em Pessoal

duas coisas que odeio

O grande problema do cinema nacional não é que os filmes não tenham final. Não é também que tenham um final autoral que fala muito sobre a alma do diretor ou do escritor ou do bezerro que o porteiro do estúdio deu de presente pra filha. O grande problema do cinema nacional não é o fato dos personagens sempre parecerem estar em um certo lado B das novelas da globo, nem o fato de terem umas atuações tão básicas e, no máximo, medianas, muitas vezes pelas limitações de uma história sem profundidade. O grande problema do cinema nacional não é contar histórias que se passam apenas em comunidades carentes ou em coberturas luxuosas de Copacabana. O grande problema não é pegarem franquias-lixo (se é que você pode dizer que “Se eu fosse você” é uma franquia) para torcerem até sair o último centavo do último merchandising do último programa da série que também inventaram pra cavar mais dinheiro de um público que ainda dá risadas de qualquer bobagem seja ela preconceituosa, disseminadora de ódio ou coisa que o valha. O grande problema do cinema nacional é o Lázaro Ramos fazendo todos os papéis principais o tempo todo.

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Eu detesto o trampo de Romero Britto. Sério. Na real, eu detesto trampos que tem um trabalho exterior maior do que as próprias obras. Romero Britto é uma marca, com uns coraçõezinhos e montes de cores. Pra mim. Não esquenta, eu não vou reclamar da sua bolsa temática, ou do seu tênis com as cores alegres. Entrei no bolo das pessoas que o odeiam quando saiu aquela entrevista dele se comparando a Picasso (o PDF ainda está no site, veja bem). Esse Noel Galagher das artes disse que era parecido com o cara que aprendeu a pintar antes de aprender a andar. Que é tão lutador quanto o cara que foi dado como morto no nascimento e voltou a respirar depois de um tio ter assoprado a fumaça do charuto em sua boca. Aí, tudo bem. Semana passada rolou um nerdcast sobre a vida desse fulano e eu ouvi entediado como o último usuário de uma lan house esquecida no centro de São Paulo. Tinha toda uma cara institucional e tava realmente chato. Então ele passou a dizer sobre a infância, sobre como era difícil ouvir ordens de seus irmãos mais velhos, sofrer bullying por gostar de desenhar etc. Me compadeci. Entendi a história do cara como a de alguém que conseguiu se libertar de amarras sociais e trabalhou para que suas obras ganhassem o mundo. Acho que me vi desolado com a possibilidade de alguém tão preopotente ter um background ao menos minimamente gente boa.

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