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reflexões sobre agradar

Eu tenho, eu sei, evitado falar na internet por motivos diversos.

Cheguei a pensar, inclusive, em uma teoria da conspiração espiritual absurda que vinha por alguém de quem eu jamais desconfiaria e estaria seguindo meus perfis atrás das minhas microcoisinhas, sabotando cada parada que eu publicava. Daria certamente um tremendo filme ruim de sessão da tarde (sobre um esquizofrênico, aparentemente).

Muita reflexão em cima disso me fez entender que a gente tá, no fundo, só querendo encontrar nossos espaços seguros num mundaréu de coisas estranhas e cursos sobre como fazer para ser bem sucedido em áreas das quais você nem eu nos importamos tanto assim.

Me lembro de ter encontrado uma vez um projeto spokenword brasileiro no bandcamp e a faixa que me colocou pra pensar chamava-se “obrigado, internet”. Pela primeira vez eu estava pensando sobre como aquilo tinha mudado minha vida desde a adolescência e eu não havia sequer parado pra pensar sobre o assunto.

Desde então eu tenho passado a respeitar mais a esquisitice nas redes.

Ainda sobre espaços seguros: pra mim sempre houve um lugar na internet pra se esconder. Começou sendo meu blog pessoal no final dos anos 1990, passou por começar um perfil meio solitário em praticamente todas as redes sociais até que todo mundo chegasse e aquela sensação de estar vivendo dentro do filme MOTHER; e, finalmente, voltou a ser somente meu blog pessoal.

Pode ser uma experiência solitária escrever para praticamente ninguém ler, mas é também uma forma de poder se expressar sem a culpa de não ter curtidas ou sem o peso de agradar ninguém.

Só espero que eu não comece a vender cursos sobre o assunto.

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