I’m not there

A única diferença entre eu e Peter Parker é que eu nunca vou me transformar num homem com poderes especiais capaz de escalar prédios, salvar velhinhas e matar psicopatas em armarduras metálicas de última geração. Eu diria, é essa a diferença primordial entre nós. Aquela que faz minha história não ser escrita num gibi, nem virar uma franquia de Hollywood.

Sabe aquelas introduções de filme em que o cara é sempre um derrotado voltando do trabalho, ouvindo broncas do mundo todo e indo dormir com todo esse peso constante? Minha vida é uma espécie disso aí, mas sem o tal do plot na sequência, em que eu sou mordido por uma aranha ou conheço uma seita com a Angelina Jolie me dizendo que eu tenho habilidades adormecidas e 750 mil dólares na conta (aliás, já assistiu esse?).

Está tudo aqui, meu passado nerd, minha solidão, meu retiro desproposital, a mocinha que tenho de salvar, os amigos dos quais tenho que esconder meu disfarce, a sociedade com a qual terei de lidar, até o garotinho boquiaberto para eu passar a mão na cabeça e milimetricamente desajeitar seu cabelo. Todo o enredo da obra sobreposto por uma rotina desgastante e cercada de gente que não me olha no olho. Tudo envolto num clima de depressão bonito, como se a morte estivesse chegado, mas você tivesse que esperar ela conversar com a diretora antes de te levar pra casa.

Apesar de todo esse dramalhão, tive um final de semana fodidamente lindo ao lado da D., sério, voltei ontem pra casa bem o suficiente pra chorar de alegria enquanto ouvia qualquer coisa no carro, com os vidros entreabertos por causa da chuva. E aí ter uma segunda feira terrível de cinza no trabalho parece mais que um sinal me dizendo qual é o meu lugar, é como um motivo, um empurrão, um pescotapa moral de alguém que zela por mim seja lá onde estiver.

Eu não preciso ser um super herói da Marvel, caso você tenha entendido tudo errado até agora, mas preciso saber até quando vai essa minha vibe de vestibulando o-que-você-quer-ser-quando-você-crescer-empresário-ou-astronauta? Por enquanto, estou aqui, ainda que sem estar.

Provações

Daí me contratam pra escrever o press release da carreira solo de um artista novo aí, de família influente, the whole package. Digo ‘me contratam’ para ocultar o fato de que aceitei fazer o trampo em troca de horas de gravação no estúdio do empresário dele. E o artista quer que eu escreva o release sem ouvir suas músicas. Imploro uma. O autista anexa um MP3, uma música dessas de praia, que é reggae sem ser, é pop sem ser, fala de onda, vento, mar, praia, mas opa! Um momento, ele não quer que você mencione a palavra ‘praia’ em lugar nenhum do seu texto, se vira nos 3000 (caracteres) e esquece review do NME, sua almejada carreira musical não tá das melhores, amigo, supere.

E volto pro trabalho no pós feriado, passo a madrugada vendo Breaking Bad, perco a hora e chego tarde, desmaio no metrô, fico com síndrome de perseguição no trem me perguntando se minha cara estaria tão ruim assim. E estava. Chego no trabalho, termino de subir exatamente 20.609 (vinte mil seiscentos e nove, isso) arquivos no FTP, tentando entender de que forma isso vai me ajudar minha carreira um dia. E então chamam toda a fileira para responder uma pesquisa de satisfação sobre a empresa, coisa simples, 60 questões de múltipla escolha sobre as condições de trabalho, sobre o que está certo e o que está errado, até a derradeira pergunta de mil reais: “Você se sente realizado com o seu cargo?”

Quase levantei dizendo “gente, chama o big shot lá, precisamos ter uma longa conversa”.

O Aprendiz: Bicos

Me alistei num desses trabalhos de fim de semana. Desses que a gente tem vergonha de dizer por fazer parte de uma classe média que não consegue admitir que um marceneiro ganhe mais dinheiro que um analista de mídias sociais (nota mental: escrever sobre isso qualquer dia). Não, não é marcenaria. Agora, em alguns finais de semana, sou digitador de contratos nesses stands de venda de condomínios.

Não é um trabalho de todo mal, eles entendem que estão te roubando seus dias de descanso e até pagam relativamente bem. Não foi tempo perdido, somos tão jovens. Pra resumir a função: um casal feliz passa em frente ao stand de vendas e decide comprar um apartamento. Levam os documentos, preenchem formulários e aguardam enquanto eu encaixo todas as informações num modelo de contrato em duas vias com uma formatação horrível, cheio de redundâncias e subtítulos.

