Só você e a sua sombra

Você sabe quando lhe falta maturidade em tudo. Por mais que esteja tudo correndo bem com a vida, vai rolar aquele momento em que você faz a parada mais escrota, pueril e babaca que alguém pode fazer consigo mesmo. E aí vai se sentir um merda querendo enfiar a cara na terra pra sempre, achando melhor não ter acordado de manhã, entre outras pequenas depressões.

E você vai saber o quanto lhe falta de maturidade.

A diferença é quando isso acontece aos 20, você pode escolher um culpado, dizer sobre a influência que tudo o que o cerca têm sobre você, pode querer culpar o mundo pelas redes sociais, fazer uma petição online para tirar a sua culpa da reta nessa inquisição pouco acolhedora que é a nossa mente.

Quando você tem (ou está chegando perto dos) 30, o único culpado é você. Por mais que você queira encontrar uma desculpa esfarrapada a si mesmo, quem vai dormir com aquele monte de chorume na cabeça é ‘só você e a sua sombra’. Na teoria acontece o mesmo aos 20, mas nessa tenra idade você está cercado de pensamentos que fazem você achar que é imortal e que os outros estão todos errados.

É deitado na sua cama olhando pro teto esperando chegar uma fagulha de esperança que evite lhe fazer pensar no que aconteceu ou lembre de algo pior que você fez numa outra oportunidade (note que não faltam oportunidades para se fazer merda nessa vida), que você vai pensar “bem, podia ser pior”. E vai ser pior, hora ou outra, pode acreditar que o que for acontecer de errado vai acontecer e você não vai poder fazer muita coisa a respeito, a não ser remediar uma merda consolidada que vai ficar na sua mente pelo resto da sua vida.

Claro que vai passar. Você vai esquecer. Vai ficar tudo bem quando sua mente decidir dar um autosave direto nesse armário de panos de chão que chamamos de subconsciente. Então um dia, quando você estiver cantarolando o primeiro riff do baixo de sweet child o’ mine, chutando pedrinhas num sábado ensolarado e vendo crianças jogando bola na rua que você vai se lembrar da merda que fez um dia.

E serão 30 segundos de culpa eternamente irritantes.

Dois mundos

Vivo em dois mundos. Em um deles eu sei o que é perfeitamente ideal para a minha vida, o que eu devo fazer para que tudo caminhe no sentido de ficar bem comigo mesmo e voltar a pensar no mundo como algo praticável. No outro eu sou arrastado por uma correnteza de acontecimentos que me levam a caminhos em que me perco sem saber o que fazer, em que preciso tomar decisões e desvios, em que o confronto é sempre inevitável e presente. Obviamente me cabe a segunda opção, a primeira é apenas um mundo de ideias em que eu pelo menos consigo manter o cérebro pulsando feliz.

A despeito de tudo isso, eu preciso muito de um felino que me faça companhia.

Quédizzê.

(O neologismo do final é em homenagem a C., que mudou pra Curitiba por esses dias – privando a todos nós de uma macarronada excelente.)

Em prol dos sapatênis

Dentre quase todos os meus amigos inteligentes, de esquerda ou modernos, existe uma coisa em comum: o fato de relacionar os chamados sapatênis a um estilo de vida tão coxinha quanto o de um rei do camarote. Uma visão de mundo em que todas as pessoas que usam sapatênis frequentam o Franz Cafe e baladas da Vila Olímpia (o que em alguns círculos é o mesmo que dizer que come cocô e usa pochete).

E logo eu que sempre fui o mais crítico neste assunto, certo dia peguei-me numa loja de departamentos tendo de comprar um sapato que custava um tanto caro em comparação ao que costumo gastar e acabei levando também um sapatênis que não me parecia de todo mal, num primeiro momento (a foto está no post anterior, julguem). Ele custava menos da metade do preço do sapato e era, inclusive, mais barato do que os tênis que uso frequentemente. Mas tá, ainda era um sapatênis.

