Sobreviver

Eu olho pros lados e tem um monte de livros na estante, um monte de páginas que nunca tive a coragem de abrir e desistir no caminho, uma caixa de discos velhos, meus CDs e a certeza de que me daria bem montando um consultório médico pela quantidade inacreditável de revistas. Um monte de coisas com um dono invisível, como naquela tirinha em que o cara do futuro volta numa viagem do tempo e se encontra com oito anos de idade, pega pelo braço e joga o garotinho que era dentro de uma máquina de fazer linguiça porque “não vale a pena de qualquer forma”. Gostaria de voltar do futuro e dizer “mano, pára de ser otário”. Sério, gostaria muito de pelo menos uma vez por semana voltar ao presente e dizer a mim mesmo o que fazer. Porque existem respostas indecifráveis, pensamentos que não quero ter e toda essa confusão que caminha dentro do meu cérebro como um monte de urânio enriquecido dentro de uma coqueteleira que ao ser chacoalhada de verdade promete explodir. Explodir feio. Se é que urânio pode ser mesmo enriquecido dentro de uma coqueteleira. Eu tenho andado com a cabeça fria. Mesmo esses tempos atrás, em que estava na época que chamam de inferno astral, o mês exato que antecede seu aniversário, ou coisa que o valha. Pelo que estou entendendo de astrologia (absolutamente nada, veja), isso consiste em te arrumar problemas imensos e trágicos, mas que de uma forma ou de outra você consegue resolver. E então, como presente de aniversário, te livram de todas essas pequenas misérias solucionáveis para te jogar novamente no mundo real repleto de pequenas misérias não solucionáveis que vão perturbar a sua cabeça como duas crianças mimadas brigando pelo último boneco do Ben10 num drive-thru qualquer. E enquanto isso eu tenho os livros e os discos e a mobília como abrigo quando não tenho com quem conversar. No final de junho preciso deixar esse apartamento, caso nada dê muito certo na vida. Não tem dado. Eu sou um dono invisível de histórias e músicas que não tem pra onde ir. E eu não confio mais tanto assim. O azar existe pra me dizer que as coisas podem não se ajeitar e que você vai ficar na merda por um tempo, mas hora ou outra a coisa toda vai melhorar e você poderá novamente ter dinheiro pra comprar seus cigarros e beber para esquecer a semana que terá sido, por sinal, uma merda. Sobrevivência eu chamo. Sobrevivência, eu acho.

Tipo Comédia

Um homem, de pé, se prepara para desferir suas primeiras palavras em cima de um palco. Sério, porém despojado, ele tosse algumas vezes colocando a mão sobre a boca. Olha para os lados e dá o ok a alguém da equipe que não aparece para o público.

– Boa noite a todos, acho que vocês vão ter que prestar atenção em mim, eu sou o comediante aqui.

Silêncio na platéia. Um barulhinho de tosse e sacos de pipoca sendo manejados contemplam o ar.

– Não? Ok. Estou sendo pago e vocês compraram as entradas, vão ter de me aturar e eu vou ser pago de qualquer modo, então…

Mais silêncio. O homem bate no microfone para ter certeza de que está funcionando corretamente.

– Vocês estão me ouvindo aí, certo? Ou eu fiquei mudo e por um lapso de percepção só eu estou ouvindo minha voz neste momento, é isso? HAHAH, é? Só pode ser.

Nada na platéia.

– Bem, vamos lá. Outro dia encontrei um menininho de rua que queria conhecer melhor minha filha, eu disse “ei, cara, olha pra suas roupas, você não prefere conhecer melhor uma loja de departamentos?”

Sentir o silêncio frio de uma platéia doía, não estava na sua noite, claramente. De qualquer forma deixou-se levar e transcorreu seu texto ensaiado.

– Impressionante esse Brasil, não é? Tem uma bolsa pra cada necessidade do pobre. Cara vai preso, bolsa reclusão, cara não tem nada, bolsa família, cara é vagabundo, seguro desemprego. Daqui a pouco a dona Dilma vai começar a distribuir Bolsa filha pro moleque de rua poder conhecer melhor as menininhas de bem por aí.

O homem espera o momento exato em que esperaria caso as pessoas definitivamente começassem a rir. Elas não começam, ele segue em frente.

– Sabe, às vezes eu acho que o Datena tá certo, sabe, bandido tem que morrer. É sim, bandido tem que morrer. Se matassem todos os bandidos do Brasil sobraria eu e alguns de vocês aqui, não seria legal? Ninguém passando necessidade, todo mundo curtindo seu showzinho de comédia, mas aí teríamos que ir pra capital governar o brasil, não ia sobrar ninguém lá, não é mesmo?

