Você realmente sente algo quebrar. Algo que não é de verdade, mas faz doer. Faz você ficar pensando a todo instante se está mesmo tudo bem, se tudo que você tem na vida não vai se transformar em água e escapar pelos seus dedos. Todo mundo tem uma música pra quando as coisas dão errado (ninguém tem). Talvez por isso eu tenha essa lista de execução tão meticulosamente elaborada (duas músicas até agora). É estar na pele daquele personagem que esperava que nada em sua vida fosse dar muito certo e, de repente, quando começa a querer reverter sua situação, tudo desaba à sua frente, como se estivesse esperando um sinal. Todo esse tempo livre me trouxe a sensação de que os afazeres da vida adulta não apenas te limitam, mas te privam de pensar sobre a vida, pra onde tudo está indo e, droga, como essas pessoas do sacolão trabalham tão sorridentes? Mas ainda assim te livram de uma solidão existencial destinada apenas aqueles que estão escrevendo posts depressivos às cinco da manhã e aceitam falhar miseravelmente ao tentar dormir nas horas certas.
A velha sensação de se sentir alheio a tudo muito provavelmente nunca vai passar.
“A noite é como um olhar longo e claro de mulher.
Sinto-me só.
Em todas as coisas que me rodeiam
Há um desconhecimento completo da minha infelicidade.
A noite alta me espia pela janela
E eu, desamparado de tudo, desamparado de mim próprio
Olho as coisas em torno
Com um desconhecimento completo das coisas que me rodeiam.
Vago em mim mesmo, sozinho, perdido
Tudo é deserto, minha alma é vazia
E tem o silêncio grave dos templos abandonados”