Minha ansiedade tem dado surtos catastróficos no último mês.
Acontece que eu tenho essa situação-problema da qual eu não consigo sair. A dor de cabeça já devia ter passado a essa altura, mas ela segue em frente me acompanhando. Então eu sofro. Pensando no próximo e-mail que vou receber, no dinheiro que não vou ter, nas obrigações que terei de cumprir. Eu sei o quanto corri atrás de tudo pra fazer as coisas do jeito certo. Eu sei também que deveria ter feito muito mais. E me culpo o tempo todo por não pensar com tanta antecedência sobre tudo o que poderia acontecer e vem acontecendo.
Não é nada demais, gente, mas a minha cabeça trabalha de maneiras tão misteriosas que nem sei lidar.
Acredito que tenho descoberto, finalmente, o que é ou como funciona a ansiedade. Espero que ela não evolua e acabe ficando ali quietinha no lugar dela, esperando momentos absurdos como este que vivo para agir. É preciso conviver. Às vezes eu tiro a cabeça do problema e avalio ele como se estivesse assistindo a vida de outra pessoa. E parece que fica tudo bem no final, vai ficar. Eu só não consigo ter milhões de afazeres durante o dia e ter que lidar com este verme me comendo o cérebro de dentro pra fora.
E então vem a tremedeira, o calafrio, a sensação de estranhamento e qualquer riso das pessoas de fora faz com que elas soem insuportavelmente felizes. Qualquer música mais alegre me irrita, qualquer conversa que não seja profunda ou repleta de sentido, me deprime. Portanto, não tenho trabalhado direito. Não tenho paciência para livros ou músicas, apenas para o burburinho sem sentido das pessoas na estação de metrô (eu não as ouço, apenas os barulhos, mesma técnica que uso no trabalho selecionando o Coffee Shop no A soft murmur).
Espero que tudo isso passe logo. E que não se agrave mais.
Não sei do futuro, mas os pensamentos horríveis que começo a ter sobre a vida não são exatamente um bom sinal.