Voltar

Vai completar dois meses que moro neste aparamento e já vi duas perswguições policiais na rua. Pode ser sorte (ou azar), pode ser coincidência, ou pode ser que a criminalidade tenha mesmo tomado conta da cidade, como gabriel, o pensador, previa.

Voltar pra quebrada tem dessas.

Elo

Meu estado de consciência atual lembra muito Peter Parker tentando se desvencilhar daquela gosma preta que cria o Venom no Homem Aranha 3. Por mais que eu tente, vai voltar. E vai ser horrível tentar de novo quando aquilo grudar em você.

Faz um sol de rachar no jardim Umuarama. Aa janelas enormes daqui deixam tudo extremamente claro. Enquanto isso estou no escuro do quarto, com a janela fechada, numa sessão de autopunição que ainda deve demorar meses pra acabar.

Inclusive, tenho praticado bem esse revezamento: sessão de autopunição matinal, seguido de episódios de Big Bang Theory (estou tentando de novo, mas não tem jeito de achar o Sheldon legal), mais uma tarde de autohumilhação com ênfase em plataformas digitais e de noite um lanchinho, com maços de cigarro e duelo de menta (4 reais no posto), o suficiente pra demorar 10 minutos de muleta no trajeto sala-quarto.

Me desgrudar de toda essa sensação vai depender muito de descobrir o que tá tão errado assim em mim. E talvez encontrar na rejeição meu elo para viver em paz.

E seguir em frente, de coração aberto para tudo o que tiver de vir.

Admitir a realidade

“Estamos prontos pra partir de novo os nossos corações. Não vai ser a primeira vez, nem a última.”

Lidar com o término de um relacionamento é, pra mim, o fato da vida que mais me fez mal nos últimos 15 anos. Ter que repensar a vida inteira e deixar de conviver com alguém que fez parte da sua vida de um jeito tão intenso.

Em todos eles, eu disse algo parecido com: “eu sei quem sou quando estou sozinho e definitivamente não gosto muito dessa pessoa”. Sozinho eu sou meu pior inimigo, especialmente no caso de ter sido deixado pra trás (tem muito a ver com receber de volta do universo o que você deposita nele, mas esse é um assunto que me proíbo de falar, apenas por ser fatalista e dramático demais para essa fase).

Estou nesse momento de novo, justamente quando eu achei que isso fosse parar. Ouvir sua mãe te dizer que essa fase da vida é difícil mesmo é ver uma faca atravessando as ideias.

Não me entenda errado. Não estou dizendo “Deus perdoe essas pessoas ruins”. Quero mais é que vivam suas histórias, que conheçam novas pessoas (ou velhas pessoas – estamos de olho). É que, ao mesmo tempo, eu quero provar pra essas pessoas que eu era a pessoa errada pra elas. É aí que procuro tomar as piores decisões, os piores porres, as piores festas e jeitos de se encarar a coisa.

Da última vez que isso aconteceu eu achei que nunca mais pudesse amar alguém de verdade. A gente sempre pensa isso. No começo deste último relacionamento eu tinha o pé atrás e não soube lidar com alguém me dando presentes, comemorando datas e essas coisas. O tempo passou pra me mostrar que valia a pena. E eu estava realmente voltando a ser uma pessoa que acredita nisso.

Quer fazer Deus rir, conte seus planos.

Esse está sendo pior que os outros de certa forma, porque eu realmente acreditava estar com alguém que me faria ser parte de alguma coisa grande, como montar uma família, comprar uma casa, ter filhos etc.

É mais assustador quando alguém que você acha uma excelente pessoa acaba te deixando pra trás.

Tem também o fato de que consigo falar sobre isso para três pessoas na minha vida, sendo que uma delas não ouve nada além de seua próprios problemas. Então eu tenho esse blog que é onde deposito tudo o que quero, afinal de contas eu não pago a hostgator à toa e meus amigos não são obrigados.

As únicas vezes que eu realmente disse as coisas que queria foram mandando mensagens pra ela. Num tom claro de humilhação da qual eu já não faço nenhuma questão de não exibir publicamente (nunca tive orgulho o suficiente mesmo, não seria agora).

Foi quando eu percebi a pessoa que eu estava sendo pra ela. As mensagens carregadas de sentimento, frustração e ansiedade me faziam bem de certa forma. Eu me sentia aliviado dizendo todas aquelas coisas que no fundo não ajudariam em nada a situação, só despejariam mais uma tonelada de sentimentos ruins em toda a história. Me fazia bem porque eu estava tirando aquilo da minha cabeça e fazendo com que ela carregasse metade de tudo aquilo junto comigo. Não estava sendo justo, no fundo estava a um passo de ser um ex namorado detestável e perseguidor.

