ano VI

Tenho estado meio vazio. Não de coração vazio, mas de mente vazia mesmo. Às vezes penso que é a quantidade de bosta que consumo no facebook. Eu tenho me jogado às piores esquinas das redes sociais, lendo o que os adversários do bem estão dizendo. “Os adversários do bem”, quem sou eu pra dizer uma merda dessas, afinal, o mundo todo é completamente mau. Como aquele cara do Ponte Jornalismo que que se jogou num grupo de Whatsapp só pra ler mensagens de possíveis eleitores do bolsonaro. aquele cara sabe das coisas. sabe extrair o pior do ser humano e jogar ali, num domínio público, pra fazer seu público todo engolir o vômito um pouco antes de continuar o dia.

É isso. Tenho uma certa sobriedade ao ler coisas que possam ultrajar a mim ou a quem quer que seja. Quero entender de onde vem tamanha raiva, como criou-se aquele ecossistema de lixo que levou o comentarista do facebook a dizer tamanha babaquice. Essa sobriedade faz de mim um glossário de memes ruins e/ou preconceituosos, envolvendo política ou não, porque o brasil agora tem dois times rivais (e eu sou pt mesmo, lula 2018 e quero que vocês se fodam, um beijão).

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Esse dilema todo me transportou para uma certa crise de desinteresse. Eu abro dez textos no Medium e leio 4 pela metade. É quase interessante como eu vou gradualmente perdendo o foco e tasco um spotify sem nem perceber às vezes. Quando passam dois dias eu fecho os que sobraram, lendo por cima. Situação belíssima, para não dizer trágica e fatal.

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Mais cortes no trampo.
Dias antes das minhas férias terminarem.

Sobrevivi a dois e não sei o que será de mim no escritório com tanto eco assim. Virou um silêncio ensurdecedor, como se diz (quem diz?). Exatamente o silêncio do qual eu fugi, quatro meses atrás quando me mandaram do cadastro pro estúdio.

Estamos aqui, vivos, com uma cartela do Burger King pra trocar por lanches e saudade dos parças, que me fizeram chorar pra caralho no meu aniversário, ainda de férias, quando mandaram me entregar em casa um vinil do Sabotage, relançado mês passado pela Somatória do Barulho.

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Este blog completou seis anos de idade e vamos ter que matricular ele na escola.