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Acordei no dia 25 com uma música na cabeça. Não era uma música de um disco, nem com link no youtube pra deixar o post mais bonito. Era uma música que marquinhos escreveu e fizemos à distância. Uma frase simples, de uma parte ainda mais simples que definiu tudo o que vivo, tudo o que tô querendo pra essa vida mais ou menos, pra cada desilusão que já tive, pra cada vez que tiraram a minha vontade de estar aqui com esse sorriso bobo, esse corpo desumano e esse bem estar aleatório que me faz essa pessoa que você provavelmente conhece. E o trecho dizia apenas: “say goodbye to bad memories”.

Feliz aniversário pra mim.

Scroll lóqui

Coloquei a cabeça no travesseiro e dei meu último scroll aleatório da noite, desses que você passa 5 posts e cai num cara falando do corinthians, ou que está assistindo breaking bad, ou que o Vingadores novo é o máximo. E eu daqui, com uma cabeça conturbada que já aprendeu com o tempo a ignorar o rancor como sugeria o Dexter (o rapper, não o personagem da série) num já longínquo 2005, me desligo de um mundinho maluco em que as pessoas estão eternamente em conflitos mútuos o tempo todo, por birras, por microlinhas tênues de amizade, aparências, caronas, esperanças.

Me incomoda a sensação de já não saber mais o que fazer aqui. Me bagunça a cabeça ver que todas as escolhas que fiz (mas principalmente as que não fiz) me levaram a um lugar tão pesado e tão distante quanto esse travesseiro cheio de culpa e pequenos remorsos. Tudo fica maior e mais confuso depois dos 30. Não é mais um pequeno detalhe bobo que vai lhe tirar o sono. Não é mais deprezinha e misantropia, é a incerteza do futuro, palpável ou inexistente que escancara a porta da sua ansiedade e vai fazer qualquer testemunha de Jeová ou vendedor de detergentes palestrar por horas.

Não, eu não tô fazendo sentido. Talvez seja só o final das férias, só o aniversário sábado ou só a vontade inacreditável de organizar a biblioteca do condomínio dos meus pais. Eu só espero estar com a cabeça e o coração no lugar neste ano que tá pra recomeçar.

a/c Netflix

Robson Assis
30 anos
Brasileiro
robsonc.assis@gmail.com

Resumo

    • Intenso divulgador de séries antes delas se tornarem hype
      (i.e. Breaking Bad, Unbreakable Kimmy, Orange is the New Black, Orphan Black)
    • Acalmo geral sobre a chegada da última temporada de How I met your mother (e defendo o final maravilhoso)
    • Também acho Kevin Spacey o melhor garoto propaganda que um serviço poderia ter
    • Prefiro Claire Underwood loira

Formação

    • Uma adolescência assistindo séries para semiadultos
      (i.e Um Maluco no Pedaço, Full House, Marriage w/ Children, Anos Incríveis)
    • Sonho com uma faculdade igual a de Community (apenas pelo paintball levado a sério)

Experiência

    • Escrevi sobre o final de LOST aqui
    • Já fiz noites de filmes e escrevi sobre alguns.
    • Certa vez, classifiquei Pulp Fiction no gênero Gangsta Bíblico.
    • Assisti Clube da Luta mais de uma centena de vezes e Beleza Americana, pelo menos 50 vezes.

Atividades Extracurriculares

    • Comecei nesta vida de tagger ao baixar séries de torrents, P2P e só mudei ao conhecer o Netflix
    • Parei de ir ao cinema uma vez que o valor do ingresso às vezes é maior do que a minha mensalidade

Conhecimentos e Softwares

    • Antecipo falas de How I met Your Mother (qualquer temporada)
    • Uso chromecast para aprimorar a experiência

(A quem não entendeu nada, o Netflix publicou uma vaga inacreditável esses dias.)

Pormenores

Opa, mas é claro que escreverei quatro posts na sequência, tendo em vista que estou de férias fuck the police (e um agradecimento especial a Shhhu Caldas que me cobrou veementemente a periodicidade que eu prometi).

Portanto este é o segundo, apenas repleto de pormenores para dizer que Tyler quebrou o vidro da porta da varanda (gatos são específicos quando o assunto é quebrar coisas). Eu presumo que tenha sido Tyler porque (a) sempre é culpa dele (b) ele transformou a sala num ginásio de treinamento para as Olimpíadas dos Pets que acontecem em vai saber quando, uma vez que acabei de inventar o evento e (c) é sempre culpa dele.