Fui condenado a um paredão de injúrias, de humilhação pública. Pessoas pasmas me olhavam com feições que diziam “como você pôde fazer isso com a gente?”, rostos chocados nos quais podia-se claramente ler “eu pensei que você era diferente”.

Foi o primeiro movimento que traí.

Agora vem a parte em que me defendo. Olha, fazia tempo não usava um tênis tão confortável. Eu acabei comprando outro na sequência e posso dizer, sendo um sapatênis mais rasteiro, ou mais robusto, ambos tem níveis de conforto inacreditáveis. O outro acabei não gostando muito por ser realmente meio coxinha demais, mas esse da foto praticamente calça sozinho.

Daí vem uma pequena dúvida: não sei se todos os sapatênis são baratos ou apenas os que se encontram em lojas de departamentos, mas até agora, não me decepcionaram.

O fato é que também dane-se, né?

We hit concrete

A treta mesmo é só respirar a madrugada. E acordar toda porra de dia pensando nela. E procurar o rosto dela em todo lugar na rua. E não saber explicar nada pra quem pergunta. E evitar dizer pra quem não sabe. E segurar a onda do teto imóvel, desabando no seu sonho. E sonhar com a realidade alternativa em que tudo ficava bem. E responder que não, só quando alguém pergunta se você tá bem. Sentir-se passageiro como a chuva. Dá pra sacar agora como é sentir que você não foi nada. M. disse que vou passar a colocar a culpa no destino. A treta ainda é entender que foi simplesmente sonho demais subir tão alto e esperar que tudo desse certo, esperar que o chão não fosse assim tão duro e confortavelmente aterrador.

A treta mesmo é manter-se vivo (outra boa tradução pro nome do blog, reparem, não é à toa).

Se você tivesse a possibilidade de sentir-se a pessoa mais feliz e realizada que já habitou o mundo por apenas dez segundos, o que você faria sabendo que após o prazo você voltaria a mergulhar no mar de lama que é a sua vida? Como você encararia todo o autodesprezo por saber o que você pode ser e ser apenas o que você é?

Não é retórica, não é só o refrão.

Sobre reduzir-se para caber

Poucas coisas me entediam tanto e me deixam com cara aquela cara de desolação em que a pessoa não vai entender nem se eu tentar explicar. Ter bandas é uma dessas. Tem sempre alguém perguntando se estou ganhando dinheiro com isso (e se não ganha, por que continua?), afinal, as pessoas baseiam sucesso e felicidade apenas ao dinheiro, jamais a satisfação pessoal de fazer algo que liberta.

Daí que Grey’s Anatomy tem os personagens coadjuvantes mais legais de todos os tempos. São sempre os pacientes, dizendo algo super profundo. Neste caso, um cantor de ópera bem gordo recebe a notícia de que pode ter seu pulmão retirado caso algo complique a sua cirurgia, o que pode levá-lo a jamais cantar novamente. Depois de muito argumentar com seu marido, ele dá a resposta definitiva (que anotei pra vida, embora tenha sido usada em outro contexto aqui):

“Eu sou grande. Muito grande. Eu não consigo sentar em poltronas de avião. E como Jeff (seu parceiro) está sempre me dizendo, minhas sensações não se encaixam às situações. Se minha comida vem cozida demais no restaurante, eu fico furioso. Eu quero matar o garçom. Mas não. Eu, polidamente, peço a ele que traga de volta a minha refeição do jeito que pedi. Eu passo dias tentando me reduzir. Ser aceitável. E tudo bem. Porque à noite, quando estou no palco, eu experimento o mundo da forma que o sinto. Com uma fúria indescritível. Uma tristeza insuportável. E uma enorme paixão. À noite, no palco, eu assassino o garçom e danço sobre o seu túmulo. E se eu não puder fazer isso, se tudo que me restar for uma vida me reduzindo, então não quero viver”

Grey’s Anatomy, s06e12, “I like You So Much Better When You’re Naked”

Pilot

Estaria levando uma vida de seriado se estivéssemos contando a forma com que chego em casa de noite, depois de um dia relativamente exaustivo, cansado dos transportes coletivos da cidade e paro três segundos olhando pra dentro da pequena casa ainda escura, à procura de uma sensação de estar de volta ao lar, que só vem mais tarde, ao trancar a porta e ligar as luzes.

