Não sei de todas as coisas que me aconteceram essa semana, qual a mais peculiar. A começar pelo cara entregando folhetos dentro do shopping Vila Lobos que me disse “porra, bota um som aí nesse carro, cara, um sertanejo, um rock aí, irmão”. Aceitei o papelzinho e saí do estacionamento. Já na marginal, descobri que o papelzinho se tratava de venda de apartamentos e nada de som automotivo.
O nível de audácia de uma pessoa que te diz “bota um som aí irmão” enquanto você está tentando apenas passar o ticket na cancela da saída é algo que tenho alguma inveja, no íntimo. Afinal, eu devia estar ouvindo um som mesmo. Sábado, cacete, bota um racionais aí pra todo mundo ver que você tá ouvindo, ladrão, seria pedir demais?
Seria.
Outro caso misterioso foi a roda com saudades de sua função social. Como devo ter deixado claro neste blog, na semana passada mudei novamente e agora aqui é capão redondo porra no meu novo lugar, reconheço como estava com saudades de ouvir todos os discos do revelação em looping tocando ao mesmo tempo diferentes músicas em diferentes casas.
Daí, vamos à roda. Estava eu numa pequena grande avenida do bairro, cujas ruas transversais são, em geral, ladeiras. Parado no trânsito, olho pra frente e vejo uma roda descendo sozinha uma dessas ruas, até bater num carro estacionado na avenida. Uma roda provavelmente cansada de ser deixada de lado, vista apenas como decoração de borracharia e, como projota, resolveu descer a ladeira pra ver o que tinha por lá.