Ensaios Dominicais

Assistir Multishow no final de semana geralmente significa que algo grave aconteceu, ou está acontecendo, embora isso não venha ao caso. Estava vendo aquele programa em que eles pegam uma celebridade e fazem com que ela tenha um trabalho comum por um dia. A idéia é que o atorzinho da novela das oito deixe o Projac e tenha seu dia de garçom, vendedor de loja ou faxineiro de shopping.

Quando toda a diversão que lhe resta ao redor é uma programação de domingo entediante, esse programa se torna automaticamente uma coqueluche do entretenimento barato, da qual consigo inclusive esperar os comerciais – com o devido desvio de pensamento de todas aquelas propagandas ‘geniais’ (NOT).

Isso quando as pessoas que participam são famosas e tal. Engraçadinho ver a Angélica tropeçar com as bandejas de suco na mão, ou o Arnaldo César Coelho de taxista, por exemplo. Mas quando colocam alguém desse mundo B de celebridades, não faz sentido algum. Se o cara vai passar batido e uma ou duas pessoas vão reconhecê-lo ‘de algum lugar’, qual a diferença dele pra todos nós, reles mortais, sem crachá de acesso aos estúdios do Projac?

Claro, não parei de assistir até o final.

Tentativas de mim

Gostaria de pensar que tudo faz sentido, que as peças se encaixam, que cada passo é dado em direção a algo maravilhoso e glorificante. Que nossas vidas são sagas que sempre despencam num final feliz e que, não importa o que te digam, você é importante demais para o mundo e para todas as pessoas ao seu redor. Gostaria de não ter esse torpor, gostaria que essa fé me invadisse, que eu pudesse olhar pro céu e ver as estrelas como possibilidades, como esperança. Gostaria de poder dizer que cada erro é uma construção irremediável de quem sou e não o contrário, gostaria de poder sorrir sem imaginar o dia de amanhã, as contas empilhadas e qual das moças do setor de cobrança vai me ligar dessa vez. Gostaria de não pensar no talvez, de poder enfiar a mão num saco de feijão e sentir felicidade, ‘é o que falta às pessoas’, dizia a Vera. Gostaria que tudo fosse mais simples. Gostaria de acreditar que um dia isso tudo vai passar. Mas hoje, eu simplesmente não posso.

Tô bem, sério, é só uma bad trip de final de ano.