Tragic scenes of life: A merda do meu TCC

O ano, 2006. A faculdade, Unisa. Tinha acabado de terminar um namoro de pouco mais de um ano com uma mina que estudava na minha sala e estava no período traumático em que se recolhe as misérias no silêncio e no riso contra vontade. Último ano de faculdade, isso é também preciso dizer. Recentemente demitido do estágio, outro fato importante desta trágica historieta.

O trabalho de conclusão de curso tive que fazer sozinho após acabar o relacionamento. Optei pela monografia clássica, cujo maior problema eram as regras da ABNT e o contato do Mr. Manson, uma vez que a parada se tratava de blogs.

Sem contexto definido, li muita coisa entre conclusões de curso, estudos, livros de cibercultura, mas nada disso me entregou de bandeja a base para tematizar meu texto. Acabei escrevendo sem rumo, separei os capítulos, fiz um trabalho de pesquisa digno, ao menos. Se tivesse tempo, Deus sabe, teria feito um compêndio sobre a blogosfera mundial.

E o mundo se degladiava dentro da minha cabeça.

Na hora de apresentar, gravei um CD com AC/DC, Explosions in the Sky, Interpol, New Order, Mogwai e God Speed You! Black Emperor, músicas de background para poder falar tranquilamente sem perder o foco e tal, me arrumei mais decentemente que no resto do ano, chamei o From e o Regino, que me deram o conforto de suas presenças.

Subi no palco, discursei para três professores que me olhavam – e se entreolhavam – com uma indiferença que jamais vou esquecer, enquanto minha orientadora (até então não mencionada no texto pois falou comigo apenas uma semana antes da apresentação) tentava claramente entender o que eu dizia. Terminei. Parei de tremer e esperei alguma observação, crítica construtiva ou coisa que acalentasse o terror da oratória.

-Você fala aqui de interatividade, pode nos explicar um pouco melhor?
-Bom, interatividade é a relação entre o leitor e o produtor do conteúdo, o blogueiro, através de comentários, de citações e hyperlinks. São as possibilidades de aproximação entre o usuário e o público.
-Mas esse é um conceito vago, não?
-Bem, o conceito geral é esse.
-Não, interatividade para o tema do seu trabalho não é isso, interatividade é como o leitor lê o blog, como isso é facilitado, como, sabe… de que forma o leitor enxerga, como ele lê, como ele acessa o site…
-Também, mas isso tem mais relação com usabilidade, que não achei necessário abordar no trabalho
-Bom, mas tem uns erros de português também e…

O que testemunhou-se a seguir foi uma execução sumária de quatro anos de estudo e disciplina (deixei de frequentar o boteco ainda no primeiro ano). Fui taxado de iletrado, pouco dedicado e analfabeto digital. Minha orientadora, na sua vez de falar, desculpou-se por não ter exercido seu trabalho corretamente e tentou amenizar a fúria desregrada dos outros professores da banca, que comandavam o excrutínio.

Tirei um sete no trabalho, média que me garantiu o diploma e a participação na festa da formatura. Embora, desde então, eu considere como se nunca tivesse terminado a faculdade.

***

Nota: A professora que começou a me escrotizar publicamente em frente de todos os meus amigos, alunos de anos anteriores e inclusive da ex-namorada em questão, costuma me adicionar em suas redes de relacionamento e me convida para sites tipo Bebo e essas redes brasileiras que prometem porcamente ser os Twitter Killers.