Macaulay Culkin feelings aos 26

Pai e mãe viajaram essa semana. Maranhão. Motivos familiares. Não imagino o que vai ser quando voltarem, uma vez que o dinheiro – por grande infelicidade – não nasce em árvores.

Fato é que acordei terça-feira quase três horas antes do horário habitual para deixá-los em Congonhas. A viagem até lá foi um agradável debate com meu pai sobre qual a melhor alternativa para ir até o aeroporto e uma listagem incontrolável de desespero da parte da minha mãe me fornecendo 538 conselhos que já esqueci.

Dá pra se sentir com 15 anos.

E ai, né, Estrada de Itapecerica, João Dias, Santo Amaro, Vereador José Diniz, alguma coisa acontece no meu coração. Percebi que faz muito tempo não ando por São Paulo. E estou com saudades.

Ao deixar os dois, vê-los pelo retrovisor carregando as malas e lendo as placas de Embarque me deu uma inexplicável sensação de que farei qualquer coisa por eles até não poder mais.

Mark as SPAM

Daí que eu trouxe pro trabalho meu fone Philips com tecnologia Noise Reduction, que me livra até 75% do mundo real no escritório. O único problema é que tem um telefone na minha mesa. E ele jura que eu preciso atender algumas ligações.

Vez ou outra esqueço e, ele toca intermitente, até que alguém me avise. Foi o que aconteceu. Quando atendi, uma moça de garbo elegância e digna colega de trabalho (Abravanel feelings) – conversava com alguém:

Mulher: Pede pra ligar e não atende, aquele gordo do caralho.
Eu: Ponto Frio…?

Ela desligou e então coloquei o fone no gancho pensando na hipótese de ter me tornado alguém insuportável pra essa gente bonita e respeitável.

Sérião, tenho um ou outro amigo que me chama de gordo do caralho. Não tenho problema algum em ser um gordo do caralho, geralmente dou risada e replico com qualquer outro jargão ofensivo ao conviva em questão.

Ouvir isso de alguém que trabalha com você, por telefone, tendo a certeza de quem foi que deixou isso escapar passa a exata sensação de ser um catador de lixo no natal e assistir o programa do Boris Casoy porque, oras, você acha ele um ótimo profissional.

Se nego chegasse na minha cara e me tratasse mal, dissesse abertamente que me acha um gordo do caralho, não me importaria. Voltaire com aquele papo de “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito…zzzz”. Enfia seu direito no meio do olho do seu cu e sai quicando. Não me importo, sério.

Esse é o tipo de coisa que acontece e você precisa jogar a informação fora. Excluir as imagens para um lugar esquecido no subconsciente, onde estão aquelas brigas que você perdeu e as namoradas que te traíram.

No fim das contas, esqueci a parada. Dei, na verdade, um belo Mark as spam mental.