Outra cena boa seria eu preparando a comida para o dia seguinte, mexendo uma panela como quem sabe realmente o que está fazendo. Provando pra ver se o tempero ficou bom, embora na minha cabeça passe apenas um “coloca um pouco de tudo que fica tudo bem”.

E eu olho pra panela lembrando das pequenas grandes coisas, uma ligação da Aline, conversas ocasionais de amigos, a necessidade de continuar no freela, meus pais preocupados com minha situação financeira. Arrumo tudo em pequenos potes, dobro a roupa sobre o sofá, encaixo edredom em cima de edredom sobre a cama. Pego no sono pensando numa palavra que havia esquecido durante o dia.

Uma cena melhor é quando bato no celular despertando cedinho dizendo “FUCK” ou o “OH MY GOODNESS” ao sair das cobertas. A forma com que eu sento na cama, cedo, à meia luz, olhando pro infinito de olhos semicerrados. Quem sabe até a cena tomando cereal e assistindo Grey’s Anatomy contem para um bom roteiro.

Seria tudo um excelente piloto para uma série de drama, mas na sequência vem a cena em que eu entro no banheiro e tomo um banho de balde porque o filho da puta do locatário ainda não teve o dom de arrumar a vazão de água do chuveiro.

O Sebo de Custódio

Comecei uns tempos atrás um processo pesado de me desfazer do que não uso. O processo de sempre. Foi-se o baixo, foi-se o Playstation 2 (vendido por um valor que não dá pra pagar uma das 12 parcelas do PS4). Pilhas de roupas e cds. Vinis que ouvi uma vez e larguei. Uma sacola de livros. Bem, a sacola eu guardei por um tempo.

Daí esses dias fui me desfazer dos livros. Ia fazer uma doação numa instituição para crianças com uma doença terrível da qual não me lembro o nome (estou na sétima temporada de Grey’s Anatomy e não lembro o nome de uma doença. Alzheimer mandou um abraço). Antes disso, fui até dois sebos amigos ver quanto valia a sacola de livros. Não preciso explicar essa, vai. No fim das contas não consegui vender porque prefiro doar a me desfazer dos livros por um preço irrisório. De qualquer forma, segue um relato deste dia maravilhoso.

O primeiro sebo era desses chiques, com papelaria, material escolar e tudo mais. Funcionários treinados subindo em escadas seguras, livros em bom estado, gente afetuosa demais segurando o riso pelos meus pobres e amarelados exemplares. Não aceitaram a sacola, obviamente.

Estava com receio do outro sebo. Conheço o dono das vezes em que estive lá. Certamente o ser humano mais caricato dentre os donos de sebos. Vamos chamá-lo de Custódio, porque me parece um bom nome para um dono de sebo caricato. Custódio não sabe formar palavras sem embaralhar sílabas. Custódio é um cara de meia idade visivelmente confuso, que te deixa esperando mesmo que você tenha os livros escolhidos em mãos e só queira pagar. Seu caixa consiste numa mesa com uma tela e uma calculadora. Por detrás dos livros empilhados num corredor onde só passa uma pessoa por vez ele faz uma consulta em alguma espécie de sistema especializado para sebos (foi o que pensei da primeira vez) e lhe dá o valor final. Se formar uma fila você vai precisar dar a volta no sebo inteiro pra encontrar um corredor vazio onde consiga sair dali. Dá pra processar por cárcere privado, inclusive, fica a dica. Não, sem dicas! Pobre Custódio.