A banda que toca nos intervalos – também em silêncio – se volta toda ao baterista quase que implorando silenciosamente pra que ele ajude. Com uma feição de estafa, ele toca nos tons e no prato, pra causar maior efeito à piada do homem no palco, que agora tira o microfone do pedestal afim de se sentir mais a vontade. Dá um gole curto no copo d’água e prossegue.

– Sabem – diz, olhando o copo – fico pensando nesse pessoal violento que arruma briga com gay. Eles não podem nem chamar o cara de viadinho, porque né? E se o cara for meio sado, gostar de apanhar, não dá pra julgar né?

Nada. Então ele apela ao pastelão imitando vozes esbaforidas e afetadas.

– Hellow, vocês estão aqui mesmo? Toc toc. Quem bate? É o segurança do comediante, ele está pedindo encarecidamente que vocês gargalhem. Uma vez só. Numa piada. Custa muito? E se de repente eu…

O homem finge tropeçar nos cabos e cai no chão, causando um susto na platéia mais pelo barulho que ecoou com o peso do corpo batendo sobre o palco de madeira. Um garoto, no meio do público solta um risinho.

– Ei, ei, você riu, quem foi? – apontando pessoas aleatórias – eu ouvi uma risada, quem foi?

Uma mulher atrás do garoto aponta.

– Ah sim, foi você né garoto, tá gostando do show? Como é seu nome?
– Renato.
– Finalmente alguém riu aqui, Renato, estava ficando apavorado, cara. Curtiu ver o comediante cair no chão, né? Fala aí, pô!
– Na verdade foi o SMS de um amigo meu dizendo que seu show era uma bosta.

Platéia gargalha e aplaude efusiva.
O homem reverencia, cínico.
Fecham-se as cortinas.

*

Acho que foi logo que parei de achar graça em “comédias de escárnio”, standup comedy, essas coisas. Tive a  excelente (e humilde) ideia de editar vídeos de shows de comediantes retirando o áudio de todas as risadas da platéia, cenas de pessoas rindo etc. Deixaria apenas um cara, com um microfone, dizendo barbaridades sobre a sociedade. Tenho a hipótese de que sem as risadas da platéia, alguns shows são apenas discursos de ódio.

Mas esse sou apenas eu, às 04h09 da madrugada de quarta iniciando frases com conjunções adversativas.

Tanta coisa

A sociedade da informação desnivelada, da informação nenhuma, do facebook pra saber das notícias, das novas piadas, de qual time está sendo aloprado por qual torcida rival que vai torcer contra outro time qualquer numa outra semana qualquer e estamos aqui, eu a vitrola nova, que não desiste de mim, com todos esses discos de um real e toda essa compaixão por ouvir de novo a Elis Regina cantando as músicas do Belchior. E o que todo mundo lembra é que ele deve algo no Uruguai, que ele se afastou do mundo, das celebridades construídas em cadernos de jornal e fotos de agência de notícia. Belchior entendeu o mundo, um comediante com frases de efeito esquecidas.

“tome um refrigerante, coma uma cachorro quente,
sim, já é outra viagem e esse meu coração selvagem
tem essa pressa de viver”
http://www.youtube.com/watch?v=OKTRc7x-zCM

Esqueci como é contar a vida sem o drama. Sem dizer entre palavras que você tropeçou forte e que as chances de encontrar o caminho por onde seguia ficam cada vez mais distantes. Esqueci também como é contar isso tudo sem soar tão depressivo e doentio, sabe. Porque, no fundo, é mais motivador do que se pensa. Recomeçar, é isso que significa. E eu pareço escolher minuciosamente a forma de transformar um pensamento motivacional como “agora vou recomeçar a vida” a soar como “tropecei e não sei onde estou por enquanto, mas espero voltar ao meu caminho em breve”. É um superpoder, eu acho.

“And I wish it could always be like
This is something I’ve been missing
It’s not too late to change what you’ve become”
http://www.youtube.com/watch?v=DrZ8tpu_VCQ

Tanta coisa.

Just when I thought I was out, they pull me back in

God Bless America é uma paródia sobre a vida (senta que lá vem spoiler, se não assistiu, prossiga por sua conta e risco). O filme conta a história de um cara que foi impulsionado a se declarar agressivamente contra a sociedade matando ícones pop da moda: apresentadores polêmicos, estrelas teen de programas juvenis, em determinado momento ele assassina até o Lucas Celebridade do enredo.

