ou não venha

Calma.
Respira.
Reescreve.

Meus processos de composição de coisas em geral precisam ser assim, ultimamente. Caso contrário vou acabar atacando firmemente pessoas e ideias, ou vou apenas dramatizar ao extremo situações banais que não mereceriam a menor atenção. Então eu acalmo. Deleto tudo, ainda que tenha escrito o maior excerto publicado em um blog pessoal nos últimos dezesseis anos. Respiro pra lembrar que já estive lá, sei como é a sensação de não pertencer, sei que ela continua e, se eu tiver paciência, ela acaba indo embora, dando lugar a uma frustração maior e talvez até mais difícil de lidar, se você olhar com carinho.

Aí volto a escrever.

Meu momento atual requer um cuidado especial. Da última vez em que estive nessa, eu dormi na rua da pior forma possível, preocupei a família, fui ofensivo com pessoas que não mereciam e receberam seus devidos pedidos de desculpas (embora a culpa fique para sempre). Bebi demais, estraguei momentos da minha vida que não deveriam ter sido trocados pela leveza extraordinária de uma garrafa de whisky de 9,90 misturada com guaraná convenção.

Eu só não consigo lidar mesmo de cara limpa, com o peito aberto e talvez seja só isso que me falte. Voltar a olhar o dia como algo útil para brincar com meus gatos, pra ver o sol nascer e se pôr, ao invés de olhar meu celular a cada dois minutos em busca de uma mensagem que resolva completamente a minha vida, que me conforte e me reconcilie com o universo.

As mensagens não vão chegar.

E este nem é o maior excerto publicado em um blog pessoal nos últimos dezesseis anos.

um demoreel das minhas bad trips em 2017

Parece que passamos, juntos, pelos piores tempos. Eu e este blog. Eu quis terminar tudo com ele ontem, percebi meu último final de ano e como ele tem se repetido de um jeito trágico durante tanto tempo. Eu passei a escrever aqui para desaguar da cabeça o monte de merda que mantinha comigo. Às vezes muito engraçada, grande parte das vezes trágica, e uma parte ainda maior das vezes cômica de um jeito psicótico, como se estivesse sendo escrita por alguém que realmente me detesta, ou quer iniciar uma nova escola de bullying profissional, com certificados do MEC.

Estes dias, durante o mais pavoroso dos finais de ano que já vivi, comecei a escrever um post amargurado sobre a fase que estou vivendo hoje e notei: estava falando o mesmo de anos atrás, mas agora sobre outras pessoas. Notei, enfim, que o problema sou eu e se existe alguém que precisa dar um tempo com isso aqui, essa pessoa sou eu.

Parece que não consigo mais ler, escrever, tocar, conversar, criar. Manter meu blog tem sido um fardo, pra dizer a verdade. Eu começo posts e não termino, eu tento mudar layouts e não quero mais, eu escrevi ontem um post de despedida e acabei de deletá-lo porque me detestei ainda mais fazendo isso.

Tem a ver com a vida que levo em 2017.

Me pego em silêncio olhando pro teto, ou pro infinito, mais vezes do que posso me orgulhar. Quando volto pra vida real, Marla me olha cabisbaixa, sem entender. Eu fiz dela uma gatinha um tanto triste com sua própria existência, assim como eu sou. Isso me machuca mais do que qualquer outra coisa.

Eu tive tantos planos pra coisas que não deram certo, tantos sonhos que não vingaram até agora, tantos amores que perdi por viver num mundo despedaçado que eu mesmo ajudei a construir. Agora eu tenho um puff grande pra deitar no chão, zero intenção de me tirar da lama, falta de criatividade, um coração rasgado em pedaços por tanta mágoa que consigo acabar esquecendo, mas que não deixa de ficar registrada. As marcas são pra sempre. Conviver com elas me faz forte, ao mesmo tempo que vai criando em mim esse ermitão que passa o ano novo com os gatos, esperando dar meia noite pra abraçá-los e evitar que eles tenham medo dos fogos.

Sou esse tipo de estereótipo em 2017. Caindo no chão de novo, olhando o mundo todos os dias como se fosse a última vez.

Minha distância do mundo das pessoas é algo pavoroso. Sinto falta de não pensar em nada que me machuque de alguma forma. É um sentimento mesquinho, egoísta, raso. Me sinto cada vez mais socialmente doente, cada vez mais sozinho e, caso pare de beber realmente, vou me despedir de vez das interações sociais (que hoje só se dão quando estou bêbado ou em vias de ficar bêbado).