Posso dizer que dei um valor muito maior ao meu emprego atual depois do meu segundo dia de trabalho nesse famigerado bico. É necessário pra comprar uns presentes e pagar as contas. Quando eu tinha uns 19 anos descobri do pior jeito que vender não era meu forte e agora descobri que não tenho muito apreço por gente que vende, gente que precisa vender pra garantir comissão. Portanto se minha vida dependesse disso, eu pensaria duas vezes antes de aceitar. Nesse nível.

Eles têm coragem de me chamar de freelancer. O que não deixa de ser verdade e confere até um certo profissionalismo. MINTO. Confere o único profissionalismo do lugar. É uma espécie de remake de Loucademia de Polícia, mas neste caso o Eddie Murphy é uma gordinha simpática com síndrome de gatinha cantando Pôneis Malditos de.hora.em.hora. Aquela velha sensação de que todos os softwares são ilegais, a rede sem fio é roubada do vizinho e o dinheiro que te pagam é proveniente de uma vaquinha dos funcionários. Eu devia ter desconfiado quando eles exigiram que eu tivesse um veículo próprio, mas mudaram de assunto quando perguntei se eles pagavam combustível (o que, convenhamos, devia ser uma pergunta desnecessária).

Estou naquele impasse de deixar pra lá, afinal, todo mundo entende que você está sem grana pra comprar aquele presente de aniversário; ou então continuar, afinal, acontece apenas uma ou duas vezes por mês, a grana vale a pena e, com a trilha sonora certa, a ida e a volta podem ajudar muito. Vamos ver como me comporto quando vier uma nova escala, porque uma gordinha saliente (diria minha mãe) cantando uma música chata não é exatamente o tipo de coisa que me incentivaria a continuar com isso.

Análise de mídias sociais, 2007

Lembro que, numa entrevista desencanada numa dessas empresas que você vai conhecer imaginando o que passa na cabeça das pessoas quando te vêem entrar de calça larga e camisa básica, eu entrava numa sala pequena, parecida com aquelas redações antigas de filmes, cheias de calhamaços de papel, mesas decoradas com fotos de crianças e provavelmente alguma pistola ilegal escondida numa gaveta trancada entre antidepressivos e cartas do Serasa amassadas.

O lugar era legal, mas eu pensava ‘conhvenhamos, amigo, olha pro cara que veio de terno riscado e pasta na mão duelar uma vaga com você nessa assessoria, não viaja’, outro daqueles pensamentos desnecessários em que a gente se põe pra baixo e exalta qualquer fulano sem atentar pra besteira em vários níveis que é ir de terno numa entrevista (Alô, amigo Xuxa, se um dia ler isso, essa é pra você!).

E aí que a moça com marcas de expressão que só 20 anos de carreira em relações públicas podem oferecer decidiu nos colocar lado a lado e discursava algo sobre sermos recentes formandos de universidades pagas quando começou a perguntar onde tínhamos estudado, o que estávamos lendo (na época eu sempre respondia ‘O gato preto e outras histórias’, com um desinteresse padrão para entrevistas, sim, podem me julgar). A pergunta principal era sobre quais sites a gente passava mais tempo na internet. Imaginei que fosse uma dessas pegadinhas. Uma dessas que você não precisa responder. Coisa invasiva. Tive de responder Twitter, Orkut e uns blogs e pensei ‘ohh, come on, GTFO!’ tentando acreditar que o carinha do terno realmente acessava o eBay com frequência.

Em seguida, uma prova. Cinco questões sobre assessoria de imprensa, cinco sobre CONHECIMENTOS EM INTERNET (Ahh, 2007, essa semana de 22 das mídias sociais). Daí que, respondi três perguntas de assessoria do mesmo jeito que enrolei a professora de psicologia por um ano inteiro. Você escreve o suficiente pra ela achar que você sabe o resto da resposta sem precisar ler, taí, revelado o segredo. E só fiz o que realmente sabia, a parte sobre internet respondendo perguntas genéricas sobre o futuro das redes sociais. ¬¬

Terminamos juntos, praticamente, eu e o Mr. Pink, o Godfella barato. Ela pediu que eu descesse para o hall que depois me chamaria. De volta à confortável poltrona, já ciente que não teria chances, só percebi que havia algo errado quando pensei em pegar a IstoÉ Dinheiro pra dar uma folheada. Não, eu não devia estar ali, nunca gostei do trabalho de assessoria de imprensa, embora saiba respeitar quem tem culhão suficiente pra puxar o saco de clientes 24/7. E então levantei, dei três passos, saí do tapete, quando ela desceu se despedindo do cara do terno.