Foi ontem.

Eu decidi parar de escrever pra ela, custe o que minha mente tiver de pagar por isso. Nenhuma conversa vai me animar tanto a ponto de esquecer tudo o que aconteceu, mas eu preciso passar por isso sozinho.

Tem ajudado a contagem dos dias que estou fazendo no instagram. Todo dia alguma coisa é linda, magnífica e simples o suficiente pra me fazer refletir como estou, onde estou e o que anda acontecendo na minha vida. Não é uma corrente, nem um meme, nem um desafio. Sou eu contando os dias de um ano que vai custar a passar.

Pra quem sabe poder me libertar de toda essa sensação estranha de dividir a casa com um pesadelo morando no quarto ao lado.

Lar

A vida em fevereiro de 2017 é a seguinte: a) uma perna fraturada e com gesso que vai me fazer ficar em casa mais umas duas semanas assim pelo menos muito mais tempo do que eu imaginei, de acordo com a notícia que acabo de receber b) aparentemente solteiro na fase olhar-whatsapp-a-cada-dois-minutos-esperando-mensagens-sobre-o-assunto (e quase desistindo mesmo), c) preocupado com a fatura do cartão de crédito d) freelando em um projeto de social media com vários clientes legais e) num apartamento novo com o qual eu me sinto realmente em casa (finalmente).

*

Este post é sobre o último tópico da lista, porque bem, os outros eu acabo falando vez ou outra de qualquer maneira.

2016 foi um ano tão maluco que fiz duas mudanças. A última delas rolou uma multa pesada, mas que acabou valendo cada centavo. Depois de sair do Butantã, fui para uma kitnet (kitschnet? quitinete? jamais saberemos) no campo limpo, numa espécie de condomínio de casas (na minha época chamavam de cortiço também). A diferença é que esse tinha bem cara de condomínio mesmo, com faxina, uns pseudo-classe-média e Carlão, um zelador que mais parecia um gangster.

Acabei mudando também para o Campo Limpo, mas num apartamento bem mais legal (possivelmente o mais legal que já morei), com janelas grandes, mais espaço pros gatos, num condomínio com vizinhos excelentes, porteiros amigáveis e tudo mais.

Tenho uma espécie de estúdiozinho-laboratório-casa-de-máquinas pra gravar minhas músicas daqui e mandar pros amigos, o que tenho feito quase que exclusivamente o dia todo, com exceção da parte em que fico me culpando e enchendo mais ainda minha cabeça de neuroses.

A fase não está boa, na verdade meu momento está esfacelando as esperanças que eu achei que estava reconstruindo em todos os sentidos da vida. Mas estou num lugar que me acolhe cada dia um pouco mais e que leva toda essa dor de cabeça pra fora todos os dias, como sacos de lixo.

Eu acabo falando desse assunto meio que invariavelmente né, uma merda, eu sei.

O novo velho

Com o tempo, todas as sensações e sentimentos acabam passando de fase, mudando de nível, tornando-se outras completamente diferentes das iniciais. Pra ser bem rude com o exemplo, é mais ou menos igual quando falavam pra você sobre a Pizza Hut nos anos 90 e aquilo parecia intocável e distante, daí você chega em 2017 se segurando pra não ir lá todos os dias da sua vida.

Eu disse, bem rude.

Lembro da primeira vez que chorei por alguém. O sentimento de perda e afastamento parece tão irremediável e lancinante. O tempo faz a gente perder o contato com essa superfície.

Foi quando perder se tornou apenas mais uma parte do caminho.

Muita gente aprende a lidar, seguir em frente. Eu acho que nunca aprendi. Acumular dores, decepções e todas essas palavras com uma carga dramática maior do que você gostaria de lidar, acaba criando cascas nas nossas bagagens pessoais. Você passa de extremamente magoado a uma pessoa olhando o infinito pelo menos umas 14 vezes durante o dia sem pensar em nada, ou chorar agressivamente, como convém a pessoas nesse estado de espírito. E quando você sai daquele estado, a única coisa que consegue raciocinar é que aquela merda precisa passar logo.

O grande mal em ser adulto é ver todas as nossas histórias se tornarem apenas boas lembranças.

Espero um dia escrever sobre lidar com tudo isso de um jeito menos autodestrutivo.

Carta para mim aos 13

Fala aí moleque! Tá bem? Mano, venho do futuro te contar umas paradas, mas só pra você ficar ligeiro mesmo, acho que ia acabar acontecendo de qualquer forma.