Acontece que era um cidadão comum, com um trabalho comum e uma família despedaçada, embora comum. Ter absorvido a mediocridade materialista de sua filha pequena, o fato de ter sido demitido do emprego por uma denúnica de assédio feita por uma moça a quem ele havia entregado flores; e, por fim, descoberto um tumor no cérebro foi o gatilho principal para que ele se transformasse num assassino em série (e depois encontrado uma menina, essa sim, psicopata por natureza, para lhe acompanhar).

A fábula é tão boa que, embora ele esteja matando pessoas que estão fazendo do mundo uma porcaria, ninguém se dá conta disso. A mídia diz algo sobre o esquadrão de Bin Laden quando ele mata o Reinaldo Azevedo da história. Ninguém está preparado para alguém que quer apenas eliminar do mundo todo esse chorume.

No fundo, é basicamente a mesma ideia de Breaking Bad e do Michael Corleone no Poderoso Chefão III. Um cara tentando fazer a coisa certa e sendo pressionado pra dentro de um outro universo.

God Bless America fala sobre o cara que está tentando se segurar contra toda a avalanche de vizinhos bizarros, empregos sem sentido e conversas sobre nada em absoluto. Ele está tentando fazer a coisa certa, se mantendo firme e achando todo aquele mundo simplesmente muito escroto. Interessante o trecho quando lhe perguntam se ele não assiste o “American Idol” porque se acha bom demais para o programa e ele responde: “sim, me acho bom demais para um karaokê de pessoas sem talento”.

O filme, acima de tudo, traz à tona aquela velha expressão que em linguagem do orkut se diz “bonzinho só se fode” – frase que em 2005 vinha sempre acompanhada de uma belíssima ilustração de um menino com um balão e flores e uma menina ao fundo saindo com um cara num carro conversível, tudo em preto e branco. Não, melhor! Só o balão e as flores com cores vivas, pra dar aquele contraste necessário – e no fundo a frase/moral diz sobre como ser uma boa pessoa é, ao mesmo tempo, dar o aval pra que aproveitadores façam o seu trabalho.

Claro que ser um cara meio troxa pro mundo não lhe dá exatamente o direito de escolher astros pop detestáveis para assassinar ou mesmo produzir e vender metanfetamina no seu bairro, mas taí algo a se pensar.

Dá pra absorver bastante dessa moral toda. Do quanto você se entrega e está disponível a ajudar pessoas que não estão dando a mínima. E, caso você tenha todo esse coração cristão que este que vos escreve herdou da família, você pode até pensar que a maldade alheia é impensada, desproposital. Sim, pode acontecer. De qualquer maneira, o que vai ser pra sempre proposital é o fato de alguém que tenha lhe apunhalado pelas costas em nenhum momento estava pensando em como você ia se sentir.

E ainda vai ligar no seu celular pedindo dinheiro pro cigarro.

*

Era pra ser uma resenha, mas acabou sendo um ótimo post pro Cantinho da Indireta, não acham?

Os moleques são dengosos*

Uma sensação estranha ser o cara velho. Em qualquer coisa, no trabalho, entre seus amigos. Os amigos da minha banda são quatro ou cinco anos mais novos que eu. Talvez eu tenha visto mais coisas do que eles, mas talvez eles tenham vivido muito mais do que eu, isso é relativo. Estranho mesmo é o gosto que as coisas adquirem com o tempo. Por ter visto tanta gente entrar e sair da sua vida, você toma suas relações pessoais cada vez com mais ardor, você preza mais por quem está ao seu lado.

E eles são desses moleques de uma quase geração anterior, que ficam perplexos sobre como você prefere passar a noite em casa vendo uns filmes com sua garota. E eu geralmente me queixava quando eles bebiam demais, ou começavam a extrapolar as coisas, foi assim em algumas festas, foi assim em alguns shows que tocamos juntos. Eu sempre fui contra isso de não ter nada a perder então posso fazer o que quiser. Sim, você acaba tendo muito o que perder com o passar do tempo.

E ontem eu estava nesse show que tocaríamos juntos, não fossem as brigas internas deles, não fosse a falta de uma boa conversa que não envolvesse orgulho próprio ou aquele “Oh you didn’t say that!”**, eu estava lá sem eles dessa vez.

Não tenho uma banda famosa, embora as pessoas que me conheçam saibam e me perguntem sobre. E eu estava lá, um tanto chateado por não tocar no festival que um amigo nosso organizou e esperando que a qualquer momento um Uno subisse a rua com aqueles três moleques dentro que abririam o vidro no meio de um som alto e um monte de fumaça saindo pelas frestas, me dizendo “já é a gente?”.