E aí vem aquela vontade forte de deixar de existir.
Essa eu nunca consegui evitar.

Relícario descontrole

Tava pra sair faz tempo o blog de dieta. Passei pela fase de achar que um vlog era o certo a fazer, mas aí caí na real de ter 32 anos e precisar de mais do que um diário pra manter um canal no youtube. Aí criei o blog, pra não deixar os textos perdidos por aqui. Quem estiver numas de acompanhar essa saga e todas as minhas peripécias pelo caminho (21kg depois, são várias que não dá mais pra contar nos dedos).

https://medium.com/relicariodescontrole

relicas

No que você está pensando?

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Não sei de todas as coisas que me aconteceram essa semana, qual a mais peculiar. A começar pelo cara entregando folhetos dentro do shopping Vila Lobos que me disse “porra, bota um som aí nesse carro, cara, um sertanejo, um rock aí, irmão”. Aceitei o papelzinho e saí do estacionamento. Já na marginal, descobri que o papelzinho se tratava de venda de apartamentos e nada de som automotivo.

O nível de audácia de uma pessoa que te diz “bota um som aí irmão” enquanto você está tentando apenas passar o ticket na cancela da saída é algo que tenho alguma inveja, no íntimo. Afinal, eu devia estar ouvindo um som mesmo. Sábado, cacete, bota um racionais aí pra todo mundo ver que você tá ouvindo, ladrão, seria pedir demais?

Seria.

Outro caso misterioso foi a roda com saudades de sua função social. Como devo ter deixado claro neste blog, na semana passada mudei novamente e agora aqui é capão redondo porra no meu novo lugar, reconheço como estava com saudades de ouvir todos os discos do revelação em looping tocando ao mesmo tempo diferentes músicas em diferentes casas.

Daí, vamos à roda. Estava eu numa pequena grande avenida do bairro, cujas ruas transversais são, em geral, ladeiras. Parado no trânsito, olho pra frente e vejo uma roda descendo sozinha uma dessas ruas, até bater num carro estacionado na avenida. Uma roda provavelmente cansada de ser deixada de lado, vista apenas como decoração de borracharia e, como projota, resolveu descer a ladeira pra ver o que tinha por lá.

Talvez a coisa realmente peculiar foi o dono do antigo apartamento me pedindo 3 mil reais pra reformar o lugar.
Direcionem boas vibrações pra cá, não tá fácil.

Classe de 2006

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Meu reencontro com o pessoal da faculdade foi mais feliz do que eu imaginava que seria. Semanas antes já me imaginei cantando classe de 97 no caminho de volta, “prefiro ter na memória os dias em que fomos iguais”, chorando pela sensação de derrota social que estes eventos podem proporcionar numa cabeça já repleta demais de overthinkings.

O que aconteceu lá foi apenas a certeza de ter amigos distantes de verdade, mas ainda assim, amigos o suficiente. Me espanta a quantidade de histórias das quais não participei, happy hours que não frequentei quase que exclusivamente por ser como sou. A única péssima sensação foi a de que eu deveria ter encontrado mais essas pessoas todas nestes anos.

Sim, 10 anos atrás éramos outras pessoas, mais idealistas, pós adolescentes, ensimesmados enchendo a cara no bar de quinta feira. Hoje somos pessoas adultas, profissionais, com famílias novas e histórias melhores pra contar.

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jabba

15 dias depois, mais um relato sobre esta tentativa de reeducação alimentar. É uma tentativa despretensiosa, mas que precisa dar certo. Acho que é porque eu preciso dar certo também. Foram 15 dias pouco mais complicados que os primeiros 21 anteriores. Digo isso porque aconteceu de sentir falta de algum sabor diferente num dia ou outro.

As tentações as quais acabei caindo foram 1 halls (não um pacote, uma bala mesmo) e uma banana num dia que cheguei no trampo e não tinham mais maçãs no cesto (agradecendo diariamente por estas frutas no trampo, sério). Ah sim, teve um dia antes de me pesar, que foi uma caralhada de melancia. Não sei porque julguei que não faria muita diferença.