Eu sei como é hoje. Você tá na sétima série, ainda acontece de ficar calado a maior parte do tempo e se sentir bem apenas com os amigos certos. São muitos traumas né. Pelo menos pararam de te chamar de apelidos que você detesta no condomínio (Betinho vai até uns 23 anos te chamando assim, Yellow também, mas você vai vê-lo cada vez com menos frequência, confie em mim).

Se você parar pra pensar bem não eram nem os apelidos que te entristeciam, era a cara de decepção do papai e da mamãe e a sensação de desapontar todo mundo que você ama.

Bem, hoje estou perto dos 33 anos de idade. Sim, vinte anos depois de comprar o cartão postal do exalta. A gente ainda ouve pagode, mas com menos frequência também. Ano que vem você vai conhecer o Racionais MCs e nunca mais parar de ouvir rap.

Parece extremamente distante agora, extremamente impossível e impraticável, mas você vai namorar. Umas cinco pessoas diferentes. Excelentes pessoas. Elas vão fazer parecer que a vida tem afinal algum sentido, mas quando elas forem embora vai ficar um vazio que eu não gostaria que você presenciasse. Eu ainda não sei o que acontece depois, mas sei que não é exatamente fácil de lidar.

Alguns de seus melhores amigos vão se perder completamente do que eles são hoje. Vai parecer que vocês viveram uma outra vida juntos. Mesmo assim vai ser legal trocar ideia com eles quando vocês se encontrarem sem querer no mercado (Lucas nunca vai pagar aqueles 50 conto que te deve do patins, Markinhos vai pirar, voltar, pirar de novo. Thiaguinho nunca vai deixar de ser o cara mais engraçado que você conhece, mesmo mentindo o tempo todo. Putz, muita coisa pra te atualizar, sério).

Em compensação você vai ter grandes amigos pelo caminho. Pessoas que gostaria de poder viver próximo todos os dias e cuja amizade parece transcender alguma coisa no mundo real. Eles vão te tirar de vários abismos, quando tudo parecer perdido.

Continua lendo, você nunca vai parar. Só toma cuidado com o Augusto dos Anjos e o Álvares de Azevedo que uma hora o sentido deles nas nossas vidas vai parecer indissociável e a vontade de não estar aqui vai ser forte. Tenta pegar os livros da tia Paula quando viajar pra lá. Vai ser uma lembrança ótima pra nós. Ela não tá mais aqui e foi embora meio que de repente, mas a gente vai ter só lembranças boas dela.

Nossos avós também vão partir, mas vão viver bastante e em abundância, do jeito que sempre quiseram. Aos 33 anos você vai querer muito aquele violão do vovô, mesmo sem saber qual o destino que deram pra ele.

Papai ficou bem doente nos últimos anos, mesmo assim não para de fazer caipirinha e churrasco. Mas ele tá bem, com dias ótimos e dias meio ruins. Mamãe cuida bem dele e, mesmo depois de você ter saído de casa, ela fica perguntando se tá tudo arrumado na sua casa, se você precisa de alguma coisa, como você está. Ainda são seus melhores amigos.

Rodrigo mora no centro. Vocês saíram da casa da mamãe juntos e moraram duas vezes juntos em lugares diferentes, mas nunca rolou muito bem, embora vocês sejam irmãos e o amor nesse caso seja incondicional. Mas lembra do que falei ali sobre os amigos que se perdem completamente do que são hoje? Acho que serve pra ele também.

Os 20 anos que você tem pela sempre vão ser impressionantes. Você vai viver situações que jamais imaginou, vai ser reconhecido em lugares que nunca pensou estar daí de 1997.

Quando você estiver escrevendo essa carta vai lembrar de um livro que uma de suas melhores amigas te deu e você está relendo nesse momento, porque ele começa falando do eterno retorno, de Nietzsche, um barbudo que você vai conhecer em uns cinco anos.

Vão ser duas décadas intensas. Toma cuidado com a bebida e tenta relevar quando eles tiverem usando droga e você estiver perto. Seus amigos vão parecer pessoas horríveis, mas é só naquele momento. Você acaba entendendo (nem precisa tomar cuidado com as drogas, você vai ter uma aversão automática quando ver as pessoas usando).

Aproveita bastante, moleque. Porque vai passar e quando você estiver escrevendo isso, vai parecer que você já viveu tudo o que tinha pela frente. Mas é só a ansiedade pelo monte de decepção que você vai ter que lidar pelo caminho. Seja forte, mantém a cabeça no lugar e segue em frente. Seus melhores e piores dias estão todos bem aí na sua frente.

You got to keep ya head up.

