Estou assistindo SILO (Apple TV) e fico me perguntando se em algum momento da história futura vamos parar de assistir produções que interessem quase que exclusivamente ao algoritmo. Claro que SILO é um livro de 2011, muito à frente de seu tempo cujo autor jamais imaginou que entraria nas graças de uma conta matemática que o colocaria em alta com a possibilidade de uma mega produção multimilionária, mas vamo lá né, gente.
Em todo caso é uma boa série. A primeira temporada tem cenas (e até episódios inteiros) angustiantes num nível que eu não sentia faz tempo, daqueles que a gente fica se coçando ansioso, colocando a mão na frente dos olhos gritando NÃO CARA, SAI DAÍ LOGO e lembrando quando jogava Need for Speed e virava o controle junto na hora da curva.
A história trata de um mundo que parece um prédio gigante separado em níveis por uma única escada (depois não sabe porque o Adorocinema não te contrata). As pessoas moram nestes níveis e não entendi até agora até que nível vai, mas quem está na parte de cima são mais ricos e com mais possibilidades de uma vida tranquila e, quem está mais embaixo, bem, você pode imaginar.
Curti a parada de multijornadas do herói. Num mundo meio controlado e pequeno e com um monte de altas personalidades fortes, cada personagem tem uma história da pesada e muito boa de ser contada, aparentemente (entra aqui a possibilidade de um caralhau de spin-offs medíocres também).
Quando comecei este texto “reclamando”, no fundo é só porque as coisas que fazem sucesso hoje em dia juntam tudo que já deu certo numa receita só*. Isso não está essencialmente errado, mas cansa um pouco entender de cara como está sendo contado e que a segunda temporada vai ser sobre lobby, conchavo e umas pré-revoltas. Posso dizer superficialmente que SILO é uma fusão de LOST com uma pitada boa de House of Cards, ambientada naquele cenário de A Ilha (já falei aqui outro dia).
Virou minha série do almoço e está valendo a pena, embora a) tenham saído poucos podcasts para falar sobre o assunto (pra não dizer um único) e b) a segunda temporada seja escura demais e talvez eu precise trocar a TV da sala para outra parede onde o sol não seja tão forte etc.
Mas aí o problema é meu, eu sei.
*Não falo nem somente de cinema ou de séries, mas veja no mundo da música a quantidade de discos novos que parecem simular Caju da Liniker (um sucesso inegável). Um grande exemplo é aquele disco da *trecho removido pelo advogado do robsu*.
