Era só um texto

O que eu entendo menos que dores de acordar às 5h da manhã diariamente é a burocracia no trabalho. O processo de trabalho é bem simples, na verdade poderia ser feito dentro de minha casa, da mesma maneira que atualizo este blog, mas este é um outro assunto e não vou eu aqui criticar o establishment ou o Amaury vai voltar a me censurar (abs, Amaury! Quando as dores do tornozelo passarem eu colo no basquete, prometo).

Escrever para qualquer site não é uma coisa tão complicada assim, seja ele um e-commerce ou uma campanha de agência de publicidade, ou um release de uma artista circense francesa que faz mímicas baseadas em letras de funk ostentação. É colocar um Word aberto e descrever tudo o que você pensa a respeito, evitando aqui e ali coisas que você não quer que as pessoas saibam #globomente.

Daí estive no médico hoje. A porcaria do tornozelo voltou a arder e eu, mancando mais do que o habitual, descobri que é um probleminha~ no sangue. Neste ínterim, recebi mensagens dizendo que possivelmente entendi tudo errado sobre minhas demandas e acabei deixando um texto por fazer, o que me fez ir até uma lan house, durante a espera da consulta, para terminar a parada.

Mancando como um maluco pelo centro de Osasco em busca de um computador com acesso à internet (meu novo celular não acessa o Google Drive, nem o Gmail pelo 3G nem com uma reza forte), encontrei um desses lugares que vendem peças de computador, tiram cópias, fazem imposto de renda e enviam fax para pessoas que ainda insistem em enviar faxes.

Minha primeira pergunta ao senhor do balcão foi “opa, tudo bom? o senhor conhece alguma lan house aqui próxima onde eu possa usar o computador?”. Simples né? Pelo tamanho do lugar eu imaginei que ele não teria ali uns 4 computadores do fundo, como caça-níqueis ilegais. “O que você precisa?”, disse o senhor. Eu expliquei que precisava terminar um texto para o trabalho e era meio urgente, por isso precisava da lan.

Ele continuou clicando em coisas, olhando por cima do óculos para a tela do computador sobre o balcão. Imaginei que ele realmente fosse me dizer que tinha 4 máquinas no fundo e que eu podia usar um pouco por 10 reais a hora, ou qualquer coisa nesse sentido. Neste instante, ele vira a tela pra mim com o Word aberto, saca o teclado e põe na minha frente.

– Escreve.
– Mas, mas… (rindo muito por dentro) eu preciso de um tempo.
– Você não vai ficar o dia todo, vai?
– Não, mas eu preciso acessar meu e-mail, pegar inf
– Mas não era só um texto?

Rimos muito.
Era mesmo só um texto.

A lan house que encontrei depois provou que eu teria terminado em meia hora, mas para o senhor de trás do balcão era inadmissível que eu precisasse usar também o meu e-mail.

Livros e filmes de março

Cara, sério.
Não aguento mais reclamar da vida.

Livro
Leão de Chácara, João Antônio ★★★★★

Filmes
Dallas Buyers Club ★★★★★
Trumbo ★★★
The Big Short ★★

Séries
House of Cards, season 4 ★★★★★
The Walking Dead, season 6 ★★★

plmdds doutor

A saga de meu pai no hospital do servidor público foi algo que gostaria muito de esquecer. Quando unem as expressões “seu pai” à palavra “UTI” na mesma frase, não pode dar coisa muito boa.

E lá estava ele, numa maca, fazendo cirurgias de risco sem o consentimento de ninguém porque o hospital esqueceu o telefone da família que, a propósito, não podia estar com ele em quase nenhum momento (a visita era tipo de 15 minutos diários, enquanto ele estivesse lá).

Daí o hospital lembrou de ligar pedindo 30 doações de sangue e sem informar se tava tudo bem. Depois descobrimos que era pra repor o banco de sangue e não necessariamente para qualquer urgência relacionada ao meu pai. Sem saber de nada, desesperamos, obviamente. Meu irmão publicou online, recebemos muitos amigos, vizinhos, pessoas queridas etc e no fim das contas deu tudo certo.

No dia seguinte, ainda não tava exatamente tudo bem, mas ele já estava no quarto normal reclamando que tinham deslogado o facebook dele do celular.

Daí deu tudo certo.