em Pessoal

Coming Soon

Ontem, troca de um quarto para o outro. Tirar prateleiras da parede, realocar livros, discos e filmes, esconder material pornô, espalhar as gavetas, reunir milhares de sacolas de lixo e a parte mais difícil: retirar os cartazes da parede.

Meus cartazes são minha história, ou parte dela, entende. Desde o primeiro que descolei do muro do Hangar 110 (pra só anos depois descobrir que o cara que cola no muro fica puto quando alguém tira seu cartaz de lá por any motivos) até os shows que toquei, produzi ou fui do street team que descia a rua Augusta com uma lata de cola caseira estampando levas de cartaz em cada quadro de distruibuição telefônica que parecesse amigável.

Tirei cada um deles, retirei suas fitas adesivas, rasguei um dos principais sem querer, merda. Empilhei todos, lembrei de cada dia, cada atraso, cada sensação única, cada respingo de cola que ficava na mochila de recordação. Enrolei todos e passei a fita isolante. Porque ‘eu posso não acreditar em muitas coisas, mas na fita isolante eu confio’.

E aí veio aquela sensação de final de temporada, sabe, quando um ciclo é fechado e tudo que vier além daquilo pode ser constrangedor. Porque você não precisa abrir mão daquilo que te faz bem, mas um hiato pode criar uma segunda temporada muito mais interessante.