Admitir a realidade

“Estamos prontos pra partir de novo os nossos corações. Não vai ser a primeira vez, nem a última.”

Lidar com o término de um relacionamento é, pra mim, o fato da vida que mais me fez mal nos últimos 15 anos. Ter que repensar a vida inteira e deixar de conviver com alguém que fez parte da sua vida de um jeito tão intenso.

Em todos eles, eu disse algo parecido com: “eu sei quem sou quando estou sozinho e definitivamente não gosto muito dessa pessoa”. Sozinho eu sou meu pior inimigo, especialmente no caso de ter sido deixado pra trás (tem muito a ver com receber de volta do universo o que você deposita nele, mas esse é um assunto que me proíbo de falar, apenas por ser fatalista e dramático demais para essa fase).

Estou nesse momento de novo, justamente quando eu achei que isso fosse parar. Ouvir sua mãe te dizer que essa fase da vida é difícil mesmo é ver uma faca atravessando as ideias.

Não me entenda errado. Não estou dizendo “Deus perdoe essas pessoas ruins”. Quero mais é que vivam suas histórias, que conheçam novas pessoas (ou velhas pessoas – estamos de olho). É que, ao mesmo tempo, eu quero provar pra essas pessoas que eu era a pessoa errada pra elas. É aí que procuro tomar as piores decisões, os piores porres, as piores festas e jeitos de se encarar a coisa.

Da última vez que isso aconteceu eu achei que nunca mais pudesse amar alguém de verdade. A gente sempre pensa isso. No começo deste último relacionamento eu tinha o pé atrás e não soube lidar com alguém me dando presentes, comemorando datas e essas coisas. O tempo passou pra me mostrar que valia a pena. E eu estava realmente voltando a ser uma pessoa que acredita nisso.

Quer fazer Deus rir, conte seus planos.

Esse está sendo pior que os outros de certa forma, porque eu realmente acreditava estar com alguém que me faria ser parte de alguma coisa grande, como montar uma família, comprar uma casa, ter filhos etc.

É mais assustador quando alguém que você acha uma excelente pessoa acaba te deixando pra trás.

Tem também o fato de que consigo falar sobre isso para três pessoas na minha vida, sendo que uma delas não ouve nada além de seua próprios problemas. Então eu tenho esse blog que é onde deposito tudo o que quero, afinal de contas eu não pago a hostgator à toa e meus amigos não são obrigados.

As únicas vezes que eu realmente disse as coisas que queria foram mandando mensagens pra ela. Num tom claro de humilhação da qual eu já não faço nenhuma questão de não exibir publicamente (nunca tive orgulho o suficiente mesmo, não seria agora).

Foi quando eu percebi a pessoa que eu estava sendo pra ela. As mensagens carregadas de sentimento, frustração e ansiedade me faziam bem de certa forma. Eu me sentia aliviado dizendo todas aquelas coisas que no fundo não ajudariam em nada a situação, só despejariam mais uma tonelada de sentimentos ruins em toda a história. Me fazia bem porque eu estava tirando aquilo da minha cabeça e fazendo com que ela carregasse metade de tudo aquilo junto comigo. Não estava sendo justo, no fundo estava a um passo de ser um ex namorado detestável e perseguidor.

Foi ontem.

Eu decidi parar de escrever pra ela, custe o que minha mente tiver de pagar por isso. Nenhuma conversa vai me animar tanto a ponto de esquecer tudo o que aconteceu, mas eu preciso passar por isso sozinho.

Tem ajudado a contagem dos dias que estou fazendo no instagram. Todo dia alguma coisa é linda, magnífica e simples o suficiente pra me fazer refletir como estou, onde estou e o que anda acontecendo na minha vida. Não é uma corrente, nem um meme, nem um desafio. Sou eu contando os dias de um ano que vai custar a passar.

Pra quem sabe poder me libertar de toda essa sensação estranha de dividir a casa com um pesadelo morando no quarto ao lado.

Sonhos da noite passada

#001
Cheguei na casa do Leo, ele disse que tinha inventado um tipo de ácido ou qualquer coisa química, misturando pasta de barbear, halls azul e aquela pasta de dente com gel e glitter.

Amarradão, sentei na sala e pedi pra ele me mostrar como funcionava. Juntou as substâncias e me explicou a função de cada uma, pique Laboratório de Dexter.

Começou a fazer fumaça e um cheiro terrível do chão que queimava.

#002
Desço do prédio de manhã, de shorts e tênis de malhação, começo a andar no sentido da academia, seriamente pensando em ir, mas quase desistindo, lembro de ter parado pra batucar com os dedos em algum carro, fingir que estava esperando alguém e subir, vergonhosamente.

Então olho pra trás e vejo uma menina que estudou comigo a vida toda fazendo uma caminhada de calças brancas (segundo a Denise, preferência nacional), iPod branco e camisa branca, com a estampa de um cartoon do Allan Sieber.

Passou e não percebeu minha presença, tentei gritar alguma coisa, mas minhas regras de etiqueta pessoais não permitiram.

Como se nada tivesse acontecido, subi pra casa coçando a cabeça e imaginando se ela assinava o feed do Alan Sieber.

Movendo Montanhas

Fiquem com este vídeo do Moving Moutains, post rock terapêutico. E bom fim de semana.

Tire as mãos do seu rosto pra que eu possa ver
Tudo o que você é e tudo o que costumava ser
Você costumava ser
Para mim, alguma coisa que você não quer ser
Eu sei
Você é como o sol
E eu sou terra
Juntos, somos um
E um dia
Seu fogo vai morrer
E eu vou crescer frio sem a luz do sol
E eu vou congelar, amor
Eu vou morrer
Eu vou congelar
Eu vou morrer por você
Porque as coisas
Elas sempre morrem
Só dê algum tempo, elas sempre morrem
E nós, algum dia, vamos ver nosso amor brilhar
Nosso amor vai brilhar
Seu amor não vai enfraquecer, querida
Amor, eu não posso fazer isso sozinho
Coisas como estas são melhores se incalculáveis
Um dia o sol vai morrer e eu vou crescer frio
Eu espero que um dia seu amor encontre o caminho de casa.