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Eu: ninguém é mais sentimental que a gente amica

Shhu: <3
o foda é que eu tô tentando entender o meu modos operanti
tipo onde o monstro começa a nascer, etc
pra evitar a fadiga nos próximos capítulos da vida
(acho que é o certo modus operandi, na verdade)

Eu: (é isso! hahahahh)
é, o meu eu descolei. eu me perco nas pessoas. mas tipo me perco muito. passo duas semanas e é como se estivesse junto há cinco anos. parece bonitinho, mas só fode a gente.

Shhu: É ISSO!
nossa, cara, é muito isso
o foda é quando a pessoa ainda faz pézinho pra você pegar impulso e mergulhar mais fundo, né?
ai você vai com todo impulso, achando que vai dar um triplo mortal carpado perfeito, e no fim bate a testa no fundo da piscina de chorume
fuééén

Eu: sim e aí vem o problema que as pessoas não entendem o peso de compartilhar um tempo de vida com o outro. fazem pezinho. compram a escada. e vc sobe, às vezes elas sobem junto, mas a escada é delas. elas descem a qualquer momento e vc pode ficar lá sozinho e ter que se jogar e dar de cara no chão.
“suponho que estamos alto demais, pra que diabos inventamos subir aqui

Shhu: essa metáfora da piscina é ótima
hahahahaha
dava pra fazer um textinho já só com essa nossa conversa, huahauha

Eu: dava fácil hahahahahahaha

E nem precisou de textinho.

<3

(Shuliana está também com um excelente/novíssimo blog pessoal, o milieumatretas, indico a todos os fiéis quatro leitores deste blog – incluindo ela =P)

Dois mundos

Vivo em dois mundos. Em um deles eu sei o que é perfeitamente ideal para a minha vida, o que eu devo fazer para que tudo caminhe no sentido de ficar bem comigo mesmo e voltar a pensar no mundo como algo praticável. No outro eu sou arrastado por uma correnteza de acontecimentos que me levam a caminhos em que me perco sem saber o que fazer, em que preciso tomar decisões e desvios, em que o confronto é sempre inevitável e presente. Obviamente me cabe a segunda opção, a primeira é apenas um mundo de ideias em que eu pelo menos consigo manter o cérebro pulsando feliz.

A despeito de tudo isso, eu preciso muito de um felino que me faça companhia.

Quédizzê.

(O neologismo do final é em homenagem a C., que mudou pra Curitiba por esses dias – privando a todos nós de uma macarronada excelente.)

Faustão e a imortalidade

Eu sempre pensei no Faustão como um vampiro. Um imortal a quem relegaram um programa de TV na maior emissora de um país de terceiro mundo, pra não dar muito na cara. E imortal porque, afinal, quem substituiria o DOMINGÃO DO FAUSTÃO se o programa leva justamente o nome dele?

Eu sei que minha teoria quase caiu depois que engordaram o André Marques com a clara intenção de que ele assumisse caso algo de mau acontecesse (por favor me digam se não seria lindo ter na grade um programa chamado DOMINGÃO DO ANDREZÃO). Provavelmente ele tem um cargo de senior formando time com o Bruno de Lucca (pleno), ou seja, quase uma geração de pessoas com o mesmo carisma do Faustão, o que até então invalidava parte dessa corrente de pensamento

Mesmo assim, é preciso destacar outro ponto importante (alguém por favor me faça parar): o fato dele ter sido a celebridade que mais morreu nos últimos anos se você considerar as notícias falsas da internet. Quem está criando essas notícias sabe que ele nunca vai morrer. E fica claro que criar notícias falsas da morte de uma personalidade é a melhor forma de manter viva uma personalidade que nunca vai morrer, ainda que essa frase não faça o menor sentido, veja bem.

Daí que a teoria da imortalidade de Fausto Silva encontrou seu auge depois de domingo, quando nosso querido apresentador veio com um papo de que faz uns 500 anos que ele diz às pessoas que urna não é penico.

Me parece verídico.

As definições do inferno

Estou sempre inventando histórias e super fracassando em não escrevê-las, mas elas continuam na minha cabeça e hora ou outra surgem paródias e plágios que eu mesmo construo, o que só interessaria a um advogado especialista em direitos autorais e dupla personalidade disposto a me arrancar muito dinheiro.

Eu que não tenho sido exatamente a pessoa mais religiosa que conheço, vez ou outra crio versões do que as pessoas conhecem por inferno. O panorama geral é sobre um lugar terrível, em que você precisa fazer algo detestável ou sofrer algo deplorável por toda a eternidade. No imaginário popular, com a ajuda de representações artísticas, é o equivalente a sua alma ardendo dentro de uma galeria vulcânica e um humanóide gigante e vermelho de chifres com um chicote que lhe permita chicotear almas. E talvez seja necessário pensar melhor sobre essa logística de chicotear constantemente todos os atuais habitantes de uma galeria vulcânica.

