em Pessoal

The Cave

Eu tinha dado uma cansada da caverna. Levei por um tempo e tudo, mas o chuveiro começou a incomodar, assim como o aperto e a desordem das coisas em seus pequenos aconchegos. E então eu vi uma barata no armário. Uma senhora barata, com antenas da TV Gazeta, desenvolvida o suficiente para me dizer olá e conversar um pouco sobre o negócio do Stephen Hawking ter meio que duvidado de sua teoria dos buracos negros.
Desenvolvida o suficiente pra ser morta com brutalidade também.
Eis que fui fazer uma faxina, antes de encontrar uns amigos. Tirei todos os móveis de lugar, minha cozinha ficou parecendo um sorteio do caminhão do Faustão (sério, quem é que teve essa ideia genial de colocar aquela pilha de cartas toda no chão?). Quando fui colocar as coisas de volta, vi que rolava abrir um pouco o espaço interno, ganhar um centro de sala, essas coisas que dá pra falar como se não fosse somente um quarto/cozinha e eu realmente morasse numa dessas mansões da revista KAZA. Bem, arrumei do jeito que deveria ter sido desde o começo, com uma distância ideal da entre a prateleira de livros e a cama e um espaço que permita sentar com os amigos pra teorizar sobre essas fitas do universo em desencanto.
(pra beber, claro)
Ainda falta mudar a posição de uns cartazes (tem vários importantes escondidos atrás da estante), mas me deu uma sensação ótima de finalmente estar em um lugar tranquilo e mais amigável pra mim e pro futuro gato.
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.”**Prometo parar de citar Fernnando Pessoa assim que uns cinco dos oito leitores deste blog vierem até em casa (e trouxerem uma caixinha de cerveja, obviamente).