Eu admito que até agora fui na sorte. Com decisões tardias, com desespero, sozinho e com trampos mal pagos, inconsequente com o que quer que aparecesse na minha frente. Vendo os amigos se dando bem na vida e feliz por cada um deles terem se descoberto e formado famílias. Destruindo amores e sendo destruído por eles, como daquela vez que fiz um campeonatinho de ‘tirar fininha’ com um cara na marginal pinheiros. Começamos brigando, nos tornamos amigos e buzinamos. Nunca vou esquecer aquele dia. E esse sou eu comparando a liquidez dos amores e das amizades de trânsito. Minhas memórias estão perdidas, descobri esses dias. Traumas. Milhões deles. E programas de domingo olhando pro meu pé no chão ouvindo a voz do Rodrigo Faro. Eu me vejo assim. E com umas migalhas de pão por cima da camiseta, talvez uma mostarda também, pra dar aquele ar blasé de vida destruída. Estou acostumado a me mudar, a me adaptar, a viver a mesma vida em ocasiões diferentes. Nunca me acostumei a viver outras vidas no mesmo lugar. Provavelmente é o que 2015 deve começar a me ensinar.
- Conteúdo relacionado por Tag
- 2015
- mais que na hora parça
- mudança de planos
- viagem
- vida