E eu, com aquela feição de ‘OK, vamos terminar logo com isso’ não mudei de expressão quando ela pediu pra conversar no sofá da recepção (a rima aqui não foi intencional). Por onde iríamos começar? Talvez dizendo que eu não era o perfil da empresa? Quem sabe mostrando os pontos positivos do cara do terno e as respostas erradas que dei na prova. Tudo desnecessário, ok, vou prestar atenção em você:

– hm.. vamos lá, você nunca trabalhou com assessoria mesmo, né? – Pois é, não… – tentei emendar mas… – Sua prova, é, eu percebi.
– É, eu nunca me interessei muito, acho que por causa de ter que tratar com clientes e eu prefiro… – ao que ela me interrompe (essa Norma é a versão real da personagem da novela, sério)
– Mas sua prova de internet, cara! – ela batia na folha com a intensidade que um nóia bateria um saquinho cheio de cápsulas de cocaína
– er.. sério?
– Sim, não precisávamos de um guru de assessoria, mas sim de um cara que entenda esses nichos, essas redes, como usar as ferramentas, um cara dessa galera.
– er… bom, eu poderia até dizer que… – a pompa começava a dar sinais
– 350 (isso, trezentos e cinquenta) reais por mês.
– OK, segunda-feira estou aí.

Call me Suzy

Não sei nem por onde começar. Talvez se eu tivesse respondido que sou só um redator que sabe o básico de linguagem HTML e tableless, só teria piorado as coisas, criado uns hard feelings na conversa ‘e aí, você está capacitado para fazer isso ou é difícil demais pra você?’. Mas eu também coloco dois ‘só’ na mesma sentença sem pensar em variáveis, sério, qual o meu problema?

Sabe aquela vergonha pública que você mais teme por estar num lugar em que todas as pessoas parecem saber mais do que você sobre seu próprio trabalho? Não chega a ser um pesadelo, mas o clima mantém aquela tensão de quando será que eles vão te humilhar publicamente. Não considero o jeito certo me perguntar no meio de todas as pessoas do trabalho se eu estou apto a fazer um trabalho pelo qual não fui contratado, o que é de menos, comparado ao fato de que eu não faço idéia de por onde começar. No caminho de volta à minha mesa pensei numa infinita sorte de respostas que poderia ter dito, mas que só agravariam a situação, como o exemplo que dei no acima.

Como disse, voltei para a mesa, restaurei a aba do programa, segurei a respiração por dois segundos e soltei meneando a cabeça, como quem se perguntasse o que diabos estaria fazendo ali tentando restaurar o Dreamweaver e editando textos simples e bobos, enchendo de tags, fazendo tudo que de melhor você pode como um redator, como alguém cuja função principal é escrever (não que a gente só trabalhe exatamente com aquilo pelo qual somos contratados, eu também sei disso). E foi então que comecei a cogitar o sintoma da perseguição quando vi os outros computadores e percebi gente no Facebook, mostrando os virais do dia, trocando fotos não seguras pra ver no trabalho pelo MSN.

Eu devia ter notado antes. E deveria dar exemplos mais claros aqui, mas bem, o que interessa é o desabafo. Eu tinha a melhor chefe que eu poderia ter tido (que ainda é minha chefe, o que torna tudo isso ainda mais difícil de explicar), que me avisou sobre o ninho de cobras ao qual eu poderia me enfiar antes que qualquer coisa acontecesse, que me avisou sobre tudo o que estava acontecendo com a sabedoria de quem gosta de você de verdade, de quem te quer longe de enrascadas, esse tipo de coisas.

Talvez o bando de fulanos, como eu mesmo fiz neste texto, esteja se perguntando o que eu estou fazendo ali. Eu aprendo algo novo todos os dias, eu começo a entender como peças são produzidas desde o início, desde a idéia inicial, como eles ‘startam’, diria o Jofa. Que eu não sou suficientemente bom para esse trabalho já tentaram demonstrar a todos, não num mural de metas, mas em cada pequeno ‘ah, se você não sabe então tudo bem, senta lá’. Vamos assim até descobrirem que podem contratar quatro caras pra cuidar dos links patrocinados e deixar de lado isso aí que você faz nas páginas de produto’.

