ambos tem níveis de conforto inacreditáveis. O outro acabei não gostando muito por ser realmente meio coxinha demais, mas esse da foto praticamente calça sozinho.
Daí vem uma pequena dúvida: não sei se todos os sapatênis são baratos ou apenas os que se encontram em lojas de departamentos, mas até agora, não me decepcionaram.
O fato é que também dane-se, né?