Sobre Fatores Extras

Algumas vezes vejo um homossexual extremamente feio por um conjunto de fatores que vão além de sua opção sexual e penso ‘porra, mas quem diabos poderia querer transar com esse malandro?’. Aí penso em postar a parada no Twitter e ser recriminado mortalmente, tomar uns 6 unfollows e seguir a vida, essas coisas.

Analise bem, entendo que meu hall de preconceitos só me permite relacionar homossexualidade à sexualidade e não ao amor ou ao sentimento, por exemplo. Mas não é um simples caso de homofobia, eu só acho que quando um cara é realmente muito estranho por esse conjunto de fatores que delimitam minha opinião pessoal, ele opta por uma parcela menos explorada dos relacionamentos íntimos.

Considerando que a relação homem x mulher é a relação usual do ser humano, ele escolhe participar do “grupo de escolhidos”, sejam gays, bissexuais, zoofilos (?) etc. Gente que vai aprová-lo por uma condição extra que vai além de ser ridiculamente horrível, que é o fato de optar pela homossexualidade, pela bissexualidade ou por fazer amor com seu cachorro. E eles o acolhem, o abraçam e formam esse novo nicho de assinantes da revista NOVA (ou da Cães & Cia, em casos mais extremos).

As usual, nunca chego a lugar nenhum com isso tudo e termino o raciocínio imaginando uma pesquisa encomendada pela Globo apontando o quanto decaiu o nível de beleza entre os homossexuais recém adeptos. E então procuro algo melhor pra desperdiçar meu pensamento.

Ser roubável

Eu criei uns tempos atrás uma medida social que define o quanto estou apresentável para o mundo, que se chama com “o fator roubável”. Quanto mais roubável eu estiver, mais bem apessoado estou para os olhos fortuitos da sociedade.

Não raro estou no shopping com a Denise e ela diz algo sobre como seria legal que eu me vestisse como aquele manequim da M. Officer quando eu respondo: “se eu me vestisse assim, até eu me roubaria”. De acordo com esse meu estudo (pff!) ser “roubável” é estar inserido no contexto, ao passo que ser “não roubável” é ser invisível, só outro pequeno ponto na multidão.

Há muito tempo trago comigo esse street knowledge, que me permite entender qual o nível em que fulano pode se considerar uma vítima de ladrões de relógio, de ocasião, sequestradores, golpistas etc. Em 2008 escrevi esse pequeno conto baseado numa história que o Wolvs me contou (sempre o Wolvs) e que, acredito, serviu de base para esse raciocínio provavelmente tão neurótico quanto o do casal mais sinistro que você já viu na sua vida.

A equação antes variava apenas de acordo com as roupas que você veste, mas outros fatores foram sendo incluídos com o tempo. Usar acessórios como iPod, ou o simples fato de ter um fone apregoado em seu ouvido já aumenta o coeficiente. Estar com o aparelho nas mãos, dependendo dos casos, dobra/triplica o número.

(nota: ouvir música em ambientes coletivos sem fone de ouvido acarreta sua imediata inclusão no grupo de infratores a quem esse post não se destina).

Ainda nas variáveis estão o carro que você dirige, os gadgets que você usa (OK, Macbooks são permitidos), as marcas que você veste, até as músicas que você ouve. Quanto mais holofotes em cima de você, mais riscos. Vale a lembrança de ‘mo money, mo problems’, do Notorious B.I.G. Por outro lado, quanto maior simplicidade, mais chances de ser apenas coadjuvante e passar batido, como diria Mano Brown em ‘Eu sou 157’ (how convenient?): ‘quem não é visto, não é lembrado’.

Para concluir, o fator roubável é só uma matemática mental boba que trabalha com todas essas contradições simples e citações de rappers. Você quer estar bonitão ou quer ser invisível? Como sempre, no final, você decide.