Minhas versões de inferno são espécies de histórias que não tem fim, é como ficar aprisionado no mesmo minuto, mas sem saber disso. Minhas versões preferidas são as seguintes:

Você está subindo lances de escada infinitos com os tornozelos já super pesados e oito sacolas do Roldão nas mãos (uma delas pingando algo que veio do mercado congelado). Eventualmente, você encontra semiconhecidos, numa classificação que transita por “conheci numa festa”, “vizinho de infância” até “vejo todos os dias no trem e não lembro porque comecei a cumprimentar”. E você vai falando com essas pessoas assuntos incansáveis sobre como o tempo tem mudado e se você precisa de ajuda, embora nessa versão do inferno você seja super polido e gente boa e jamais aceite qualquer ajuda. Você continua subindo mais lances de escada sem jamais descobrir que nunca vai chegar a lugar algum e não vai notar isso mesmo quando o tempo tiver lhe deixado os joelhos podres arrastando no chão e o próximo semiconhecido se aproximar dizendo “oi cara, precisa de ajuda?”, você recusar dizendo que tá tudo bem.

A outra versão diz respeito a você ter dormido mal e acordado com uma terrível dor nas costas, mas mesmo assim estar dirigindo na rodovia Castello Branco sentido Sorocaba, sem som no carro e sem bateria no celular, entendiado, com sono. São 15h, você ainda não comeu nada naquele dia, acabou de passar pelo Frango Assado e decidiu que não ia parar. E você continua sempre no mesmo quilômetro da estrada, dirigindo como se estivesse em cima uma esteira de academia, tudo passa sem passar, e aquele dia, aquela fome e a certeza de ter passado pelo Frango Assado alguns quilômetros atrás vão perdurar na sua mente por toda a eternidade, assim como a dor nas costas.

Tenho também algumas séries especiais pensadas especialmente para os problemas dos amigos. Numa delas, o dia é uma eterna quarta-feira muito azeda de ser resolvida (proj. Camila) e em outra você está na internet e pelo resto da eternidade nunca vai encontrar nada para criticar (proj. Amaury, o web xerife).

Meu inferno atual diz respeito às paredes do apartamento que estou pintando antes de devolver para a imobiliária. Olha, é impressionante. É algo como pintar o Maracanã com um pincel de nanquim. Pelo menos, na pior das hipóteses, posso contratar alguém pra cuidar deste inferno em particular.

Polêmico/Constrangedor


Queria que todos os meus amigos vissem isso e pudessem desconsiderar automaticamente qualquer coisa que eu disser depois de ter começado a diversificar as bebidas. Se eu estiver confortável e absolutamente disposto, vou lançar um tema polêmico/desnecessário e antes que você perceba vamos estar todos em um silêncio constrangedor que não há como voltar atrás.

Talvez eu diga que não estou feliz e que gostaria de marcar um churrasco no outro dia para compartilhar melhor todos esses problemas. No dia seguinte vou lembrar de ter levantado todas essas bolas sem resposta/motivo, mas nunca de ter cogitado um churrasco. É tão sem sentido como ligar uma daquelas máquinas que atiram bolas de tênis apenas por um prazer inconsciente de espalhar as bolas pela quadra.

Ontem, em particular, meu estado dizia mais sobre essas coisas que a gente passa a vida toda achando errado e não há nada que nos faça mudar de idéia, mesmo tendo de conviver ao lado disso tudo. É, no fundo talvez não dê pra entender. É preciso dizer a si mesmo que vai ficar tudo bem, uma hora ou outra, mesmo que seja pra nos enganar. Ninguém sabe o que veio fazer neste mundo, então nada pode dar errado. É bom jogar com umas teorias desse estilo também, só pra não perder o foco, ou a fé, dependendo da sua orientação.

Outro dia, comentei no blog da Karina que, às vezes, tenho essa visão otimista da vida em que tudo sempre dá certo. E que até as coisas mais complicadas se rearranjam, mesmo com nossos erros e nossas más escolhas. Pode demorar mais pra recalcular o trajeto, dependendo da porcaria em que você se enfiou, mas uma hora tudo vai começar a mostrar motivos para ter acontecido.

Enquanto isso vou colocando lenha molhada na fogueira, só por esporte.

Quando crescer quero ser a Amazon

Recebi uma lista dessas com comentários de clientes da loja. O cara que mandou teve o inacreditável trabalho de separar os 3095 pareceres em níveis de sensibilidade que incluíam “atraso de entrega”, “mau atendimento”, “preço do frete” & shit. Aí, claro, os filtros que me chamaram atenção imediata eram “nunintendi” (hype doTeletube?) e “bobagens, desconsiderar”.

O filtro “nunintendi” trazia um texto sobre mensagens subliminares com o número da besta numa piscina infantil de 666 litros. Fair enough. Alguma falta de coerência e neurose religiosa pode acabar com a dignidade que resta às pessoas.

Mas era no filtro “bobagens” que estava o plot twist deste texto. O cliente falava sobre um conversor digital. Começou explicando que a imagem é realmente boa, apesar disso não caracterizar nenhum mérito, já que a ÚNICA função do aparelho era essa. E então ele diz que o conversor tem poucas facilidades, liga e desliga sozinho, esquenta muito, o teste de paciência que é usar o controle remoto etc. Críticas simples, inclusive bem escritas em detalhes. Se eu fosse comprar um conversor digital no site, gostaria de saber que tudo isso acontece com o aparelho. Mas, óbvio (nas empresas de e-commerce), emails como esse que denigrem a imagem do produto acabam sempre no limbo das memórias coletivas e back-ups de e-mail.