Outra das tentações que me acometeram neste mês foi num dia que a Mari fez a degustação de doces finos para o casamento da Camila e do Danilo. Na ocasião, mandei mensagem pro Diego um tanto desesperado, como um ex crakeiro na porta da biqueira. Conversamos ali 3 minutos e me convenci a não comer nada, embora tenha provado um dedinho de cheesecake de frutas vermelhas, mas apenas porque não sabia qual era o sabor de um cheesecake e sempre ter sido julgado por esse fato (nota pessoal, o sabor é mágico).

Daí, na balança, menos 4kg. Decepcionei um pouco porque esperava mais. Principalmente por estar me sentindo tão bem. Subindo escadas, andando tranquilamente, quase correndo, não fosse meu tornozelo machucado.

Não me sinto menor, não me sinto uma pessoa emagrecendo, de forma alguma (ainda me olho no espelho enxergando o jabba the hut). Mas a diferença física é incontestável. Provavelmente também pelo fato de ter parado de fumar e beber e chegando ao segundo mês sem ressacas, note.

Estou seguindo em frente. Um abraço a todos os envolvidos.

Rio 2016

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Teve esse momento na vida que não sei exatamente bem quando se deu, mas provavelmente por volta dos 30, quando eu passei a me desapegar de gostos por qualquer coisa fora da realidade do meu violão e do meu pequeno universo particular. Acho que veio junto com o fato de nenhuma TV nunca funcionar em nenhum lugar onde morei fora da casa de minha mãe (e o fato de eu também não estar muito ligando em reclamar disso pro proprietário). Acontece que perdi o gosto por baladas, por confusões de gente querendo se divertir a todo custo, cinemas, praças de alimentação, teatros (não que eu tenha ido ver alguma peça nesse tempo todo). E então passei a não assistir futebol de quarta nem de domingo, nem me interessar pela NBA, nem pelas Olimpíadas.

Esta última tem me causado reflexões. Porque, veja, em todo portal de notícias que você entrar, lá vão estar notícias sobre atletas os quais você nunca ouviu falar e sequer se importa. O que não os torna menores que você, acontece que eles fazem parte da sua vida tanto quanto os tiozinhos barbados de chapéus extravagantes abraçados na Oktober Fest de um ano qualquer ou quanto uma mandioca gigante colhida numa pequena fazenda de São José do Rio Preto (pausa in memorian das 5 pessoas que você conhece que fariam piadas automáticas com o termo “mandioca gigante”).

Claro que temos polêmicas gigantes também. Gente horrorizada com a hipersexualização da mulher como se fosse a grande novidade do mundo (provavelmente nunca assistiram pânico na TV), gente rebatendo essas críticas falando de coisas como o tumblr de C. que elogia a beleza e os corpos de atletas masculinos também. Debates que deixam de lado tudo o que circundou esse evento antes que ele acontecesse, como gente que foi desalojada e humilhada durante o processo de construção de um Rio de Janeiro mais gringo-friendly que o habitual.

No fim das contas, a reflexão tem ficado num lugar comum: o futuro. Fico imaginando como será que vou lidar, caso um dia chegue a ficar velho e me perguntem “você lembra muita coisa das Olimpíadas de 2016?” e eu só possa responder com “poxa, pra ser sincero não me lembro muito bem, mas acho que C. tinha um tumblr com corpos de atletas sarados”.

Qui vivra verra.

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21 dias.

Eu comecei uma dieta restritiva com horários certos e comidas certas. Sem Trakinas às vezes. Sem batatinha Lays a cada compra no mercado. Aliás, passei a trocar o mercado pelo sacolão do Capão, que já tem umas saladas prontas bem firmeza, que precisam apenas de uns minutos no vapor, mas ainda assim de excelente custo/benefício (custam menos de 4 interinos).

Descobri que amendoim tem uma gordura boa. E descobri que era provavelmente a única pessoa do universo que não fazia ideia disso. Descobri o valor nutritivo do ovo cozido que, bem, não é lá minha melhor opção de comida durante o dia, mas salva bastante a tarde até jantar. Aprendi que montar minha comida diariamente pode não ser tão difícil assim.

Nesse ínterim, fui começar a tratar meu tornozelo também. Fiz ultrassonografia semana passada. O médico disse algo sobre os tendões estarem inflamados, mas foquei na parte do “tem tratamento, é tranquilo”. Ele me sugeriu andar de bike, caso queira começar a praticar algum esporte.