Seu tratamento com o público é perspicaz. Se você está procurando por um livro específico, Custódio diz que acha que tem, te deixa um cartão de visita impresso em folha sulfite e pede pra você ligar de volta pra confirmar. Sim, ele te expulsa do sebo com um número e a probabilidade dele jamais lembrar de procurar o seu livro. Custódio não deve receber muitos telefonemas.

Outro interessante ponto do sebo de Custódio: nada que está ali foi organizado de maneira alguma. E não estou apenas imaginando coisas. Enquanto esperava ele debater qualquer coisa com o único funcionário do local (outro caricato, ouvindo sem fone de ouvido seu funk e gangsta rap nacional na mesa do caixa e reclamando porque queria sair cedo pra encontrar a namorada), uma cliente apareceu pedindo livros de serviço social:

– Moço, boa tarde, vocês tem livros de serviço social?
– “Sevicial”, “Sevicial”… “Sevicial” né? Acho que temos alguma coisa de “Sevicial” sim, tem alguma coisa por aí sim.
– Eles estão separados por tema? – diz a moça muito tempo depois, após conseguir relacionar “sevicial” a “serviço social”
– Não, não tá separado não. Não tive tempo. Mas pega meu cartão, dá uma ligada com os títulos que você precisa.

Faz dois anos que conheço o sebo. Nesse biênio de provavelmente muita conversa perdida com seu único funcionário e certamente envolvido por todo aquele funk e gangsta rap nacional, Custódio jamais encontrou tempo de organizar seu acervo de 35 mil livros. A propósito, a informação sobre a quantidade de livros eu consegui sem ao menos perguntar, assim como o fato dele não ter dinheiro naquele dia porque teve de pagar muitas contas. Aparentemente, Custódio acha o máximo perder o pensamento nessas pequenas conversas.

Da última vez que estive lá tirei a prova sobre o sistema especializado de sebos usado para chegar no valor cobrado pelos livros. O preço dos produtos é formado a partir de uma conta simples: Custódio lê o título, digita no Google e abre o primeiro site que esteja vendendo o livro. Desconta 10 reais e aí está o preço final. Pode ser o Maktub ou a coleção completa dos escritos de Freud. Você vai pagar dez reais a menos. Imaginei a possibilidade de Custódio lhe devolver  troco caso o livro custe oito reais, por exemplo.

Está mais do que na hora de escrever uma carta ao Luciano Huck pedindo um fonoaudiólogo e um curso de biblioteconomia a Custódio. Eu faço a minha parte.

(este post corresponde ao ‘Day 17 – Descreva um lugar ou alguém que não goste’ do 30 days writing challenge do blog Spleen Juice.)

Laços

A gente discute e fica triste, se entreolha, os dois se sentindo as pessoas mais erradas do mundo. Provavelmente é isso que resolve tudo. E enquanto isso estamos ali, sentados, ambos de cabeça baixa, procurando pontos fracos no discurso um do outro pra justificar qualquer coisa sem importância que tenha antecedido nosso encontro.

Qualquer coisa boba que no ano que vem não vamos nos lembrar.

Fazemos perguntas sem sentido um ao outro também. Perguntas das quais sabemos a resposta, mas precisamos ouvir da boca do outro pra ter certeza do que já temos certeza. Uma forma de fraqueza tão bonita, tão juvenil. É quase a versão analógica de curtir suas próprias fotos no facebook.

E, num passe de mágica, nossas mãos estão juntas. Estamos sorrindo com meias lágrimas nos olhos, entendendo como é tudo tão pequeno perto daquele laço. Se ainda estivermos chateados, começamos a dizer palavras de conforto sabendo também que seja qual for o monstro, vai ficar tudo bem.

Mesmo assim, ela ainda está sem falar muito, com visível cansaço depois de protagonizar mais aquele emocionante capítulo da novela. Eu olho pra ela imaginando como gostaria de não ser um problema e na merda que seria caso ela não estivesse aqui. Dramatizando como um rei, sempre.