Enquanto isso eu trabalho com os números, com as metas e com a qualidade e sei que já não vale a pena raciocinar aqui se eu devo ou não me posicionar quanto a isso como fiz nos happy hours com a Chiba e o Guto naquele boteco do Jaguaré. Para a melhor chefe que já tive quero somente dar a certeza de orgulho, de crescimento pessoal, como eu daria a minha família. Quero fazer o certo e ir pelos caminhos certos, porque você pode ser menino o quanto for, mas você faz 27 anos sabendo ao menos as pessoas que realmente querem seu bem. Mas para eles, que meu trabalho represente apenas uma coleção de conhecimento que eu possa adquirir e que de quebra pague minhas contas no final do mês até quando puder ser assim. E que eu consiga fazer o melhor que eu puder, demosntrar amor, como as putas. Porque a gente consegue restaurar tudo, mas a dignidade tende a ficar bloqueada na barra de tarefas.

***

Desculpem a vibe da amargura. Sabe quando seu computador fica no caminho de todas as pessoas e elas vêem você usando a internet, comentam entre si e te jogam um trabalho do qual você não faz a menor idéia de como fazer, mas no pensamento deles você pode tentar, já que não está fazendo nada? Bem, foi relativamente isso que aconteceu.

Pensando no superlativo

A primeira vez que fui trabalhar numa empresa, estava com frio na barriga sobre o que deveria dizer, ou me portar, os sorrisos certos, conhecer pessoas, manter alguns laços iniciais de amizade para serem lembrados depois com alguma ternura. E fui trabalhar. Lembro que tive de ler um manual de vendas de sei lá, 350 páginas, cheio de ilustrações e com textos corridos muito bobos. Terminei antes do almoço e tive que reler. Terminei às três horas e depois repassei todos os pontos até o horário de ir embora.

Cheguei em casa bem feliz, meus pais me receberam com alegria, eu contei meu dia, falei sobre as pessoas, sobre como a gerente parecia rica, mas também parecia uma pessoa muito simples. Jantei e fui dormir. O primeiro pensamento do dia seguinte foi: “caramba, não tinha pensado que seria todo dia”.

***

Marquei mentalmente São Bernardo do Campo como a cidade do Subway. Não sei se foi alguma sorte do meu caminho, mas em meia hora dentro da cidade eu vi dois Subways de rua e uma placa gigante sobre outro.

Peguei um freela itinerante de final de semana que se resume em digitar contratos imobiliários com atenção naqueles stands de venda com apartamentos decorados. Essa é a parte que eles avisaram durante o treinamento. Não disseram sobre uma pequena sala cheia de gente rindo alto, sobre trabalhar em meia baia com sinal de rede oscilante, numa cadeira de plástico dessas de boteco, mas principalmente, não falaram sobre o gordinho espaçoso que sentaria ao meu lado com um arsenal de piadas batidas sobre o Rogério Ceni que ele repetia em voz alta para cada um que entrava. Calcule.

Dá pra levar, é de vez em quando e rola um pagamento honesto. Era isso ou montar uma lojinha online aqui no blog (nota mental 1: a idéia não foi de todo descartada) pra vender meus CDs, DVDs e artigos inutilizados do armário (nota mental 2: não os livros, nunca os livros).

Eu queria poder dizer que foi legal estar trabalhando no sábado, afinal, eu procurava uma parada exatamente como essa pra recobrar a ordem financeira da minha conta bancária. Mas a gente sempre acaba achando um jeito de pensar na vida de um jeito superlativo que acaba ferrando tudo. Quero dizer que, estamos ali trabalhando amarradões, quando entre um contrato e outro eu penso que não me via aos 27 anos de idade tendo que fazer um bico desse pra que as coisas pudessem voltar ao normal. As coisas já eram normais, fui eu que deixei elas se esculhambarem ladeira abaixo. Mesmo assim eu descobri que não consigo lidar muito bem com o fato de ter outra obrigação da qual dependo dessa forma.

Claro que é exagerar um pouco as coisas, mas é como pensei outro dia, enquanto esperava a marmita esquentar e vi alguns amigos voltando do restaurante. De todos os futuros que previ, em nenhum deles estava ainda estar morando com meus pais e tendo que me esforçar tanto pra terminar de pagar um carro; nem que eu estaria feliz com a possibilidade de escrever textos de 7000 caracteres por R$ 30,00 (é, eu já desisti da idéia), nem que fosse esperar a marmita esquentar enquanto lia alguma coisa na cozinha.

Um trabalho pode ser algo que você adore fazer, mas nem sempre vai ser assim. E digo que se amanhã você não está muito afim, isso quer dizer que você não adora seu trabalho tanto assim, certo? Você pode não reclamar das suas tarefas e correr pra que tudo dê certo no final do dia, mas nada disso caracteriza adoração. E talvez por isso nunca estaremos satisfeitos com nada do que vier. Mesmo um alto salário, uma dose exagerada de independência ou uma cartela de bons benefícios podem te fazer olhar à sua volta e pensar sua vida no superlativo.