24h party people

Estou escrevendo esse post debaixo de um barulho de pedreiro no andar de cima que me fez acordar às 8h da manhã, o que seria ótimo se eu não tivesse ido dormir às 4h.

*

Preciso contar do primeiro casamento em que toquei na vida. Foi uma cerimônia celta, bem bonita, com a recepção no mesmo lugar e um cara fazendo crepes incríveis. Em certo momento um cara brincou “ele deve ter uns 5 anos de experiência nisso”, quando o cara do crepe disse “hahah já vou te cortar, são 8 anos”.

Crepeiro dando carteirada, gostamos.

Conhecemos um cara que nos contou tudo sobre uma banda de hardcore que ele teve muito tempo atrás e começou muitas histórias sobre pessoas “famosas” de bandas que conhecemos. O mal das pessoas que contam histórias demais é que acabam parecendo mentirosas em algum momento. Nosso stalkeamento posterior resultou apenas numa citação do nome da banda dele em uma lista de bandas que tocaram no hangar 110, perdida num flogão (obrigado, Felicio) e ficamos sem saber quanto daquilo era verdade.

(Queria muito ter a opção de colocar um áudio aqui do pedreiro martelando no andar de cima pra vocês entenderem. Fico imaginando que tipo de coisa seria aceitável martelar por tanto tempo. Um prego de 450 metros? Vai ver ele tá quebrando o chão e vai transformar a gente num duplex sem sequer me perguntar. Seria ótimo mesmo, realmente, por favor continue senhor pedreirPARA MANO PELOR DE DEUS).

Mayara e Vinicius são um excelente casal. Estavam extremamente felizes e emocionados com o casamento que era simples, com uma família bem seletinha e um tio que ficava gritando “VAMO FAZER BARULHO AEE”, mas que poucas vezes conseguia o apoio dos presentes. O noivo chorava copiosamente quando ela começou a descer as escadas. Foi bem tocante. Chovia o dia inteiro e parece que deram um salve em São Pedro pra conter a chuva durante aqueles momentos.

Foi a espécie de festa de casamento que deu um baita afago no coração de ver.

Sair do sítio do casamento não foi lá muito fácil, pra dizer o mínimo. Eu tava sem dirigir por razões óbvias, mas resolvi tirar o carro porque tava rolando um medo conjunto de atolar no barro que tinha se formado. Pra piorar tudo, era uma subida. Pra piorar mais ainda, tinha voltado a chover pesado. E ainda tínhamos que tocar num show na zona leste.

Estava tudo completamente desfavorável.

Em um dado momento chegamos a pensar que dormir por ali não seria exatamente uma má ideia.

Depois de sair do atoleiro, tomar chuva, pisar no barro com o pé do gesso, utilizar 480 sacolinhas de mercado diferentes para não piorar mais o estado da tala (em um dado momento eu usei até o saquinho de lixo do carro) e dirigir mesmo com gesso uns 60km, chegamos na zona leste.

(claro que na segunda feira eu voltei no SUS pra trocar o gesso e ouvi várias merdas do médico.)

Foi uma sensação de cansaço extremo com a vibração de ver uma galera organizando uma festa tão legal para poucos. Eram duas bandas e nós, violão e voz. Só pessoas ótimas, com bandas incríveis que fazem a gente pensar que criar nossos próprios espaços talvez seja mesmo a única saída pra não deixar nossos sonhos morrerem. Voltar a tocar com o Projeto foi também demais e acabamos no Stop Dog em Perdizes, imitando a voz fina do Rodolfo em algumas músicas do Rodox.

Neste dia, eu fiquei tenso por diversas vezes, cansado e com dores ao final da jornada. Ao mesmo tempo reencontrei a vontade de estar com amigos sem pressão, de um jeito natural e não tóxico (o que só poderia acontecer com as três pessoas que estavam presentes, sério, muito amor ❤).

Melhor dia de 2017 até o momento.

Teve esse final de semana em que eu e Mariri tocamos num casamento no interior e depois num show na zona leste. Tudo pra dar certo, inclusive depois que eu engessei o pé

É tudo diversão e jogos até que

Acontece que eu queria escrever coisas mais significantes pra mim mesmo e pros outros. Comecei o ano com essa prepotência em mente. Logo eu, que me culpei por não escrever uma retrospectiva (embora fosse só pra não passar mais vergonha mesmo).

Desisti, obviamente. Talvez haja alguma crônica vez ou outra, mas não vai sair com tanta naturalidade quanto eu queria e tenho precisado evitar que as pessoas achem que vou me matar a qualquer momento também, é uma boa não ser tão introspectivo assim nessas horas.