Eu estaria feliz por estar nervoso com eles.

Mas o tempo é implacável. Ele derruba frases prontas, desmonta ‘galerinhas’, mostra o que é de verdade e o que era claramente passageiro, mostra também os sinais que você não percebeu naquela época. Os sinais que diziam que tudo aquilo tinha prazo de vencimento. Mostra como as coisas mudam entre moleques. E eu, parado na esquina esperando aquele Uno chegar e assistindo uma banda tocar no nosso lugar, com amigos de dez anos atrás, mostrava a mim mesmo o que era de verdade e o que pode se perder com o tempo.

Que o tempo os traga sabedoria e paz, mas que eles nunca deixem de manter a alma inquieta. Eu amo esses moleques e detesto os ver separados ou brigando por motivos que em dois anos vão se perder na memória. Sei que muito provavelmente, por mais que eu queira, as coisas não se resolvam assim facilmente, a vida é muita treta, isso a gente aprende também. Só espero que um dia nos encontremos novamente num estúdio, rindo constrangidos e sem saber o que dizer de toda essa época nebulosa das nossas vidas.

Esse post é dedicado a esses três moleques.

*Desculpem, não encontrei um título melhor.
**Retirei essa frase do filme God Bless America (último que assisti com a Aline que tá com um blog manero e muito mais atualizado que o meu, a propósito), num trecho em que a personagem principal fala algo sobre a geração do “Oh you didn’t say that”, excelente filme sobre psicopatia e aversão social. Um Mickey e Mallory dos escrúpulos, assassinos pela natureza cruel da nossa sociedade. Muito legal de assistir.

Procurar o que não se encontra

Sempre procuro razão onde não vou encontrar. E me descubro vasculhando álbuns alheios, buscando em algum lugar, algo que me explique como a vida que levo hoje possa fazer sentido. Por onde passaram as pessoas que tenho aqui comigo e como elas chegaram aqui, como permaneceram. Eu sempre procuro o que não vou encontrar.

Um inseto pousa ao lado da lâmpada da sala, são quase quatro horas da manhã. E pareceria poético se não fosse tão solitário. O barulho das teclas a essa hora da manhã ainda é mais alto do que o trânsito lá fora e só perde para o caminhão de lixo (sério, o que a escala desses caras faz antes de chegar aqui?).

Tenho receio de que ele despenque sobre o teclado. Está bem acima da minha cabeça, parado, inútil, se aproveitando da minha conta de luz que, mês que vem deve vir dobrada. E ele apareceu justo no momento em que eu procurava algo que não devia achar, ou que jamais deveria procurar.

Não sei o que diabos um inseto busca parado de cabeça pra baixo no teto, próximo a luz. E porque eles não aparecem de manhã, na televisão, por exemplo. O que ele busca parado, sem se alimentar, negro, cheio de asas e antenas, pequeno e inútil a si mesmo. Bem, meu parceiro de madrugada deve ter aprendido comigo como procurar respostas que jamais vai encontrar.

*

A tempo: Por que os insetos somem quando amanhece?

O maluco do ponto de ônibus

Um cara simples e exímio desconhecedor de moda, usa calças sujas e camisas velhas por padrão. Está todos os dias sentado no mesmo ponto em que costumo tomar meu ônibus a caminho do trabalho, sempre com um skate no colo e um sorriso. Parece frase construída para dizer o que cara é uma boa pessoa, mas não: ele está todos os dias com um notável sorriso no rosto.

Das primeiras vezes que passei pelo sujeito imaginei que estivesse ouvindo rádio, ou uma dessas bandas engraçadas ou áudios de stand-up comedy (ou horário político ~aqueles). Fui longe demais pra só depois perceber que ele não costumava usar fones de ouvido.

Não quero começar com o moralismo do “nós vivemos num mundo em que”, mas o sorriso do cara tem um caráter político e provocador muito significativo. Não existe lugar para nego estar mais de cara fechada quanto num ponto de ônibus em horário de pico. Onde todo mundo está ligando para o seu chefe dizendo que o coletivo atrasou. Um lugar onde as pessoas semi choram por entenderem de certa forma que o tempo de suas vidas não lhes pertence (e elas esquecem assim que chega o ônibus delas).

E lá está nosso herói, caminhando displiscente na plataforma, sozinho com o skate na mão e um sorriso tímido em contraste com a aparência de quase mendigo que, por um deslize do azar, acabou dando certo na vida. Com a leveza de quem possivelmente não precisa trabalhar, mas este é só meu pensamento errado de novo. Não, ele não fica rindo aleatoriamente ou da cara de pessoas que passam. Ele sorri. E isso é mais provocador que muita coisa.

