ontem
– Essa fonte é a de 9V?
– Isso, mas testa lá, pode voltar aí se não funcionar..
– Opa, beleza. Valeu!
*
hoje
– Opa, voltei aí, não funcionou.
– … (mexendo nas prateleiras, puto)
– tem o negócio da polaridade, né?
– é.
“- alô (…) não, não vou (…) escuta, eu já falei pra vocês pararem de me ligar, entra com recurso judicial, mas para de ligar aqui, tá virando perseguição. Bom dia”
desliga furiosamente o telefone.
– Foda, bicho, mulher comprou aqui e agora quer o dinheiro de volta, tomar no cu!
– Putz! (digo isso em um óbvio semiestado de choque e pensando como o tio não se lembrou que eu vim trocar as fontes e que caso eu não queira uma gambiarra nas minhas fontes ele vai ter que devolver meu dinheiro e aí ele reclama pra mim sobre alguém que tem o mesmo problema que o meu, embora o meu tenha sido uma fonte de energia de 18 reais e a moça possa ter comprado um desses teclados vagabundos que claramente estão há anos parados nesta toca que ele afirma ser uma loja de instrumentos. Teclado esse que pode ter servido como casa para milhares de micróbios, bactérias em caixas onde viveram gerações inteiras de famílias de baratas e o tio ainda tem o dom de cobrar 580 reais. Agora o cara não vai querer me dar o dinheiro de volta e eu vou ter que dizer grosseiramente pro filho da puta ficar com as fontes pra ele, mas na saída roubo pelo menos uns quatro cabos e três jogos de corda, esse tiozinho vai ter o que merec…)
– Pô, não tenho sua fonte, mas posso fazer uma gambiarra aqui que vai ficar ótima, só inverter os cabos, te interessa?
– Cl-claro, manda ver!