*

Daí outro dia, perguntei aos amigos do facebook se alguém tinha uma bola de basquete sobrando em casa, parada, pra doação. Foi quando C. me disse que tinha uma, combinamos e fui pegar na portaria da casa dela, com Danilo já querendo marcar um basquete no sesc no próximo fim de semana.

Pois bem, o basquete no sesc rendeu duas coisas: a) total compreensão de que estes caras que usam roupas de basquete incríveis só fazem pressão mesmo e sabem jogar apenas o suficiente pra não serem tidos como completos farsantes e b) um tornozelo estourado.

Segundo uma médica super simpática (sem ironias aqui) tive 60% do tendão comprometido e podia escolher entre operar ou ficar com uma tala por três semanas. Ficar andando por aí mancando não ia rolar e eu ia estragar ainda mais as coisas. Segundo um outro médico super simpático (cheio de ironias aqui) eu nunca mais ia poder andar direito se escolhesse a cirurgia.

Shit got serious, dude.

Ela falando sobre como tinha que ficar a posição do meu pé em casa e eu pensando em como iam receber essa notícia no escritório e em como eu ia conseguir tirar o carro do estacionamento. Agradeço a Deus que meus melhores amigos sejam realmente melhores em tudo e que a agência tenha sido extremamente compreensível com este atestado de trinta dias (que no começo parecia férias, mas hoje já está me dando nos nervos pra ser bem sincero).

E então foi isso, fiquei em casa o tempo todo desde então, tirando o primeiro final de semana em que eu tive que ir pro interior tocar num casamento trans maneríssimo, detalhes no post seguinte (caso eu esteja mesmo imbuído do espírito blogger e escreva outro post logo na sequência).

Acho que não preciso dizer as vantagens de estar em casa. Trouxe meus livros pra perto, assisti a terceira temporada de Z Nation e assinei um pacote da net com velocidade suficientemente boa pra pensar em pagar o netflix novamente (continuar usando a conta dos outros depois de cortarem relações com você não me parece uma boa ideia).

Os lados negativos começam óbvios também. Passo os dias na cama e no sofá, comendo e sem fazer qualquer tipo de atividade, logo 🐳. Consegui as muletas de M. pra andar por aqui sem apoiar o pé e conseguir fazer minhas coisas, mas mesmo assim está meio difícil arrumar as coisas dos gatos, tomar banho e, bem, viver.

Neste meio tempo descobri vizinhos bem legais também (além dos que eu já conhecia). Preciso falar sobre a mudança também, só não aguardem tantos posts assim de uma vez CALMA CARAS.

Sabe aquele negócio que dizem que a gente só conhece quem tá mesmo do nosso lado quando as coisas apertam? Acho que a gente não vive isso de um jeito mais prático do que ficando internado em casa. É nessa hora que as pessoas para quem você é apenas mais um se mostram realmente distantes e seus amigos estão do seu lado, mandando mensagens, entendendo suas necessidades, ou apenas sendo pessoas ótimas mesmo.

As bandas estão todas paradas, embora possa acabar rolando um ensaio aqui em casa nesse ínterim. G. manda suas músicas pelo whatsapp, acho que R. vai seguir a mesma linha. Tive de cancelar os shows do dia 11 e 12, todos entenderam bem. Depois do primeiro final de semana eu vi realmente como seria complicado ir pro mundo com o pé cheio de gesso, então achei melhor cancelar tudo.

Não posso deixar de agradecer meus pais nunca porque não fossem eles eu não teria como fazer compras pra sobreviver todos esses dias, nem arrumar a casa decentemente.

Sério, eles são maravilhosos.

Então é isso. Sigo aqui até melhorar e esperando que o INSS não seja tão burocrático assim (HAHAHAH) porque meu aluguel ainda não se paga sozinho infelizmente. E que 2017 seja um ano de se redescobrir completamente (já tirei o basquete da lista, podem ficar tranquilos).

O meu bagulho é ser invisível

Ser invisível é estar em par com o esquecimento, com as histórias não vividas, o upside down das vidas que ficaram pra trás. Conversas, pop ups, desabafos. Eu desabo todos os dias. Meus momentos de lucidez são pequenos e frágeis, escondidos em minhas figuras, em meus dias que passam breves, fugazes, instáveis.

Já não tenho mais grandes esperanças e o destino me parece uma pipa com a linha cortada, atravessando o Jardim Rosana e contemplando de sobra toda a imensidão do universo, mas sem saber onde vai cair. Esperando que seu futuro seja um pouco mais nobre do que a solidão de um poste da eletropaulo.

Ser invisível, no fim das contas, era o meu bagulho desde o começo.