Sorri de cada um nós, do povo correndo pra chegar, apertando dentro do coletivo, do tio que vende balas, da miséria humana, da pequeneza deste minúsculo ponto de luz do universo onde estão nossas vidas, nossos sonhos e tudo aquilo que criamos com a nossa mente. Ou lembrando de alguma pessoa, ou rindo do que pode encontrar durante seu dia, da beleza imensurável de estar ou permanecer vivo.

No fundo ele deve estar bem louco, isso sim. Mas ainda acho que vale embelezar o real.

#soudaepoca

Já tive um email hiphop_rbs@bol, daqueles que você ainda tinha que limitar a quantidade de mensagens na caixa de entrada pra não receber a cobrança vexatória do servidor dizendo que você está atingindo sua cota e que poderia deixar de receber emails novos caso alguma atitude não fosse tomada. Fazendo um paralelo com a vida adulta é praticamente o mesmo trabalho do serviço de proteção ao crédito.
Daí o gmail veio para, acima de tudo nos ensinar que aquelas mensagens simples e sem anexos pesavam muitas vezes menos de 1kb e que, disponibilizando uns GB a mais talvez ninguém mais precisasse deletar qualquer coisa.
O que, obviamente, vai da sua inclinação pessoal.
Da minha, vocês sabem, o passado é um top1 do disk mtv de 98, você até lembra com algum constrangimento ou não, mas sabe hoje em dia não faz o menor sentido.
Ela era pra mim uma conversa boa no msn. Minha ligação com o mundo no qual as pessoas não apenas trabalham e carregam suas vidas na coxa. Que me chamava pro Indie hip hop e me contava como estavam os roles punks dos amigos. Aquela conversa que sem perceber ultrapassa horas e só termina quando alguém precisa sair do trabalho (sempre eu) ou pra estudar/dar aula (sempre ela).
E os chats se amontoaram na inbox do gmail que, como se não bastasse, também armazena as conversas do gtalk. Como da vez que M. vendeu um ingresso sobrando do SWU pra ela ou quando lamentávamos/exaltávamos a vida (às vezes ao mesmo tempo, sério, impressionante). O que minha inbox conta é o que ela representa pra mim. Da amizade de 2009 ao carinho e planos de 2012. Uma história de amor, de aventura e de magia contada em 223 conversas.
Lógico eu que nunca pensei em um dia encontrar alguém que pudesse desvendar pelo que exatamente minha alma se move. Logo eu que sempre adorei os escritores solitários e detestáveis imaginando um dia ser um deles. Logo eu que sempre achei a felicidade limitante me peguei chorando no carro ouvindo uma música do hateen que peguei do computador dela. Logo eu que nunca sinceramente havia sentido a falta de alguém.
Assim o gmail se transmutou neste espelho da consciência.
A melhor parte é que o primeiro comentário dela ao ler esse texto vai ser: Peraí, como assim você chorou ouvindo hateen mano?

Em falta: profissionais de redes

Essa é rápida (porque tá todo mundo dizendo que eu abandonei isso aqui etc)

Daí que tem um vizinho imbecil  alguém super legal lá no prédio com um wi-fi aberto, obviamente utilizado por nós, os vizinhos chatos, que ainda não conseguimos contratar um serviço de internet decente etc.

Muitas vezes funciona, algumas vezes não. Provavelmente com uma rede há muito tempo desprotegida, essa pessoa acostumou-se a desligar o aparelho para ninguém roubar a conexão ENQUANTO ELA NÃO USA, o que faz todo o sentido mesmo, parabéns.

Estou fazendo um estudo comportamental apurado sobre o dono desse roteador baseado em algo que vem acontecendo com frequência:

1. Eu chego às 22h, ligo o notebook, lá está a rede abertinha e conectada (já deixei memorizada para conexão automática como se não bastasse a mordomia de não pagar pela internet).

2. 15 minutos depois, enquanto faço a comida, a rede está desconectada.

3. Após jantar, descansar e desistir, vou pro quarto, desligo as luzes da casa, fecho a janela e tranco a porta.

4. 5 minutos depois, a rede volta a funcionar.

quer dizer

ESSA PESSOA ESTÁ VIVENDO EM FUNÇÃO DE LIGAR/DESLIGAR O ROTEADOR NO MOMENTO EM QUE EU ESTOU EM CASA/ACORDADO.

Nada mais justo.

maio session

Quanto tempo, amigos, quanto tempo.
Sem desculpinha esfarrapada, apenas uma mixtape pro começo de maio que a vida tá boa.
=)