Vai acontecer qualquer dia desses.
Tudo o que você achava atraente, incrível, que lhe fazia bater mais forte o coração, vai perder a graça. Do dia pra noite, nada do que você escreveu vai parecer fazer muito sentido. E você vai fazer café às 2h28 da manhã pra colocar a cabeça num lugar que talvez nem ela quisesse tanto assim estar.
Nestes dias a gente se sente sozinho o suficiente pra conversar como se tivesse alguém com a gente em casa, além dos gatos dormindo no sofá. Você vai conversar sobre o que fazer com tudo aquilo, afinal, mano, é sua vida, detalhe por detalhe, relacionamento por relacionamento, historinha ruim sobre historinha ruim.
Mas a gente nunca chega a conclusão alguma.
Especialmente nós, os perdidos. Os desencontrados, pra melhor dizer. Aqueles que sabiam para onde estavam indo, tinham uma direção quase que linear, podiam prever seus futuros, as pessoas que estariam lá, os amigos do dominó, os familiares que viriam comer pizza às sextas, ou que nunca viriam. E, de repente, a gente se desencontrou. Puxamos uma alavanca errada e o bondinho da vida caiu num precipício que a gente não sabe sair. Um poço sem fundo, sem resgate.
Essa é a sensação. A de quebrar um espelho e, depois de quase sete anos de perengues, derrubar um outro, para renovar aquele azar que já é quase instrínseco a nós, os desencontrados.
Se entreolhar no corte do vidro, com a cara desfigurada e torta tentando entender qualquer coisa que nos leve a um nirvana singelo, uma experiência extrassensorial que aguce os sentidos e nos torne melhores, convictos, certos de um futuro que nos espera ansioso.
E quem sabe assim poder deixar todo esse pesadelo esquecido na mesma gaveta de tudo aquilo que já não vinha dando certo e a gente teimava em narrar como se nossa sanidade mental dependesse disso.
Vai ver dependia.