Marla está cansada de tanta molecagem, quer apenas a sorte de uma mochila deitada no chão para acomodar suas patas, mas não, tem um irmão que derruba de cadeiras a equipamentos tecnológicos e ainda caga deliberadamente no chão da cozinha.

Não me entenda errado, Tyler é o mais fofo dos dois, quando está com preguiça e/ou simpático com as visitas (embora ele só tenha realmente conhecido meus pais, por ser este gato medroso que se escondia debaixo da cama quando ainda cabia lá e tinha mais alguém em casa) ou ainda quando deita sobre a minha face fazendo com que na manhã seguinte eu tenha mais pelos de gato no meu organismo do que ele nas costas. Porém, é o black block dos gato™ e necessita de intervenção do Estado.

Outro pormenor bom de contar é que hoje eu trouxe duas caixas de papelão do Sujão (meu fraterno apelido ao Ricoy de Cajamar) e agora Tyler está praticando salto ornamental nesta madrugada nada menos que fabulosa.

Tyler é Brasil nas Olimpíadas.

Bem, obrigado

O período em que deu-se a minha entrada de férias foi a semana mais maluca e psicologicamente confusa de todos os tempos tendo em vista que trabalhei como um revisor com metas inalcançáveis por uma semana inteira, fiz um rolê absolutamente lindo na véspera de feriado e no dia seguinte estava tocando com a banda que tá pra voltar, embora nunca volte verdadeiramente, numa noite em que tomei duas ou três intervenções de amigos e acabou dando tudo certo no fim das contas e no dia seguinte ganhei cervejas de Fefa e vimos a ocupação da Hilda Hilst comentando sobre o absurdo de você ter uma vida dedicada a arte e depois de anos da sua morte as pessoas passarem a venerar uma folha da sua agenda com um desenho tosco que você fez enquanto falava no telefone com a moça do Mappin pra saber se dava pra trocar aquele presente da sua tia que você ganhou e não servia.

Em uma semana a vida passou a ser uma Cajamar no sentido de que esta cidade tem mais subidas e descidas do que jamais poderia imaginar, eu moro no fim do morro, dá pra ver os arco-íris e toda a neblina cobrindo a cidade, por exemplo.

Faz tempo que não curtia a sensação do novo. A sensação de primeiras vezes, de não saber como lidar com a situação. Não sei se é melhor que a monotonia, mas certamente é mais divertido. Estou feliz, em muito tempo. Embora isso não queira dizer muita coisa, afinal, a felicidade é ponto de vista, passageira, cobradora e motorista (desculpem por isso).

Sinto meio que um feriado mental, não sei se é uma boa expressão, mas é como se minha mente me desse uma folga, como se o mimimi do overthinking já não fosse mais tão pesado.

Vai tudo bem quando a gente não se tortura tanto.

E estamos aqui chuva negra, paramos de crescer, passamos a envelhecer, a se degenerar. Meus dentes quebram toda semana e eu já não sinto muito que vou durar, essa é uma verdade que digo apenas para mim (e pros meus milhares de leitores, beijo brasil).

Desculpem a melancolia, passou um Edgar Alan Poe aqui por quinze segundos. E fica o aviso para Camila que o clube da depressão da madrugada, aparentemente, está de volta por 20 dias úteis, vemk me abraça.

Hora da aventura

O estado de transe é meio traiçoeiro, meio fugaz, de mentira. Ele apareceu ontem quando eu tava ouvindo a trilha de a vida secreta de Walter Mitty e, numa conversa, sendo esta pacata pessoa que faz piadas pra esconder o embaraço. E eu disse pra mim mesmo que era hora de saber fazer isso direito. Isso de viver. De ser displicente. Do direito de se esborrachar. Porque não é tão legal quando a gente se esborracha o tempo todo. Quero também o direito de estar de pé quando tudo o que restar for sonho e purina cat chow para ambientes internos. E talvez olhar pra frente e talvez sorrir desse jeito, como o kevin spacey no final de beleza americana que, olhando pra parede, vislumbra tudo o que passou até chegar ali (e aí toma um tiro na cabeça de um redneck homofóbico e gay enrustido, mas aí é outra história).