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Você já viu esse vídeo?

De tempos em tempos, alguém muito empolgado me mostra um vídeo qualquer, geralmente me chamando com frases “caraca, você viu esse aqui do granizo, noossa, se liga, vem ver” ou “porra, bonita essa propaganda, chega aí, emocionante, velho” falando do dia que um sorriso parou São Paulo, ou qualquer desses vídeos que todo mundo com o mínimo de interação social já viu (se não viram nenhum dos dois vejam agora, são só exemplos, não se culpem).

Claro que depende muito da empolgação em questão e do coeficiente de flagelo indireto que você vai provocar, aquilo que vai fazer o cara se sentir um bosta quando você disser ‘mano, você tá vendo ali no canto quando esse vídeo foi postado, isso, 2005, eu vi no terceiro ano de faculdade’. Quando você diz que já-viu-essa-parada, você quer dizer que o cara não é único no mundo. Acontece que, às vezes, é preciso dar às pessoas o sabor de se sentirem especiais. É quase como um auxílio humanitário, mas em proporções obviamente menores.

Então começo a fingir espanto e admiração quase estourando a medida, afetado por um overacting foda (Jim Carrey em ‘O Máscara’, saca?) e tudo acaba bem comigo dizendo ‘po, me passa aí que eu vou encaminhar também’.

Isso também denota meu total e desnecessário apego em manter as coisas bem como estão, por essa deficiência em me intrometer no curso dos acontecimentos ao meu redor. E cada vez que eu finjo, o universo marca um risco na parede.