E então ela levanta e veste meu chinelo 44/45, que em seus pés pequenos parecem dois esquis de neve. Caminha com alguma dificuldade até a cozinha e me diz de longe que deixei queimar os pães de alho.

Daí fica tudo bem.

O sorriso de Vercilo

Eu gostava do sorriso do Jorge Vercilo.

É uma dessas coisas que a gente guarda (e uma dessas excelentes frases pra começar um texto aqui, provavelmente). A nova MPB pra mim era o sorriso do Jorge Vercilo. E eu lembro quando comecei a procurar ouvir umas coisas novas de MPB porque, bem, devia ter algo bom e novo, que fosse alegre, mas fosse profundo, espiritual, qualquer coisa. Mas não, não tinha nada. Tinha gente sorrindo. Sempre. E nunca sorrindo como o Jorge Vercilo, que pra mim era esse pioneiro.

Daí você volta a ouvir esse monte de caras velhos e cheios de melancolia compondo clássicos que marcaram gerações inteiras, passa a aprender no violão que a tristeza é senhora desde que o samba é samba e, ao procurar gente nova da MPB percebe que eles estão todos sorrindo. Sorrindo impecáveis. Impecáveis e forçosos. Provavelmente como forma de estar no mercado da música feliz brasileira, da música descolada e quem sabe tocar naqueles festivais pra brasileiros no exterior.

Afinal o que é triste não vende. Não sei se o Jorge Vercilo inaugurou uma espécie de escola musical, se é a questão de mercado (sempre é) ou se são comprimidos. Comprimidos de felicidade. Ou o produtor conta piadas no camarim e o produtor conta piadas até que os artistas não consigam mais tirar o sorriso do rosto. Sei que nunca mais cantou-se a tristeza como se cantava antes. Tristeza com sorriso ou malícia não é exatamente tristeza.

Aline postou essa música aqui na versão do João Gilberto hoje. E eu lembrei da misantropia, do confinamento, de uma turnê que ele fez no Japão, de sua postura vigorosa quanto a sua privacidade e lembrei de canções ótimas profundas e tristes ou alegres e espirituais. Eu não lembrei de sorriso nenhum. Digo, lembrei de um. O problema não está no riso puro, veja bem, está na interpretação estéril e homogênea, naquele riso flácido que não tem verdade nenhuma, que é feito pra agradar listas de fornecedores, patrocinadores, empresários e essa gente que assiste TV e precisa que as pessoas estejam sorrindo sempre.

Obviamente vocês vão lembrar desse texto como aquele em que eu falo que gostava do sorriso do Jorge Vercilo né? Por favor, não.

Unlucky Days

E então você está desempregado há meses, sem lugar ao sol como diz a descrição do blog, com os problemas de autoestima de sempre, desavenças com a namorada, sem comida na geladeira, sem previsão de pagamento do freela, com um amigo que desistiu de tentar você pro outro trabalho esporádico maçante, com o licenciamento do seu carro prestes a ser atrasado, sem dinheiro pra comprar as pequenas lâmpadas do farol que queimaram ao mesmo tempo, quase fazendo amizade com o pessoal do telemarketing de cobrança do banco, sem saco algum pra escrever no seu diário autobriográfico por todo o peso que ele joga de volta em você quando você abre o caderno, com duas histórias pela metade e sem ensaiar com a banda e pilhas de estoque parado de cds que você deveria ter vendido durante o ano (sério, ninguém mais compra cds), evitando casamentos que não vai poder comparecer pela terrível sensação que existe em não dar presentes, com sua mãe achando que está tudo bem porque você hesita em dizer que realmente está à beira de um colapso mental e os vizinhos devem achar que você se corta com uma faca quando ouvem a respiração forte e abafada da sua crise de pânico.

Daí você emenda dois textos na sequência, encontra cinco reais esquecidos no carro, tira a roupa do varal dois minutos antes de começar a chover e começa a achar que a sorte está realmente mudando de lado.