Cidades para Pessoas

Ontem, como um patrocínio da greve da CPTM, trabalhei em home office (obrigado, internet, abs), tudo depois de uma ingênua e mal sucedida tentativa de me locomover até a empresa de ônibus. Numa conversa no MSN sobre o medo da quarta temporada de Breaking Bad ser a última, o amigo Fábio sugeriu que eu tivesse vindo de bike, mas pelo jeito até a ciclovia estava de greve (e eu consegui imaginar os seguranças me barrando, ‘não, não vai entrar, tá fechado, não dá, não pode’, ‘mas amigo, não é pra pegar trem, amigo, olha a bicileta aqui’, ‘não dá, não dá!’). Tudo isso, claro, num mundo ideal em que eu tivesse uma bicicleta.
E aí, trabalhando com o SPTV ligado, passa uma matéria sobre o prefeito de Copenhague que saiu por aí bem verão com a reportagem da Globo tentando usar a faixa reservada para bicicletas, ficou com medo e tal, reação bem normal pra quem vive numa cidade que tem 350km de faixas reservadas aos ciclistas. E o Kassab, inovador como sempre (NOT), está reservando uma faixa de trânsito exclusiva para quem tem duas pessoas ou mais no carro.

Deu pra notar uma atenção maior ao trânsito, agora que estamos quase entrando num colapso com tantos carros na cidade. É um debate muito grande, envolve economia, cultura local, não mexer com os pequenos culhões da classe média, essas coisas grandes e confusas. Mas que está perturbando a vida na cidade, isso já deu pra sacar.

Embora os ciclistas sejam tão chatos quanto vegetarianos e essa galera que usa mac segundo o e001, inovar é muito mais que começar a pensar em abrir as faixas reservadas a bicicletas durante a semana. Se o trânsito de São Paulo tem solução, não sei, mas tem gente bem interessada em descobrir.

Tempo de partir

Limpar a mesa é um negócio zoadíssimo na hora de ir embora, tanta gente pra lembrar, tanto abraço pra receber, pensar na herança dos meus post-its, do meu adesivo cheio de ódio colado na CPU. Foi difícil tentar escrever qualquer coisa aos amigos e talvez seja melhor ficar apenas com seus pequenos adeus na memória.

Uma música pra hoje: Explosions in the Sky, Our last day as children, bem no climão de despedida do escritório. Instrumental e inadequado como o meu ‘até logo’.

E um gif, pra simbolizar minha reação de hoje enquanto não paravam de me dizer: ‘po, é amanhã, hein’!

Não consigo emocionar todo mundo como aquele post de despedida do Leo. mas fica para uma próxima, prometo estudar mais.

Notas da Mudança

Últimos dias no QG de produção web da Aldeia da Serra. Na sexta-feira estarei embarcando para um futuro inóspito do qual confesso estar num cagaço foda manter certo receio. A parte disso tudo, vou limpando os 13GB de música do computador daqui ao mesmo tempo que salvo toda minha vida corporativa num pendrive de 4GB que irá comigo para o headquarter da Vila Olímpia, de onde vou continuar os trabalhos (“os trabalhos”, Dona Ederlazil?).

Daí que tive que sair no almoço sozinho para ver pela última vez os lagos da Aldeia da Serra, os patos que atravessam juntos uma avenida que nunca soube o nome e as casas pouco modestas do lugar. Eu sei que “pela última vez” é só um drama corriqueiro e um refrão no NX Zero, mas ter a natureza aqui próxima todos os dias acostuma, sei que, uma hora ou outra, vai fazer falta.

Só para explicar o porque de estar no trabalho às 21h54 de quarta-feira, estou com dois cargos e tendo de zerar as pendências de um para poder pensar no outro, quer dizer…

E agora a gente fica aí esperando a sexta-feira e a cara de bosta que costumamos fazer nos primeiros dias em lugares quase totalmente desconhecidos.

Muito incentivador?

Sem novidades sobre a mudança ainda, mas o que posso dizer é que as gavetas estão limpas, o porta trecos está esvaziado estilo geladeira (quando você come um pouco de tudo pra ninguém reparar) e a gaveta também, com exceção dos carregadores de celular, pasta/escova de dentes e o indispensável fone de ouvido in-ear da Sony que comprei numa promoção de minuto, de 68 por 20 mangos, falei sobre isso? Bem, agora falei.

Para o próximo malandro a ocupar esta sagrada mesa de webwritting pensei também em deixar como herança auxiliar um capítulo de O Suicídio, de Émile Durkheim, que mantenho guardado e leio de vez em nunca no horário de almoço.

Minha intução diz que talvez seja melhor levar pra casa.