Uma das premissas de QUALQUER loja de e-commerce que abra suas portas é se parecer um pouco com a Amazon. Seja na qualidade dos textos ou apenas no botão de comprar com um clique só. O que ainda não foi descoberto é que a Amazon só é a primeira do mundo porque trata seus clientes como usuários de uma plataforma colaborativa de idéias e experiências em que se contribui criando reviews de produto por texto ou vídeo. Óbvio que tudo vai ser avaliado antes de ir pro site, mas se você der uma olhada na página do Kindle, por exemplo, vai ver que as pessoas falam abertamente sobre o produto, comparam, contradizem os textos publicitários, fazem do cu sanfona para contar sua história e fazem melhor para que ela apareça no site.

Esse é um problema cultural que envolve vários lados. Na Amazon, acima de tudo, o review de um cliente é avaliado pelos outros clientes, por isso chamei de “plataforma colaborativa”. É esse o mote que pode fazer o cara escrever algo sensato e deixar de lado frases soltas pejorativas que não acrescentem em nada. Isso permite que o cliente se esforce em escrever sua história da melhor maneira possível mesmo que denuncie a porcaria que é o tal aparelho.

Ainda assim, as grandes lojas de e-commerce nacionais possuem uma uma cultura de mercado que trata o consumidor como um núcleo aberto de onde se pode extrair dinheiro e não como a parte mais importante do processo de venda. Se o cliente achar o produto terrível e fake, ele é que não deveria ter comprado em primeiro lugar. Sabe, ignóbil assim? É jogar nas costas do público toda a deficiência dos aparelhos e fazer o cara se cansar em tentativas telefônicas para o atendimento.

Isso não é algo tão novo de se pensar ou tão complicado assim, o grande problema é que essas críticas, por mais construtivas que sejam só aparecem no site quando são positivas para a marca ou para a loja. Na cabeça desses mestres do varejo virtual, o cliente precisa acessar e ver apenas o que é bom no produto, se limitando a vasculhar o Reclame Aqui ou alguns fóruns confusos (no caso de aparelhos eletrônicos). As críticas ele guarda pra enfiar no rabo para as redes sociais, blogs e divulgação negativa boca a boca. Que é exatamente nosso limbo natural onde se perde todo esse conteúdo colaborativo que a Amazon tanto valoriza.

<-update em tempo-> Claro que depois de algumas trocas de e-mails, incentivadas pela chefe, o post rendeu mais do que eu mesmo poderia esperar. Rendeu debate, idéias e novas descobertas. Soube que o cara que mandou esse email está mais empenhado do que eu imaginava e que as idéias por aqui andam batendo muito. =)

Manifesto para que nos deixem em paz

O envelhecimento precoce traz à tona o que temos de pior, aflora as angústias, polui os pensamentos e cataloga nossas depressões em ordem alfa-numérica. Uma das características dessa minha fase é a aceitação do que não seremos em nossas vidas. Saber que você tem quase 30 e um carguinho ‘na área’, acaba se tornando a única forma de se sentir mais humano e menos especial, como todo mundo.

Tudo o que me incomoda, que me joga um balde de água fria, tudo o que faz com que eu não tenha sonhos, ambições ou metas a cumprir (pra enlouquecer de vez a Denise) é saber o que eu não posso mais fazer, seja porque não cabe mais a um homem de minha idade sair para colar cartazes de shows punks na rua Augusta, seja porque é inviável financeiramente manter bandas, zines e posturas.

A teoria aqui mostrada é que o desenvolvimento do homem dá margem para que toda a sociedade lhe diga o que fazer, como ser, ou defina que espécie de aparelho portátil para abdominais e geladeira duplex você deve comprar para que alguém mais além da sua mãe tenha seu nome na agenda telefônica.

Desde pequeno você ouve seus pais. E alguns anos depois de uma conturbada juventude permissivamente rebelde, você volta a ouvi-los. E, inconsciente, gostaria de ter apenas eles para ouvir, como quando era um bebê nos colos sangrentos da sociedade (ok, nessa eu peguei pesado).

No fundo, ninguém quer ser criança novamente. Ninguém quer se machucar nos brinquedos do play, quebrar a perna pela primeira vez ou ser enganado pelo tiozinho do cachorro-quente que jurou que ia voltar com o troco da sua mãe.

Só queremos menos regras, menos gurus dizendo o que temos de fazer para que nossa vida dê certo, menos Patrycias Travassos e garotos propaganda usando verbos imperativos. Só queremos que nos deixem viver nossas vidas da maneira que bem entendermos.

E quando digo isso tudo em terceira pessoa estou apenas tentando colocar toda minha geração junta nessa depressão que é tão minha. Desejo um forte abraço a todos os envolvidos.

Quase fiz uma piada com ‘panela depressão’, mas não o fiz. Podem me agradecer nos comentários.