Outro fato importante desse mês de julho que passou foi ter parado de beber e, consequentemente de fumar. Passei a levar uma garrafa de água no ensaio de terça pra acompanhar a geral. Passei a ser careta nos rolês e conversar melhor, entender melhor o que se passa com cada pessoa. A bebida lubrifica relações de um jeito que a gente não consegue notar. Minha missão nesse estilo de vida novo é entender quem sou perante o mundo. Quem eu sou pros meus amigos, pros conhecidos. Pra daí pra frente ser uma pessoa que se relaciona melhor sem a necessidade de 10 latinhas prévias.

Até parece bem fácil falando assim.

Pois agora eu tenho uma balaça de traficante pra pesar meu arroz, eu guardo as gemas e faço omeletes com presunto e queijo pro Rodrigo (que segue no processo de ignorá-los até que estraguem e aí me pergunta se tem comida). Agora eu tenho uma ecobag que leva e traz meus potinhos dentro da mochila. Tenho uma garrafinha de Jameson que Duds e Leri trouxeram de alguma viagem, mas que agora armazena o shoyu que uso diariamente.

MANO, QUEM É VOCÊ? DEVOLVE O ROBSON!

Se você jamais imaginou esse texto vindo deste blog, não se assuste. Eu também não fazia a menor ideia que teria uma mudança dessas até que ela começasse. E, para tranquilizar mais, não falarei de quinoa ou de lichia aqui, primeiramente (fora temer) porque os detesto. Muito menos farei vlogs diários sobre minha dieta. Embora esteja tirando fotos de todo o processo, obviamente.

Foi uma decisão sobre estilo de vida mesmo.
A aceitação de que essa merda devia parar em algum momento.

Ah, quase me esqueço: emagreci 10kg.

Silêncio ensurdecedor

Há esse barulho em mim.

Nos momentos em que fico calado, ele desperta com furor e alguma sensatez, descobre em mim pistas e reflexões para uma vida que eu nunca soube direito pra onde vai. Esse barulho me incomoda, me faz criar, me faz não ter mais medo e saber que estar sozinho no universo pode ser uma espécie de presente. E estar sozinho no mundo sentindo-se grande e completo é diferente do tédio de estar sentado em frente a um video game esperando os amigos se conectarem na live pra jogar umas missões.

Esse barulho em mim chega a assustar. Me acorda com frases positivas no espelho do banheiro, como dizia a Madre Teresa (que época), me faz levantar com lembranças de músicas que nunca mais ouvi e inspirações pra textos ou outras canções que guardo pra mim. Me faz pegar o violão e acertar acordes para uma canção que me diga exatamente como fazer pra sobreviver por aqui.

A vida é cheia de silêncios também. Nas ruas, no transporte coletivo, no escritório. Milhares de pessoas passando umas pelas outras sem sorrir, ou estranhando sorrisos alheios. Tem um senhor que varre a rua todos os dias cedo, no horário em que estou a caminho do ponto de ônibus. Passo sempre acenando, ou dizendo bom dia. Ele nunca me respondeu. Meu ano sabático no interior me fez aprender a sorrir ou acenar sempre. A cidade traz medo, insegurança, pé atrás. Faz com que as pessoas não respondam mesmo. Eu continuo acenando, como parte dessa resistência.

E para cada silêncio que o mundo me coloca, aumento 2db desse barulho em mim.

Central do Textão

Sempre quis participar de um coletivo de blogs. SEMPRE. Nunca entendi bem porque, mas seja lá o que você estiver fazendo da vida, faz mais sentido quando tem mais gente ao seu lado. Daí descobri por acaso, no Tantos Clichês esse pequeno grandioso projeto chamado Central do Textão (melhor nome, diga-se de passagem) que está juntando um monte de blogueiros por aí. Já são mais de 100 blogs lá. Os posts vão direto pra home da Central, uma coisa linda de se ver.

Dá pra conhecer gente nova, ler gente nova, opiniões variadas e até vidas pouco interessantes como a minha, por exemplo. Deu automaticamente uma baita saudade d’O esquema (na verdade esse ainda existe), do Apostos, da Sociedade dos Poetas Tortos, e até do saudoso Gardenal.org.

Mais do que tudo isso, a ideia desse site é tirar as pessoas do facebook e levá-las a um universo novo, onde as coisas são mais elaboradas e tem menos necessidade de likes.

Tim Berners Lee teria orgulho.